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Fernando Lopes-Graça (1906-1994) “sempre assumiu uma posição inequívoca e empenhada em defesa da modernidade musical”, afirma o musicólogo Mário Vieira de Carvalho, numa obra sobre o compositor tomarense.

A obra “Lopes-Graça e a Modernidade Musical”, editada pela Guerra & Paz, reúne quatro ensaios, três deles já publicados, mas que estavam dispersos, e um quarto sobre “modernidade e contingência”, justificado por Vieira de Carvalho por ter “especial pertinência”.

Os três ensaios são “Entre a autonomia da arte e a militância política: uma abordagem dialética”, “Política da identidade e contra-hegemonia” e “Buscar a identidade na alteridade sobre o conceito de ‘povo’ na música tradicional”, nos quais Mário Vieira de Carvalho revisita o pensamento e a obra de Lopes-Graça.

O quarto ensaio intitula-se “Modernidade e contingência”, no qual o autor se propõe “identificar, na história e na atualidade, dimensões da experiência da contingência em que a música se faz eco de questões relevantes para a sociedade e a cidadania, ao mesmo tempo que projeta nela, não raro como um efeito crítico, pedagógico e transformador”.

Sobre o compositor, autor do Requiem pelas Vítimas do Fascismo em Portugal (1979), Vieira de Carvalho afirma que o que lhe servia “como material para construir a ‘identidade nacional’ manifestava-se, paradoxalmente, como alteridade radical. A ideia de ‘nacional’ e as suas manifestações na cultura de massas eram denegadas pela diferença ‘local’”.

O musicólogo adverte que, apesar de militante do Partido Comunista Português, “ao contrário do que se lê usualmente a este respeito”, quanto ao folclore e ao conceito de música nacional, a posição de Lopes-Graça “nada tem a ver com a doutrina estética do realismo socialista ou neorrealismo”, pois o compositor “afasta-se do neorrealismo tanto quanto converge com [o filósofo e compositor Theodor W.] Adorno e se aproxima [do compositor Béla] Bartók”.

Mário Vieira de Carvalho, que foi secretário de Estado da Cultura de 2005 a 2008, é catedrático jubilado da faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e investigador do Centro de estudos de Sociologia e Estética Musical, de que foi um dos fundadores, em 1997.

Autor de variada obra ensaística nas áreas da música portuguesa, música contemporânea, ópera e sobre as relações da música coma literatura e apolítica, Mário Vieira de Carvalho, de 74 anos, é sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, e faz parte da direção da Academia Europeia de Teatro Lírico, com sede em Viena.

Fernando Lopes-Graça iniciou-se como músico, acompanhando ao piano várias películas no Cine Paraíso, em tomar. Segundo O Museu da Música Portuguesa (MMP) “deixou uma obra musical extensíssima a par de uma importante obra literária que nos dá testemunho da sua grande formação humanista e da sua intensa atividade cultural e política”.

Lopes-Graça estudou no Conservatório de Música de Lisboa, com Vianna da Motta, Tomás Borba e Luís de Freitas Branco, tendo concluído o Curso de Composição, em 1941. Por motivos políticos foi impedido de lecionar em instituições públicas e, mais tarde, no ensino privado. Também não pôde usufruir de uma bolsa que ganhou para estudar no estrangeiro.

Após a sua prisão, por motivos políticos em Caxias, em 1936, Lopes-Graça viveu em Paris de 1937 a 1939, onde estudou composição, com Charles Koechlin, e musicologia, na Sorbonne, com Paul-Marie Masson.

Datam desta altura as suas primeiras harmonizações de canções populares portuguesas e a composição “La fièvre du temps”, uma encomenda da Maison de La Culture, de França.

Em 1942, fundou a Sociedade de Concertos Sonata, que dirigiu até 1961, dedicada à divulgação de música contemporânea.

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