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O facto de D. Constança Manuel ser “uma personagem apagada” e, ao mesmo tempo, protagonista de “um dos maiores mitos portugueses”, a relação entre D. Pedro e D. Inês de Castro, aliciou Isabel Machado a escrever o romance “Constança, a princesa traída”, que é apresentado na segunda-feira, em Lisboa, na FNAC Colombo, pelas 18:30, pela deputada Teresa Caeiro.

D. Constança Manuel, que foi mulher de Rei D. Pedro I, “é uma sombra, ficou apagada da memória dos portugueses, apesar de ter sido a protagonista involuntária de um dos maiores mitos da história de Portugal”, disse a autora à Lusa.
Sublinhando, que a “obra é, essencialmente, uma ficção, apesar de remeter para factos históricos”, a autora afirmou que D. Constança Manuel, filha de D. Juan Manuel, um dos mais poderosos nobres castelhanos, que enfrentou o Rei Afonso XI, “carregou uma grande melancolia, e teve uma vida absolutamente trágica”, noticiou o DN.
D. Constança Manuel “teve uma vida absolutamente trágica, em que foi repudiada [por Afonso XI, com quem celebrou esponsais], foi feita refém, e toda a sua vida foi rodeada pelo medo, [permanecendo] nas mãos de um pai, que a usou como arma para a sua agenda política”.
Referindo-se à personagem Constança Manuel, a escritora afirmou que a construiu com base na passividade que caracteriza o comportamento feminino na época, “mas que depois de traída, reage com inteligência”.
“Uma mulher arguta, orgulhosa, mas não altiva, e profundamente devota, mas capaz de vários extremos”, disse.
“A personagem que construi chega, em desespero de causa, a pensar, congeminado, com aia Violante, em envenenar D. Inês de Castro, e ao mesmo tempo é capaz de negociar ao mais alto nível com o Rei português D. Afonso IV”, disse a autora, esclarecendo que, para este seu enredo, não dispõe de dados históricos, “mas da imaginação literária”.
Outra personagem que se realça neste romance é de D. Afonso IV, que é “um Rei muito, muito interessante, que foi sempre um aliado de D. Constança Manuel”, que de tal forma passou despercebida, que não se sabe ao certo quando morreu, se em 1345 ou 1349, inclinando-se a autora para a segunda data.
Referindo-se ao rei português, Isabel Machado afirmou que “toda a sua brutalidade, pois é um homem duríssimo, tem uma centelha de humanidade, é um homem que sofre com o infortúnio da filha, D. Maria, casada com Afonso XI de Castela”.
“Todas as personagens têm dois lados, um bom e outro menos bom. Mesmo Constança é muito boazinha, mas passou-lhe pela cabeça matar D. Inês de Castro, havendo entre as duas amizade. E o pai de D. Constança, sendo maquiavélico, tem admiração e amor pela filha”, disse.
Por outro lado, referindo-se ainda à construção das personagens, Isabel Machado nota que Inês de Castro é apenas mostrada pelo olhar de Constança Manuel, e isso foi intencional da sua parte.
"Ficamos a pensar que personagem é esta, e percebemos que também ela está dividida; gostará certamente de D. Pedro, ou não, alguma coisa terá sentido, tinha também amizade por Constança. Todas as personagens estão divididas. D. Pedro é excessivo, mas tem um coração grande”.
Este é o terceiro romance histórico de Isabel Machado, que anteriormente publicou “Isabel I de Inglaterra e o seu médico português”, e “Vitória de Inglaterra – a rainha que amou e ameaçou Portugal”.

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