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A investigadora Isabel Raposo Magalhães, do Museu Nacional dos Coches, defendeu o investimento em políticas de preservação e mitigação de riscos, pelas instituições patrimoniais, e maior coordenação com a Proteção Civil.

Isabel Raposo Magalhães falava em Lisboa, no simpósio “Risco e Património em Portugal”, uma iniciativa do projeto europeu Storm, para a salvaguarda do património cultural, através de recursos técnicos e de gestão (Safeguarding Cultural Heritage through Technical and Organisational Resources Management), no âmbito do Ano Europeu do Património.

“As instituições patrimoniais têm de investir em políticas de preservação e mitigação. É fundamental a partilha de informação e de conhecimentos, mas também a formação e o treino de profissionais e voluntários para as tarefas de prevenção, resposta e recuperação do Património face a desastres e catástrofes”, argumentou Isabel Raposo Magalhães, que faz parte do International Centre for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property (ICCROM).

O universo dos museus e palácios nacionais foram adotando esses instrumentos, mas a situação está longe de ser uma realidade para a maioria dos museus e monumentos sob a tutela de autarquias, Igreja ou Misericórdias, destacou.

Por outro lado, falta ainda uma maior coordenação com os serviços de Proteção Civil. E, sobretudo, o passar dos estudos, diagnósticos e regulamentos para a concretização “no terreno”.

A responsável lembrou o decreto-lei 220/2008, que estabelece o regime jurídico da segurança contra incêndios em edifícios, e referiu a recente resolução do Conselho de Ministros, n.º 13/2018, que estabelece iniciativas de divulgação, verificação e cumprimento desse regime de segurança, demonstrando "uma vontade de agir”, mas, salientou, “a situação está longe de ser uma realidade para a maioria dos museus e monumentos, sob a tutela de autarquias, Igreja ou misericórdias”

“Falta ainda uma maior coordenação com os serviços de Proteção Civil e, sobretudo, o passar dos estudos, diagnósticos e regulamentos para a concretização ‘no terreno’”, acrescentou.

Isabel Raposo Magalhães que propôs preparar uma candidatura à realização em Portugal do Curso “First Aid in Time of Crisis”, do ICCROM, no próximo ano, e que “seria um passo essencial para a formação e capacitação nesta área”, alertou: “Vivemos numa época extremamente interessante: enormes potencialidades, mas tremendos desafios”.

“Vivemos num mundo perigoso. Onde temos de nos preparar para estes novos riscos. Sem esquecer que há que ultrapassar vulnerabilidades e envolvimentos potencialmente problemáticos”, nomeadamente a “destruição intencional e mediática de testemunhos de memória e de história, numa escalada de terrorismo que alastrou às cidades europeias, ameaçando monumentos e museus e obrigando por vezes ao seu encerramento”.

A investigadora chamou também à atenção para outras ameaças, nomeadamente o facto de vivermos “numa sociedade cada vez mais urbanizada”, com uma “crescente poluição, a explosão descontrolada do turismo, [e] uma ameaça ao equilíbrio sustentável dos centros históricos, a todos os níveis”.

Se Veneza, no nordeste de Itália, é “o paradigma de uma cidade em estado de rutura”, a “questão está bem presente em Barcelona e começa a colocar-se em Lisboa, Porto e Sintra”, facto que se reflete também “na pressão imobiliária: a demolição e a política do ‘fachadismo’ tem levado à destruição do ‘recheio’ de muitos imóveis históricos: escadarias, painéis de azulejos, frescos e pinturas decorativas, estuques e ‘boiseries’”.

“Todo um património integrado irremediavelmente perdido”, lamentou a investigadora que, quanto à “explosão do turismo”, disse que “trouxe multidões aos museus, por vezes dificilmente controláveis”, e que “fez também multiplicar os acidentes”. E citou o sucedido em novembro de 2016, quando, por acidente, um turista derrubou a escultura São Miguel Arcanjo, “no nosso museu de Arte Antiga”, e também “o vandalismo nos monumentos”.

Todavia, defendeu a entrada dos “jovens que saem das universidades”, tanto mais que “provavelmente um dos maiores riscos para o nosso Património Cultural seja o angustiante envelhecimento e a absurda rarefação de técnicos especializados nas nossas instituições: conservadores, restauradores, arqueólogos, historiadores, etc.”.

No plano nacional, e num simpósio sobre prevenção de riscos para o património, a investigadora alertou para a localização da Biblioteca Nacional, em Lisboa, “no eixo de aproximação ao aeroporto”.

“Com o exponencial aumento de tráfego aéreo, por uma questão de segurança, talvez se devesse guardar uma cópia dos microfilmes do seu acervo noutro local”, disse.

A encerrar a sua comunicação, Isabel Raposo Magalhães afirmou: “O politicamente correto que parece querer dominar a sociedade neste momento leva a situações complexas”.

“Do processo de devolução de obras de arte roubadas durante a guerra, a França parece querer evoluir para a devolução aos locais de origem, como no caso de obras de arte africana do Museu Branly [em Paris]". "Também o [Museu] Victoria & Albert [em Londres] começa a falar disso”.

“Esta é uma questão sempre polémica - basta lembrar os mármores do Pártenon [em Atenas] -, mas, que pode ser um sério fator de risco. Imaginem se o Metropolitan [em Nova Iorque] e o British Museum [em Londres] tivessem devolvido [os] magníficos testemunhos das civilizações persa, assíria, babilónica!!”, declarou, numa alusão aos conflitos no Médio Oriente e à situação no Iraque e na Síria, em particular.

Especialistas reuniram-se em Lisboa para debater estratégias de prevenção de riscos para o património, face a alterações climatéricas e catástrofes, na procura de uma gestão integrada, com soluções criativas, economicamente sustentável.

A diretora-geral do Património Cultural, Paula Araújo da Silva, disse, na ocasião, que a prevenção de riscos na área do património edificado e móvel é de “inquestionável centralidade”, e referiu a crescente importância económica, dada a acentuada procura destes espaços, pelos turistas.

A responsável alertou para a necessidade de se estar atento às alterações climáticas que colocam em perigo os bens culturais, defendendo uma cultura de prevenção, que exige “uma gestão adequada, soluções criativas, e economicamente sustentável”.

Paula Silva disse que 2018, quando se celebra o Ano Europeu do Património Cultural, no âmbito do qual esta foi uma das primeiras iniciativas, representa "um ponto de viragem” nesta área.

Na sessão participou também José Oliveira, da Autoridade Nacional de Proteção Civil, que realçou algumas das características dos espaços monumentais que há que ter em conta, nomeadamente, a sua idade, não terem estruturas anti-sismícas, os seus acessos estreitos, ou construções mais vulneráveis, mas realçou a lei de bases da Proteção Civil, que, no seu artigo 4.º, refere a importância de salvagurada dos monumentos e bens culturais.

O colóquio reuniu no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, um painel transversal de especialistas, do restauro à proteção civil,  no âmbito do projeto europeu Storm, para a salvaguarda do património cultural, através de recursos técnicos e de gestão (Safeguarding Cultural Heritage through Technical and Organisational Resources Management).

No âmbito do Storm, um dos projetos piloto é o complexo arqueológico de Troia, em Grândola, sobre o qual falou hoje a sua responsável, a arqueóloga Inês Vaz Pinto, que identificou diferentes fatores de risco, neste complexo que se situa ao longo de dois quilómetros de costa entre o estuário o rio Sado e o oceano Atlântico.

A erosão costeira, a vegetação, os insetos, as dunas são alguns desses fatores que enfrenta o complexo, assim como a chuva forte e o avanço do nível do mar.

Portugal, com Troia, participa neste projeto europeu, ao lado de países como Espanha, Itália, Grécia e Turquia, cuja missão é elaborar uma plataforma de hierarquização dos riscos para o património, que possa ser “o mais alargada possível”.

Esta plataforma visa avaliar o risco, a exposição do sítio, monumento ou museu e a sua vulnerabilidade.

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Paulo Bragança afirma-se cativo de si próprio, do seu corpo e espaço, e daí o título do EP, “Cativo”, que marcou o seu regresso às lides musicais, assumindo-se como um intérprete mais amadurecido.

“Todos nós estamos cativos dentro deste corpo e desta alma, e deste espaço que nos encerra, e libertar o cativo é libertar aquilo que nós temos de mais íntimo”, disse o músico em entrevista à agência Lusa.

“Eu sou cativo de mim próprio, estou muito virado para dentro, mas é uma característica comum à humanidade. Em todos nós há um cativo, e até costumo dizer, ‘libertem o cativo que há dentro de nós’”, afirmou o fadista, cita o DN.

O Extended Play (EP) “Cativo” põe fim a um interregno de mais de uma década de gravações, e é o “prefácio ao próximo disco”, revelando "um maior amadurecimento das interpretações", disse.

Por outro lado, “é a sede em querer gravar e mostrar que estou a trabalhar, fazer coisas, [que] estou vivo”, disse Paulo Bragança, de 46 anos, natural de Luanda, que declarou que “não é fadista quem quer”.

“O fadista por excelência, e por condição, só partilha aquilo que é. O fadista não pode ser fabricado. Se for fabricado, não é autêntico, não é verdadeiro. Não há fábrica de fadistas. O fadista inventou-se a ele próprio”, disse Paulo Bragança.

“Cativo” é constituído por sete temas, um deles inédito, um cantado em gaélico e três gravados ao vivo, no festival Caixa Alfama, em setembro passado, e antecipa o próximo disco que se intitulará “Idílio”, e que deve sair no verão.

Os três primeiros temas – “Rosa da Noite” (José Carlos Ary dos Santos/Joaquim Luís Gomes), “Biografia do Fado” (Frederico de Brito) e o inédito “Peregrino” (Carlos Maria Trindade/Paulo Bragança) – são “uma espécie de autobiografia” do fadista.

O CD inclui ainda novas versões, gravadas no Caixa Alfama, de “Remar, Remar”, do repertório dos Xutos & Pontapés, “Soldado” (Francisco José Resende) e “Mistérios do Fado” (João Monge/Manuel Paulo), temas que Paulo Bragança afirma que “não são do repertório do fado, mas quem o canta é fadista e além do mais, está lá tudo nas suas letras sobre o fado". Por isso, "podiam ser fados”, garante.

O sétimo tema é do cancioneiro tradicional da Irlanda, país onde Paulo Bragança viveu, quando saiu de Portugal e se afastou das lides musicais. O tema intitula-se "Caoineadh Na Dtrí Mhuíre”, que significa “Lamento”, e retrata a descida de Cristo da Cruz, ajudado pelas mulheres. “Ouvi este tema numa missa de Sexta-Feira da Paixão, em Dublin, e achei que estava ali o fado inteiro”, afirmou.

Em declarações à agência Lusa, o fadista disse que fazia questão de a parte celta estar presente neste EP. "Vivi lá [na Irlanda] muito tempo, e não podia deixar de trazer aquele fado que eles têm”. Paulo Bragança recorda a herança celta que se encontra em Trás-os-Montes e na Beira Baixa. Neste tema Paulo Bragança é acompanhado pelo grupo de oito adufeiras, Adufe & Alguidar.

No CD Paulo Bragança conta com a participação de Sandro Costa e Bruno Mira, na guitarra portuguesa, Tiago Silva, na viola, André Santos, na guitarra clássica, Jorge Carreiro, no contrabaixo, Carlos Maria Trindade, nas teclas, entre outros músicos como Alexandre Tavares, e Julyo D'Agostino.

Paulo Bragança, que foi apontado na década de 1990 como "inovador" e "rebelde", e que chamou à atenção de músicos como David Byrne, com quem gravou, questionado sobre a cena muiscal fadista, afirmou: “Há muita gente, até com qualidade, mas ressalvo que os músicos, guitarristas, têm muito talento, têm muito afinco e trabalham com paixão”.

Todavia, o músico considera que os projetos musicais na área do fado “não têm nada de novo, é muito ‘déjà vu’, não há nada que a Amália Rodrigues não tivesse alguma vez feito”.

Paulo Bragança afirmou que pode ser arrogância sua, mas considera que os artistas estão “um bocadinho perdidos e há um deslumbramento".

"Devia haver mais seriedade estética no que se faz, e obedecer àquilo que se é. No panorama atual, apesar de haver muita gente, acho que há um deslumbramento, e não é de ir por aí. Acho que deviam procurar ser mais genuínos, mas eu não sou dono de verdade nenhuma”.

O criador de "Fado Mudado" defendeu que, em termos de composição musical, “há uma linha, e que muitas vezes o menos é mais”.

“Atualmente faz-se um 'guisado' com tudo, peixe, batatas, massa, arroz” e, sublinhou, “não é pelo facto de se colocar um acordeão, uns ferrinhos, umas vozes, ou algo mais pop, que se muda, ou se torna novo ou contemporâneo, mas sim pelo que é verdade, pois fala por si”.

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