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Rui Vieira Nery, recentemente distinguido com o Prémio Universidade de Coimbra, protagoniza um ciclo de palestras no Museu do Fado, em Lisboa, sob o título “Viagens pelo Fado”, que começa no dia 10 de fevereiro.

As sessões, todos os sábados, pelas 17:30, começam no dia 10 de fevereiro e terminam no dia 03 de março.

Segundo nota do museu, Vieira Nery, autor de “Para uma História do fado…”, irá abordar o género musical “da Lisboa oitocentista à atualidade, dos bairros castiços às grandes salas de concerto em todo o mundo”.

“Desenvolvido no século XIX, o Fado resulta de um processo de fusão multicultural que envolve as mais variadas influências, das danças afro-brasileiras às tradições vindas de zonas rurais, passando pelos padrões cosmopolitas da época”, assinala o museu, referindo que, no século passado, se deu a disseminação do fado pela Europa e Américas, “inicialmente por via da emigração, depois através dos circuitos de ‘world music’”.

Rui Vieira Nery considerou a atribuição do Prémio Universidade de Coimbra 2018, uma validação do seu trabalho, que o encoraja a prosseguir.

Em declarações à agência Lusa, Rui Vieira Nery, de 60 anos, afirmou que o prémio surge quando faz 40 anos de carreira científica, e que é “uma validação” desse percurso, que o "encoraja a trabalhar”.

O autor de “Fados para a República", defendeu que “os investigadores têm um dever ético de partilha do resultado do seu trabalho com a sociedade em geral”. “Nós somos pagos para fazer este trabalho pelos cidadãos, e eles têm o direito de beneficiar daquilo que estão a pagar”, argumentou.

Referindo-se ao prémio, que lhe vai ser entregue no dia 01 de março, durante a sessão solene comemorativa do 728.º aniversário da Universidade de Coimbra, o investigador afirmou: “É um reconhecimento pelo meu trabalho e pela minha área de trabalho, pela universidade, ao mais alto nível, o que é uma coisa que é muito entusiasmante e encorajadora”.

A distinção, acrescentou à Lusa, “significa que a Musicologia é reconhecida como uma disciplina de pleno direito no tecido universitário, e é uma componente importante no olhar da cultura para a sociedade, que é uma das funções que a universidade tem”.

Sobre o seu trabalho, Vieira Nery afirmou que “há aspetos que se podem, de certa maneira, considerar inovadores", “como seja o facto de eu partir de uma abordagem como historiador para a musicologia, pensar na prática musical como um fenómeno histórico, isto é, que deve ser pensado num contexto histórico mais amplo”, explicou.

E também, “o facto de eu trabalhar sobre a vida musical de uma forma holística, sem fazer uma separação artificial entre música erudita e popular, e tentar estudar ligações entre esses dois campos”.

“São contributos originais, não sou o único, mas tenho insistido muito nessa perspetiva”, disse o investigador à Lusa, acrescentando que tem procurado “fazer com que a musicologia dê à História uma banda sonora, e ser um contributo para a compreensão do processo histórico no seu conjunto”.

O investigador está a trabalhar “numa recolha muito exaustiva dos relatos dos viajantes estrangeiros em Portugal e no Brasil, entre 1750 e 1834, e sobre aquilo que deixaram escrito sobre música, dança e artes do espetáculo”, e cujo primeiro volume, que irá abarcar o período de 1750 a 1807, conta editar ainda este ano.

Vieira Nery é professor na Universidade Nova de Lisboa e diretor do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas, na Fundação Calouste Gulbenkian, onde desempenhou as funções de diretor-adjunto do Serviço de Música e de diretor do programa Educação para a Cultura.

Filho do guitarrista Raul Nery, Rui Vieira Nery é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorado em Musicologia pela Universidade de Austin, no Texas, Estados Unidos.

Entre outros cargos, foi secretário de Estado da Cultura, comissário das Comemorações do Centenário da República Portuguesa e presidente da Comissão Científica da Candidatura do Fado à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O Prémio Universidade de Coimbra, no valor de 25 mil euros, distingue uma personalidade de nacionalidade portuguesa que se tenha afirmado por uma intervenção particularmente relevante e inovadora nas áreas da cultura ou da ciência.

O galardão, instituído em 2004, já distinguiu o crítico gastronómico José Quitério, o antigo reitor da Universidade de Lisboa Sampaio da Nóvoa, o cineasta Pedro Costa, o músico e compositor António Pinho Vargas, a cientista Maria de Sousa, o investigador e catedrático de química Adélio Mendes e o artista plástico Julião Sarmento, entre outros nomes.

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