Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




raizes_da_expansao_portuguesa.jpg

 

António Borges Coelho, que completa 90 anos este mês, vê reeditada a sua obra “Raízes da Expansão Portuguesa”, publicada pela primeira vez em junho de 1964.

O historiador defende, nesta obra, que a expansão portuguesa, nos séculos XV e XVI, designadamente, a expansão marítima, foi impulsionada pela “alta burguesia marítima agrícola” e não pela nobreza, contrariando a visão dominante da época.

“Quem obriga a sociedade portuguesa a saltar por cima das barreiras marítimas, quem obriga a dar o salto, quem determina a expansão geral dos portugueses e, no caso, a conquista e o comércio com o litoral marroquino, é a alta burguesia marítima agrícola”, escreve o historiador, que se afasta das teses então defendidas que atribuíam esse impulso à nobreza, liderada pelo infante D. Henrique, filho de D.João I.

Em 1964, a obra não colheu o beneplácito do regime político do Estado Novo, que, usando a censura, a sua estrutura de repressão intelectual, a mandou retirar do mercado, “duas semanas ou depois” do lançamento, como conta Borges Coelho, na presente edição.

Recorda Borges Coelho, no mesmo texto, que a publicação da obra pela antiga Prelo Editora, lhe valeu “uma tarde de interrogatório [pela políticia política]com a ameaça de que lhe iriam revogar a liberdade condicional”.

Na opinião dos censores, Borges Coelho “[desvirtuava] algumas das páginas mais brilhantes da nossa História, adulterando sacrilegamente os factos e classificando de ‘abutres’ homens que foram heróis”.

As afirmações citadas são retiradas do “Auto de Declarações”, a 01 de agosto de 1964, que é reproduzido na íntegra na atual edição, com a chancela da Editorial Caminho.

Esta é a sexta edição da obra, em Portugal, mas a sétima, em termos globais, pois, após a proibição original, “saiu em Bruxelas uma nova edição, organizada por estudantes portugueses exilados”, recorda o historiador.

Proibida em Portugal, a obra vendeu-se, no entanto, “por baixo do balcão, editaram-se exemplares copiografados, que circularam na Faculdade de Letras de Lisboa”.

Para António Borges Coelho, “em resumo, a luta entre a burguesia, assinaladamente a sua cabeça agrícola-comercial, e a nobreza feudal, pelo domínio do Estado, com a força impulsionadora dominante e decisiva de uma burguesia estrategicamente na ofensiva, luta entrecortada por alianças e traições, é o verdadeiro motor da história do século XV, pelo menos e no caso da história da expansão”.

Acrescenta o historiador que esta afirmação não ignora “a ação das forças populares, camponeses e mesteirais, ação que fica marcada nos principais movimentos do século”, a quem atribui “a profundidade da revolução de 1383”, outra temática em que apresentou uma nova leitura dos acontecimentos históricos.

Para Borges Coelho, a crise dinástica aberta com a morte do Rei D. Fernando, foi mais do que uma crise social e política, mas uma revolução liderada pelas forças populares e burguesas, que se emanciparam.

“Ao longo do século XV”, escreve o historiador, a burguesia irá “defender a paz com Castela, mas, graças à concorrência no campo económico, diplomático e colonial”, acabará por “impor o avanço pelo oceano, em busca do ouro, escravos, das tintas, das novas bases e de terras virgens sem senhor para assegurar, por fim, o acesso e o domínio das fontes das especiarias orientais”.

Para o historiador, a expansão dos portugueses manteve “este rumo”, em que dominou a “alta burguesia marítima agrícola”, e no reinado de D. Afonso V (1448-1481), a burguesia irá “interessar-se pela hegemonia ou uma posição reforçada numa Península [Ibérica] reunificada sob o cetro da casa real portuguesa”.

António Borges Coelho, nascido em Murça, em Trás-os-Montes e Alto Douro, estreou-se editorialmente, em 1962, com um livro de poesia, “Roseira Verde”, ao qual se seguiu “Raízes da Expansão Portuguesa” (1964), tendo-se sucedido ensaios historiográficos, obras de poesia, teatro, romance e biografias.

Tem em curso a publicação de uma História de Portugal, atualmente com seis volumes.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Bem-vindo


Parcerias


Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Visitas

Flag Counter