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Quadro Nº Srª da Misericordia, Gregório Lopes.

Nossa Senhora da Misericórdia, de Gregório Lopes

 

Uma tela dos Museus do Vaticano faz parte da exposição “Um Compromisso para o Futuro”, a inaugurar este mês, na galeria de exposições temporárias da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), em S. Roque, ao Bairro Alto, em Lisboa.

A exposição, comissariada pelo catedrático da Universidade de Lisboa Henrique Leitão, Prémio Pessoa 2014, celebra o quinto centenário da primeira edição impressa do “Compromisso da Confraria de Misericórdia”, e a sua atualidade, uma vez que o documento “regulamenta a organização, as atividades e as funções da Confraria da Misericórdia e, ao mesmo tempo, anuncia, em letra impressa, o imperativo moral da realização das ‘Obras de Misericórdia’ e do socorro material e espiritual aos mais necessitados, ou seja, aquele que seria o ideal e a prática das Misericórdias ao longo dos séculos, até aos dias de hoje”, lê-se no comunicado da SCML.
Da exposição fazem parte, entre outras peças, um exemplar da primeira edição impressa do Compromisso, datada de 1516, e duas pinturas quatrocentistas “nunca antes exibidas em Portugal”, “Opere di Misericordia: Seppelire i morti”, de Olivuccio de Ciccarello, pertencente aos Museus do Vaticano, e “Virgen de la Misericordia”, atribuída a um pintor anónimo referenciado como “Maestro de Teruel”, e que faz parte do espólio do Museu de Arte Sacra de Teruel, na região autónoma espanhola de Aragão.
A “Opere di Misericordia: Seppelire i morti”, de Ciccarello, tem origem num conjunto de seis tábuas representativas das “Obras de Misericórdia”, executadas em 1404 para a Igreja de Santa Maria da Misericórdia, em Ancona, na Itália, destruída durante a II Guerra Mundial, num bombardeamento.
“Este pintor foi considerado um artista de primeiro plano da escola de Ancona, ativa entre os séculos XIV e XV, num contexto tardo-gótico. Aliás, esta situação, está bem retratada, quando na comissão para executar os frescos da Santa Casa do Loreto é tratado como ‘Magister Alegutius Cicarelli de Ancona’”, adiantou a Misericórdia à agência Lusa.
Quanto à “Virgen de la Misericordia”, a SCML realça que “é uma das obras mais significativas da pintura gótica dos reinos hispanos-medievais, pela sua riqueza e originalidade iconográfica, bem como pela sua grande qualidade técnica, razão pela qual, até agora, nunca tinha sido autorizada a sua saída de Espanha”.
A tela apresenta uma “representação da sociedade medieval, formada por personagens de toda a condição e natureza”.
“À esquerda do observador, estão dispostas as figuras que representam os diferentes estratos religiosos ordenados por gradação descendente. Em primeiro plano encontram-se os altos cargos eclesiásticos – o papa, os cardeais e os bispos. Num posicionamento intermédio surgem os frades, um franciscano e um dominicano e, por fim, o restante clero. À direita encontramos a sociedade civil. Seguindo a mesma organização, surgem, em primeiro plano, os reis e, sucessivamente em direção ao fundo, os nobres, artesãos, trabalhadores e as pessoas comuns. Todo este conjunto de personagens, bem como a imagem da Virgem, surgem enquadrados por uma grande estrutura arquitetónica”.
Na mostra estará também representada a pintura quinhentista Virgem da Misericórdia, atribuída a Gregório Lopes, do espólio da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra, e que “é representativa da grande qualidade das encomendas efetuadas pelas Misericórdias portuguesas”.
Um conjunto de imagens encomendadas a fotógrafos portugueses, que “ilustram a modernidade das ‘Obras de Misericórdia’ e demonstram a sua importância na atualidade”, faz parte da exposição, remata o comunicado.
São 14 as "Obras de Misericórdia", sete corporais - "Dar de comer a quem tem fome", "Dar de beber a quem tem sede", "Vestir os nus", "Dar pousada aos peregrinos", "Assistir aos enfermos", "Visitar os presos" e "Enterrar os mortos" - e sete espirituais - "Dar bons conselhos", "Ensinar os ignorantes", "Corrigir os que erram", "Consolar os tristes", "Perdoar as injúrias", "Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo" e "Rogar a Deus por vivos e defuntos".
O curador da exposição, Henrique Leitão, é professor catedrático da Universidade de Lisboa, investigador da história da ciência, recebeu o Prémio Pessoa em 2014, é membro da Academia das Ciências de Lisboa e de várias outras sociedades científicas portuguesas e estrangeiras.

Foto: SCML/FMS

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