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O empresário, dramaturgo e jornalista António de Sousa Bastos (1844-1911) foi “um importante reformador da revista à portuguesa” e “antecipou-se aos grandes produtores nacionais e internacionais” do espetáculo, afirma a autora da sua biografia, Paula Gomes Magalhães.

Investigadora do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Paula Gomes Magalhães é autora da primeira biografia de Sousa Bastos, que é editada pela Imprensa Nacional, na coleção “Biografias do Teatro Português”, coordenada por Maria João Brilhante e Ana Isabel Vasconcelos.

Na nota de abertura do livro, as coordenadoras sublinham que o biografado é “um dos nomes que maior participação e influência teve na dinâmica teatral”, especialmente nos últimos 25 anos do século XIX, realçando o seu contributo como autor dos “volumosos” “Dicionário do Teatro Português”, “Carteira do Artista” e “Recordações do Teatro”, que são hoje obras essenciais para o conhecimento do território teatral nacional.

“Mesmo recheadas de ‘fait-divers’, anedotas e dados imprecisos (que necessitam de verificação)”, a autora considera que estas são “obras incontornáveis para quem investiga a história do teatro em Portugal”.

“Verdadeiro homem de teatro”, como se lhe refere a autora, Sousa Bastos “foi inigualável no seu tempo, consolidando a revista como género de eleição e tornando apetecíveis operetas, ‘vaudevilles’ e peças fantásticas”. Foi “precursor das bem oleadas máquinas teatrais que em breve dominariam os palcos lisboetas” e “antecipou-se aos grandes produtores nacionais e estrangeiros, que deixariam marcas como Luís Galhardo, Lino Ferreira, Paul Derval, Jacques Charles, Charles Cochran e Florenz Ziegfeld”.

Na opinião da investigadora, Sousa Bastos foi “um importante reformador da revista à portuguesa, delineando-lhe os traços a partir dos quais se desenvolveria e se assumiria como um dos mais apreciados géneros de teatro ligeiro nos palcos nacionais, já em pleno século XX”.

Sousa Bastos apresentou espetáculos “recheados de deslumbrantes vedetas, de exércitos corais e de esplendorosas apoteoses, para cujo funcionamento contribuía uma complexa engrenagem de produção e divulgação”.

Todavia, era “avesso à contratação de estrelas”, sendo antes ele que “elevava os seus artistas à mais alta condição dos palcos nacionais”, casos da espanhola Pepa Ruiz ou Palmira Bastos, com quem se casou.

Referindo-se à biografia, Paula Gomes Magalhães afirma que a investigação se centrou nos periódicos da época, nos quais “é possível identificar e quase experienciar a ambiência de tempos passados”, e também nas obras de Sousa Bastos, “onde apresenta um pensamento bastante bem estruturado sobre o meio no qual se movimentava”, mas também “as contribuições” de várias pessoas, nomeadamente a sua neta Ana Maria Bastos ou Celina Bastos, familiar mais distante.

A investigadora do Centro de Estudos de Teatro realça o “extenso caminho” e a “prolífera criação” de um homem que teve uma “carreira tão rica quanto intensa”, com “uma vida plenamente consagrada ao teatro”.

António Sousa Bastos “soube, como nenhum outro, elevar o teatro-entretenimento a um patamar superior, antecipando-se em vários anos à prática de produção que se tornaria frequente apenas a partir da segunda década do século XX, após a implantação da República”, atesta a autora.

 

 

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