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9789896577162 - Traidores e traições da Históri

 

O investigador Sérgio Luís de Carvalho lista os “homens de bem, oportunistas, homens de convicções, malandros, homens de fé e pulhas”, que traíram ou foram acusados de tal, em “Traidores e traições na História de Portugal”.
Cronologicamente, o autor estabelece o período de 139 antes de Cristo a 1917, de Viriato – “personagem eivada de mitos” - assassinado quando dormia por três homens da sua confiança, Audax, Ditalco e Minuro, ao soldado “chauffeur” João Ferreira de Almeida, acusado, em tribunal militar, de traição à Pátria por tentativa de fuga para as fileiras inimigas alemãs, no norte de França, durante a I Grande Guerra (1914-1918).
“Este livro fala de traidores”, escreve o autor, para em seguida questionar e refletir sobre o conceito de “traição” e o contexto em que esta acontece.
“Os traidores que aqui são descritos e arrolados foram-no, de facto, à altura dos factos. Alguns foram depois redimidos e resgatados, acabando por serem alçados a heróis (e com justiça)”, escreve o autor, argumentando, todavia, que, “para todos há razões objetivas para serem considerados traidores, seja à luz do nosso julgamento atual, seja à luz julgamento do poder de então, ainda que, por vezes, o nosso julgamento atual contradiga o julgamento do dito poder de então”.
Explicando a sua interrogação, Sérgio Carvalho enumera “os portugueses que conscientemente cometeram atos de traição ocasional ou continuada contra a sua pátria ou as autoridades legítimas que a representavam” e, neste contexto, “se seguíssemos com rigor este princípio”, Miguel de Vasconcelos, secretário de Estado da duquesa de Mântua, que representava o Rei Filipe III de Portugal (IV de Espanha), não poderia ser analisado nesta obra, “enquanto outros vistos hoje como heróis nacionais, o Mestre de Avis, D. João I, D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, ou D. João IV seriam considerados traidores”.
“Um absurdo” remata o autor, que afirma que “traição tem sobretudo a ver com justiça” e, “dessas coisas de justiça, sabe mais a moral, a boa-fé e a decência que todos os códigos legais do mundo”.
Em abono da sua tese cita a atriz alemã Marlene Dietrich (1901-1992), que, com a ascensão de Hitler e da ideologia nazi ao poder, abandonou a Alemanha e assumiu a nacionalidade norte-americana e fez propaganda contra o regime germânico. “Sob todos os critérios foi uma traidora, a quem, de resto, os nazis retiraram a nacionalidade”. “Mas com quem se identifica o leitor - com as autoridades nazis ou com Dietrich?”, pergunta.
A lista de “traidores”, contextualizado o ambiente da sua “traição”, inclui Geraldo Geraldes, o sem pavor, Henrique Manoel Vilhena, João Fernandes Andeiro, os traidores de D. João II, Miguel de Vasconcelos, o duque de Beja Francisco de Bragança, “os traidores portugueses”, que são ao mesmo tempo “heróis brasileiros”, como Tiradentes, e Pedro José de Almeida, que foi militar de Napoleão, entre outros.
Numa nota final, o autor dá conta de que “há um pedido de amnistia para o soldado Ferreira de Almeida, proposto pela Liga dos Combatentes”.

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