Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Herois do Mar.jpg

 

Nuno Severiano Teixeira, ex-ministro da Administração Interna e da Defesa, afirma na sua obra “Heróis do mar”, que os símbolos nacionais “são o instrumento político que torna tangível, pelo som ou pela imagem, o sentido da nacionalidade”.

Severiano Teixeira, atual vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, defende que o fenómeno desportivo tem sido um “catalisador” de uma “apropriação pessoal” do hino e da bandeira nacionais, “numa sociedade aberta e massas”, realçando que estes “que eram do Estado e da Nação começam a ser, também, de cada um dos Portugueses”.
Na obra “Heróis do mar – história dos símbolos nacionais”, editada pela Esfera dos Livros, Severiano Teixeira declara que “pela linha e pela cor da bandeira, pela melodia e pelo ritmo do hino, são os símbolos que tornam a nação visível”.
Para o historiador estes símbolos como bandeira e o hino nacionais “condensem” em si “uma comunidade imaginada que é nação”, tornando “visível e concreta, a noção complexa e abstrata de nação e do Estado-nação”.
Este ensaio visa “introduzir alguns conceitos operatórios que permitam e facilitem a compreensão do quadro teórico de referência” deste texto, que é “sobre a natureza e a função dos símbolos nacionais”.
Estes símbolos tomam “uma relação de maior proximidade e apropriação individual pela sociedade civil”, quando evocados em grandes acontecimentos, como os Mundiais de Futebol ou os Jogos Olímpicos.
“A intensidade emotiva sobe quando os dois símbolos são exibidos em simultâneo, combinando o envolvimento auditivo e visual”, escreve o autor, exemplificando em seguida: “É o que acontece quando se ouve o hino, e, ao mesmo tempo, sobe no mastro do estádio olímpico, a comemorar as medalhas de ouro de Rosa Mota, Carlos Lopes ou Nelson Évora”.
Nestes acontecimentos, tal como no início dos jogos das seleções nacionais de futebol ou hóquei em patins, o hino é “’cantado a partir de baixo’”, um “ritual tribal” em que o hino é “cantado pelas massas”.
Em sinal contrário, quando “com pompa e circunstância” é “promovido pelas elites e instituições, e a celebrar, essencialmente o Estado”, sendo “tocado 'a partir de cima'”, designadamente “a acompanhar discursos políticos e as paradas militares”.
O investigador divide a obra em duas partes: “A bandeira nacional: do azul e branco ao verde e rubro” e “”A portuguesa: De marcha patriótica a hino nacional”, e na conclusão aborda “a República, a nação e os símbolos nacionais”.
Quanto à República, proclamada em 1910, o autor distingue o projeto nacionalista da I República (1910-1926), que qualifica como “democrático, positivista e modernizador”, do da II República (1926-1974), que era “autoritário, católico e tradicionalista”, mas “ambos partilharam os mesmos mitos, das origens e da idade de ouro: da Fundação e da Expansão” e “colocaram o império no centro imaginário nacional”.
A democracia – em 1974 – mudou tudo, ou quase tudo, no imaginário nacional”, e, segundo Severiano Teixeira, “normalizou a relação com os símbolos”.
Atualmente, “mais do que a narrativa oficial dos discursos políticos ou dos feitos militares, tem sido o fenómeno desportivo, o catalisador dessa mudança e o lugar social onde melhor se expressa a afirmação da nação e da identidade nacional”.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Bem-vindo


Parcerias


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Visitas

Flag Counter