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Helena Sarmento considera que o seu novo álbum, “Lonjura”, que sai esta semana, resultou “muito coeso”, com “palavras e melodias muito novas” e de uma forma “intuitiva”.

Em “Lonjura”, álbum que dedica ao escritor Joaquim Sarmento, seu pai, Helena Sarmento volta a interpretar poemas de João Gigante-Ferreira, composições de Samuel Cabral, recria temas dos repertórios de Amália Rodrigues e José Afonso, revisita o cancioneiro tradicional português, bem como “O Bêbedo e a Equilibrista”, uma criação de Elis Regina.

O disco é constituído por 11 temas, abrindo com “Fado em Branco”, de João Gigante-Ferreira e música de Gigante-Ferreira e Samuel Cabral, inclui um poema de Joaquim Sarmento, que dá título ao álbum, interpretado na melodia tradicional do Fado Menor do Porto, muito do agrado do poeta, que costumava cantar esta composição de João Black, e fecha com “O Bêbedo e a Equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco.

Em declarações à agência Lusa, cita o DN, Helena Sarmento, que continua a dividir-se entre o fado e advocacia, afirmou que este CD expressa “mais confiança” na interpretação e, pela primeira vez, grava com viola baixo. Nos anteriores discos, “Fado Azul” (2011) e “Fado dos dias assim” (2013), gravou com contrabaixo e violoncelo, respetivamente.

Neste disco, a fadista é acompanhada pelos músicos Samuel Cabral, na guitarra portuguesa, André Teixeira, na viola, Sérgio Marques, na viola baixo, e, em “Fado Não-Valentim”, uma letra de Gigante-Ferreira para a música do tema “Valentim”, do cancioneiro popular, conta com a participação de José Lourenço, no bombo.

“A minha vida no fado é de facto um ‘fado em branco’”, disse a intérprete que apontou “Lonjura” como o seu melhor álbum até à data, afirmando que cada vez se sente “melhor como fadista”, carreira pela qual optaria, apesar de gostar da advocacia.

Referindo-se à sua carreira como fadista, Helena Sarmento afirmou que a tem sedimentado, “feito camada a camada”.

“O que tenho construído está de facto construído, por onde vou passando vou criando público e há pessoas que gostam de me ouvir cantar e passam a acompanhar a minha carreira”, disse a criadora de “Fado Aritmético”, que acrescentou que tem “a convicção” de quem tem público, “mesmo que não possa encher o pavilhão Altice Arena, mas certamente [consegue] num teatro como o S. Luiz [em Lisboa]”.

Helena Sarmento salientou a importância da divulgação dos artistas de fado e dos seus trabalhos, como forma que criar condições “para as pessoas se predisporem a ouvir, que é o mais difícil em Portugal: as pessoas predisporem-se a ouvir”.

A fadista questionou o “facto de o fado estar na moda ser assim tão favorável”, dada a dispersão de projetos, alguns até muito descontextualizados do fado, mas que usam o “fado” como marca registada.

Do repertório de Amália Rodrigues, fadista que é para si uma referência, Helena Sarmento gravou “Fado Carioca (Fado Xuxu)”, de Amadeu do Vale e Frederico Valério, do de José Afonso “Era Um Redondo Vocábulo”, e quanto a inéditos, incluiu ainda “Contigo Por Lisboa” (Gigante Ferreira/André Teixeira), “Fado Depois da Tempestade” (Gigante-Ferreira/Samuel Cabral), “Fado Azul (se azul se atreve)”, de Gigante-Ferreira, que interpreta no Fado Vianinha, de Francisco Viana e “Noite de Inverno”, do mesmo autor, mas que gravou no Fado Mocita dos Caracóis, de Alfredo Marceneiro.

O escritor Fernando Dacosta, num texto que acompanha a edição discográfica, realça o facto de Helena Sarmento, “discreta”, ter encetado “a sua afirmação fora das correntes dominantes, norteada por uma exigência [e] uma lucidez inamovíveis”.

’Lonjura’ fica-nos, pela carga da sua atmosfera, planície de irrecusável modernidade”, remata Dacosta.

Referindo-se ao seu projeto fadista, Helena Sarmento afirmou a intenção de “desassossegar pelas palavras”, tarefa na qual é seu cúmplice o poeta João Gigante-Ferreira.

O álbum será apresentado, oficialmente, no dia 15 de maio, no Museu do Fado, em Lisboa.

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