Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O "Encontro" de Amália com Don Byas

por FMSimoes, em 23.02.19

ARDB.jpg

O execional álbum “Encontro”, gravado há 50 anos, por Amália Rodrigues e o saxofonista-tenor Don Byas, remasterizado, foi reeditado pela Valentim de Carvalho. “O álbum, sobre o qual Amália se referiu como um dos seus melhores discos, há muito estava esgotado no mercado, foi gravado numa tarde, há 50 anos, e faz parte  da Integral, surgiu na sequência das sessões de ‘Fados’67’ e as sessões com o conjunto de guitarras de Raul Nery”, disse Frederico Santiago, coordenador da Integral da fadista, citam os media.

“Este foi um dos primeiros álbuns de fusão de músicas diferentes”, sublinhou Santiago, que acrescenta: “A grande estrela ali, é claro que é a Amália, até porque o Don Byas, inteligente como era, percebeu que o lugar dele, isto é, a maneira como faria aquilo mais certeiro, era ser um quinto acompanhador, até porque muitas daquelas músicas conheceu-as naquela tarde, mas há ali uns solos do Don Byas que soam lindamente”, disse.

Frederico Santiago considera que nesta gravação “Amália a cantar como poucas vezes, talvez quisesse impressionar o Don Byas, que era um músico de uma outra área, [do jazz], e ainda se entregou mais do que era normal”“Este é um ‘encontro’ de dois músicos”, sublinhou.

O álbum foi gravado nos estúdios da Valentim de Carvalho em Paço de Arcos, por Hugo Ribeiro, e além de Amália Rodrigues (1920-1999) e Don Byas (1912-1972) participam os músicos Raul Nery e Fontes Rocha, na guitarra portuguesa, Júlio Gomes, na viola, e Joel Pina, na viola-baixo. A remasterização esteve a cargo de Nelson Carvalho, contando esta edição com um texto de Luiz Villas-Boas, que fazia parte da edição original em LP, e ainda textos de Frederico Santiago, e um de contextualização de João Moreira dos Santos.

Moreira dos Santos dá conta da indecisão em editar o disco, pelo facto de incluir saxofone, tendo pesado a opinião dos guitarristas que terão dito: “ai, Amália, é um crime não deixar editar este disco. Vão fazer troça, é mais uma crítica, mais uma coisa… Não se importe, está tão bem cantado. Você nunca mais canta melhor do que isto, do que isto que cantou aqui”. Amália, por seu turno, afirmou anos tarde: “E pronto, depois saiu e realmente é um dos grandes discos que eu tenho”.

Segundo Moreira dos Santos, “a comercialização do álbum veio dar razão a Amália, pois apesar de ser, assumidamente, um dos seus prediletos e de ter sido recebido favoravelmente pela imprensa, parece não ter agradado nem a gregos nem a troianos. De facto, se os fãs do fado não compreenderam bem a participação de Don Byas, os amadores de jazz lamentaram a falta de tempo que o saxofonista teve para ensaiar”.

Para este ano, Frederico Santiago projeta editar o álbum “Com que Voz”, gravado também há 50 anos, que vai incluir “coisas novas que foram encontradas, entretanto”, nomeadamente o inédito “Fui à Fonte Lavar os Cabelos”, de poema do trovador João Soares Coelho adaptado por Natália Correia, musicado por Alain Oulman, assim como as versões completas “Da Torre Mais Alta” e “Amêndoa Amarga”, ambos de José Ary dos Santos e Oulman. “Numa das estrofes que foram cortadas do poema ‘Da Torre Mais Alta’, curiosamente está o verso ‘até que a voz me doa’”, referiu Santiago.

Na calha, sem datas afinadas está o CD “Amália em Paris”, que reunirá várias gravações ao vivo da fadista para a rádio francesa, assim como dois concertos no Olympia, em 1967 e em 1985, assim como uma nova edição do álbum “Cantigas Numa Língua Antiga”, adiantou Frederico Santiago.

O responsável previa terminar em 2020, quando se completam cem anos sobre o nascimento de Amália Rodrigues, a Integral da sua discografia, o que, atualmente lhe parece “que não vai estar tudo e vamos estar a meio da edição Integral”.

“Quando começámos em 2014, era previsto [terminar em 2010], mas apareceram tantas coisas que não se estava à espera, que eu acho que se calhar não vai estar tudo, mas pelo menos vamos estar a meio de uma edição Integral, e com a certeza que ela vai acontecer”, justificou.

“A estruturação da edição da Integral está feita, há essa certeza, e se não for em 2020, será em 2022, que terminaremos”, acrescentou, referindo que as reedições das gravações da fadistas e edição de inéditos, tem “corrigido muitos erros, alguns até por simpatia, quer de autorias, quer de acompanhadores”.

Referindo-se ao CD “Encontro”, Frederico Santiago realçou: “mais do que alcançar uma perfeita fusão entre dois mundos, [este álbum] realça de forma exemplar a universalidade absoluta de Amália enquanto intérprete vocal”.

O álbum é constituído por doze temas, todos grandes êxitos do repertório amaliano, “Povo que Lavas no Rio”, “Solidão”, “Estranha Forma de Vida”, “Libertação”, “Cansaço”, “Rua do Capelão”, “Ai Mouraria”, “Não É Desgraça Ser Pobre”, “Coimbra”, “Lisboa Antiga”, “Há Festa na Mouraria” e “Maldição”.

Autoria e outros dados (tags, etc)

NC.jpg

O teatro completo de Natália Correia vai ser editado este ano na coleção “Biblioteca de Autores Portugueses”, numa parceria entre a Imprensa Nacional e a editora independente Ponto de Fuga, numa edição em dois volumes, de acordo com o plano editorial da IN para 2019.

Na obra literária de Natália Correia, na área do teatro, destacam-se "Auto do Solstício do Inverno", "O homúnculo", "A pécora" e "O Encoberto", peças anteriores a 1974, sacrificadas pela censura, antes da revolução de 25 de Abril, além de "Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente", datada já de 1981.

Na bibliografia da escritora aparecem igualmente outros textos adaptados a cena, como "Memórias de Uma Tia Tonta", "Sucubina ou a Teoria do Chapéu" e "Dois Reis e Um Sono: Há Grande Complicação na Corte do Mandrião", teatro infantil feito em colaboração com Manuel de Lima, "D. João e Julieta" e o poema dramático "O Progresso de Édipo".

Natália Correia, que trabalhou com companhias como a antiga Casa da Comédia e o Teatro Experimental de Cascais, traduziu igualmente para palco peças como "Fuenteovejuna", de Lope de Vega, "O Vento nas Ramas do Sassafraz", de René de Obaldia, "Os Persas", de Ésquilo, e "Platonov", de Anton Tchekov.

Além de títulos da insígne autora açoriana, a IN, na área do teatro, prevê ainda a edição de duas obras sobre duas históricas salas portuguesas de espetáculo: “125 anos do Teatro S. Luiz”, numa parceria com a Câmara de Lisboa, através EGEAC, e “A Casa de Garrett. Património e arquitetura do Teatro Nacional D. Maria II”, numa parceria com o Teatro Nacional.

Na “Edição Crítica de Almeida Garrett”, agora coordenada pela catedrática Helena Santana, após a morte de Ofélia Paiva Monteiro, serão ainda editados os títulos “Filipa de Vilhena” e “A sobrinha do Marquês”, reunidos num mesmo volume.

Na Obra Completa de Manuel Teixeira-Gomes, que será retomada pela IN, agora sob coordenação de Nuno Júdice e José Alberto Quaresma, será também reeditada “Sabina Freire”, a peça que o escritor, antigo diplomata e Presidente da República (1923-1925) escreveu em 1905.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Pág. 1/8



Bem-vindo


Parcerias


Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Visitas

Flag Counter