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A mensagem do Dia Mundial da Poesia, que é celebrado no dia 21 de março, da Sociedade Portuguesa de Autores defende que “devemos dar a ler, nomeadamente na escola, os nossos poetas, ensinar, com rigor e entusiasmo, textos de quantos, inquirindo a linguagem, exaltaram o Homem e a vida”.

“Tudo isto porque é contra o Homem e a vida que a teologia financeiro-político-bancária tem agido, seja em Portugal, seja na Europa da oligarquia burocrática”, argumenta o poeta e crítico literário António Carlos Cortez, autor da mensagem da SPA.
Na mensagem, Cortez sublinha que, “no fundo, celebrar o Dia da Poesia é celebrar a dignidade com que, por meio da arte, celebramos ‘a fiel dedicação à honra de estar vivo’, para lembrar Jorge de Sena”.
“E não, não se veja aqui qualquer espécie de serôdio romantismo ou de crença num qualquer poder xamanístico reservado ao poeta. A poesia, é certo, continuará sendo o reduto de poucos. E o poeta alguém que, apaixonado pela linguagem, procura responder à ditadura da palavra prática”, esclarece.
“A poesia é, por tudo isto, um irrevogável: é fiel ao facto de ser linguagem – linguagem que sabe dizer não quando se atravessa o deserto de um mundo pautado pela lei do dar o dito por não dito. É irrevogável, a poesia. E sabe bem o que isso quer dizer”, remata.
“Julgo que neste tempo em que, de novo, as palavras parecem perder o seu sentido – à custa de tantas ideias ínvias – é urgente lembrar que o poema é trabalho de palavras”, afirma o poeta para, em seguida, afirmar que “o poema é um exercício que concilia reflexão, ponderação, fidelidade ao que as palavras, na sua radicalidade, significam".
“Neste Dia Mundial da Poesia, é esta a mensagem que gostaria de vos enviar, deixando claro que o ato de escrever poesia não pode ser realizado levianamente, pois um poema, em chegando ao leitor, pode ser potenciador da imaginação ou, por ser pobre, um mero desfiar de ideias sem consequência”.
“É contra essa inconsequência do ato de fazer poesia que o poeta consciente do seu trabalho se deve insurgir”, declara.
Para o poeta, “neste tempo de novas indigências, a responsabilidade poética relaciona-se, portanto, com a importância que devemos voltar a dar à imaginação por meio da palavra. E, nesse sentido, a poesia não pode ser, também ela, uma outra forma de discurso banal, a fingir marginalidade para se dar ares de arte pobre”.
“Essa hipocrisia é ainda uma forma de pretensão”, acusa o poeta.
“Neste Dia Mundial da Poesia convém dar a saber que uma poesia que banaliza a própria linguagem é outra coisa, mas não é poesia. Se não surpreende quem lê, não é poesia. Se não faz irromper o estranhamento, não é poesia. Podendo ser simples, devendo rejeitar a grandiloquência, a linguagem poética deve ter temperatura, uma significação que dê ao leitor a possibilidade de estremecimento”, atesta.

 

 

António Carlos Cortez

 

Foto: SPA/FMS

 

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