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A exposição histórico-documental patente na Torre do Tombo, em Lisboa, aborda o cativeiro como uma realidade comum às sociedades cristãs e muçulmanas, fruto dos conflitos bélicos e dos ataques de piratas e corsários, até ao século XIX.

A exposição intitula-se "Entre a Cruz e o Crescente: O Resgate dos Cativos", e evoca os 800 anos da fundação do Convento da Trindade, em Lisboa, e estará patente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), na Cidade Universitária, até ao próximo dia 07 de julho.

A mostra, que apresenta alguns documentos pela primeira vez ao público, visa contar a história do convento lisboeta e a ação dos seus religiosos, os frades trinitários, no resgate dos cativos portugueses nas cidades de Marrocos e da Argélia.

Na Torre do Tombo estão patentes cartas régias, regimentos, salvo-condutos, passaportes, listas de cativos, códigos secretos, a história do Convento da Trindade e a ação dos seus religiosos, no resgate dos cativos portugueses no Norte de África, assim como presentes oferecidos pelos "padres redentores" aos governadores de Argel e de Marrocos, designadamente peças em cerâmica, faiança e copos de vidro, datadas do século XVIII, provenientes de várias intervenções arqueológicas em Lisboa.

Entre os documentos exibidos, é possível observar a planta da adaptação do Convento da Trindade para instalação do Tribunal da Prefeitura da Província da Estremadura (século XIX), uma lista dos cativos resgatados do cativeiro de Mequinez, de 1729, a carta de Filipe II a frei António da Cruz, com a cifra a utilizar na correspondência, datada de 1610.

O testamento de D. João II, no qual estipula uma verba para resgate de cativos portugueses, datado de 1495, ou uma carta do sultão de Marrocos Muley Ahmed a D. João V, a propósito das negociações relacionadas com o resgate de cativos, são outros documentos mostrados.

A Ordem da Santíssima Trindade para a Redenção de Cativos foi confirmada pela bula "Operantie Divinae" de Inocêncio III, de 1198, fundada por João da Mata e Félix de Valois, tendo como finalidade o resgate dos cristãos que ficavam em mãos muçulmanas.

Os primeiros trinitários estiveram em Portugal em 1207, acompanhando os cruzados que seguiam para a Terra Santa, tendo-os convidado D. Sancho I a fundar um convento em Santarém, "poucos anos depois, em 1218, seria edificado o convento de Lisboa, o da Trindade, que se tornou, em Portugal, na principal casa da ordem na organização dos resgates de cativos", explicou a comissária científica da exposição, Edite Martins Alberto.

"Apenas com o interregno de oitenta anos, durante os quais os resgates dependeram do Tribunal da Redenção dos Cativos, criado por D. Afonso V, foram sempre os frades trinitários que tiveram a seu cargo a organização dos resgates gerais nas cidades norte-africanas de Salé, Meknès, Tetuão e Argel", situação que só terminou com a assinatura dos tratados de paz com Marrocos, em 1774, e com Argel, nos primeiros anos do século XIX. O último resgate de cativos portugueses de Argel ocorreu em 1812, segundo Edite Martins Alberto, cita o DN.

Os resgates gerais de cativos foram sempre numerosos entre portugueses, com especial incidência a partir de 1415, com a conquista de Ceuta e a aventura norte-africana, em que se destaca o infante D. Fernando, filho de D. João I, que ficou cativo na batalha de Tânger e se tornou "modelo para os que sofriam o cativeiro, passando a ser designado Infante Santo", e foi beatificado pela Igreja Católica.

Um dos documentos que fazem parte da exposição é a "Carta do Infante D. Fernando ao irmão, Infante D. Pedro, escrita enquanto cativo em Fez", em junho de 1441.

"Na história de Portugal, pelo seu elevado impacto económico e social, o assunto do cativeiro é indissociável da batalha de Alcácer Quibir [1580], na qual milhares de cristãos ficaram cativos, e nos anos imediatos ao desastre militar, os religiosos trinitários procederam aos resgates, percorrendo várias cidades no norte de África, como o testemunha a documentação e as crónicas da Ordem da Santíssima Trindade".

No âmbito desta exposição está previsto um programa de conferências, "a divulgar brevemente", segundo nota do ANTT, e a realização de um colóquio internacional sobre o impacto da batalha de Alcácer Quibir nas sociedades portuguesa e europeia.

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