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Tânia Oleiro e Marco Oliveira iniciam hoje uma digressão por quatro palcos norte-americanos, estando já esgotado o concerto no Elebash Recital Hall, em Nova Iorque.

“Vamos intercalar temas do álbum de estreia da Tânia [Oleiro], ‘Terços de Fado’, para o qual compus, ‘Nova Roda da Mouraria’, e que vamos incluir no alinhamento, e temas do meu segundo CD, ‘Amor é Água que Corre’”, disse à agência Lusa Marco Oliveira, cita o DN.

Para Tânia Oleiro esta digressão é uma estreia nos palcos norte-americanos; Marco Oliveira já atuou nos Estados Unidos, em 2013.

“Fui como músico, à viola, acompanhar dois grandes, a Beatriz da Conceição (1939-2015) e o Rodrigo, e, no alinhamento, entrei a cantar”, referiu Marco Oliveira.

Nesta digressão, que começa no Estado norte-americano de Rhode Island, Marco Oliveira canta e acompanha à viola, e, além de Tânia Oleiro, ao palco sobe também o músico Sandro Costa, na guitarra portuguesa.

A digressão inicia-se hoje no Park Theatre, em Cranston, em Rhode Island, e prossegue no dia seguinte, no Elebash Recital Hall, em Nova Iorque, seguindo para o City Hall, em Peabody, no Estado de Massachusetts, e, na segunda-feira, encerra em Washington, onde sobe ao palco do J.F. Kennedy Center for the Performing Arts.

O musicólogo Rui Vieira Nery, autor de “Para uma História do fado…”, afirma que cada fado que Tânia Oleiro canta “se torna importante – para ela, que nele nos dá tudo o que tem, como um equilibrista sem rede, e para nós, que somos agarrados por essa dádiva”.

“Terços de Fado”, editado no ano passado, é o disco de estreia de Tânia Oleiro que canta há cerca de 17 anos, e já fez parte do elenco de residente de diferentes casas de fado lisboetas.

Vieira Nery confidencia, no texto que acompanha o CD: “Aquilo que sempre me prendeu em Tânia Oleiro, ao longo destes últimos anos em que a tenho ouvido tantas vezes, sempre com uma admiração crescente, foi, antes de mais, essa sua integridade, como fadista, essa sua entrega absoluta à narrativa de cada poema e ao desenho de cada melodia, como se esse fosse, naquele momento preciso, o único objetivo da sua vida e como se aceitasse o preço dessa entrega total a cada fado como um imperativo ético incontornável”.

“E por isso mesmo cada fado que ela canta se torna importante – para ela, que nele nos dá tudo o que tem, como um equilibrista sem rede, e para nós, que somos agarrados por essa dádiva, e nos deixamos levar pelo privilégio de assim poder de algum modo participar, palavra a palavra, nota a nota, naquela travessia de risco”, acrescenta Nery, que foi consultor da candidatura do Fado à classificação como Património Imaterial, pela UNESCO.

Marco Oliveira adiantou à Lusa, que projeta gravar, em 2019, o seu terceiro álbum, também nos Estados Unidos. O novo CD irá suceder a "Amor é Água que Corre”, no qual gravou "Prelúdio da despedida", composição de sua autoria, “Canção de Fé”, que assina a letra e música, e ainda de “Fado à Janela”, “Valsa da Despedida” e “Avenidas”, alguns dos temas que apresentará nos palcos norte-americanos.

 “Cantiga”, um poema de Cabral do Nascimento, com música sua, os poemas “Elegia da Saudade”, na melodia do Fado Saudade, de Daniel Martins, e “Desenlace”, com música de Pedro Rodrigues, são outros dos temas que Marco de Oliveira vai interpretar nesta digressão.

 

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