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Fernando Pessoa tinha projetos de edição e publicação que mostram um autor “distante” da figura que se recolhe no anonimato, afirmam Pedro Sepúlveda e Jorge Uribe, autores da obra “O Planeamento Editorial de Fernando Pessoa”.

“Fernando Pessoa concebeu inúmeros projetos editoriais, através dos quais não só projetava a sua obra para futura publicação como lhe conferia sentido de conjunto que sem estes não possuiria”, escrevem os dois investigadores na introdução da obra, publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM).
Para Sepúlveda e Uribe, “esta afirmação surpreende leitores que julgam Pessoa a figura do poeta que se recolhe no anonimato e opta por não publicar a sua obra”.
“Nada poderia estar mais distante de um autor para quem o planeamento editorial e a consequente projeção da obra numa série de volumes a publicar, que implicava sempre uma revisão do seu desenho de conjunto, eram uma obsessão permanente”, atestam os autores, cita o Notícias ao Minuto.
O poeta, paralelamente ao ofício da escrita em prosa ou poesia, “agrupava projetos de edição e publicação em inúmeras listas" que são apresentadas nesta obra, num estilo de “antologia comentada”, esclarecem.
“A presente antologia reúne, aproximando-as de uma data de elaboração, todas as listas de projetos editoriais que lhe foi possível recolher no espólio do poeta com referência às obras atribuídas [aos heterónimos] Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e António Mora, assim como ao ‘Livro do Desassossego’”, escrevem os investigadores.
“A elaboração de projetos editoriais acontece também com frequência na correspondência com poetas e críticos (a partir de 1928 principalmente na troca de cartas com os críticos da Presença, na década de 1910 com os poetas Mário de Sá-Carneiro ou Armando Côrtes-Rodrigues)”, acrescentam.
Segundo os investigadores, nestas missivas há um “forte desejo de Pessoa de publicar a sua obra, assim como a minúcia na elaboração destes projetos” que eram apoiados pelos seus interlocutores.

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Fernando Pessoa (1888-1935) “persegue desde muito cedo ideias variadas de publicação da obra enquanto série de livros ou volumes, distinguindo este suporte claramente de publicações ocasionais em jornais e revistas e até da publicação dos ‘Poemas Ingleses’, que designa por ‘folhetos’”.

Segundo os autores, “estas ideias são permanentemente adiadas, mas condicionam e determinam a escrita de cada obra”.
“Decisiva”, segundo os autores, foi a “ideia de adaptar o ‘Livro do Desassossego’ à psicologia de Bernardo Soares, figura autoral tardia e que substitui as anteriormente equacionadas autorias de Fernando Pessoa e Vicente Guedes, implicando para o poeta uma revisão geral do estilo e uma reorganização do livro”.
“Igualmente marcante é o desenvolvimento do ‘corpus’ da poesia de [Álvaro de] Campos, a cujo livro de poemas projetado na década de 1910, ‘Arco do Triunfo’ se associa na década de 1930 outro título, ‘Acessório’, substancialmente distinta da obra atribuída a um mesmo nome de autor”.
Os dois investigadores referem outros casos como a “competição” entre António Mora e Ricardo Reis “pelo lugar de comentador, editor e prefaciador da obra de Alberto Caeiro”, o que “modifica o âmbito potencial da obra”, que tem o “lugar no centro” da criação literária de Pessoa.
A obra “O Planeamento Editorial de Fernando Pessoa”, que conta com a colaboração de Pablo Javier Péres López, uma das primeiras editadas pela INCM este ano, divide as listas de projetos editoriais de Pessoa em quatro períodos: de 1913 a 1915; de 1916 a 1918; de 1919 a 1927; e de 1928 a 1935, e inclui ainda uma introdução de cerca de 50 páginas, uma lista de bibliografia e os índices cronológico, topográfico e onomásticos das respetivas listas.

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