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Lisboa dispõe atualmente de seis linhas de elétrico, entre elas a do 28, que é a “a mais longa e complexa e riquíssima de informação urbana”, afirma José-Augusto França, na obra “28 – Crónica de um percurso”

A obra “28 – Crónica de um percurso”, do historiador de arte José-Augusto França, com fotografias, agora a cores, de Pedro Soares, foi reeditada em bilingue - português/inglês –, pela editora Livros Horizonte.
“Desde 1983 o elétrico 28 larga do Martim Moniz e nos Prazeres vai enterrar, ressuscitando ali para regresso à circulação”, fazendo um percurso que “sobe à Graça, descendo pela Sé até à Baixa, para trepar à Estrela, de colina para colina”, descreve o historiador.
Segundo José-Augusto França, no seu percurso, o elétrico n.º 28 passa por, pelo menos, dez igrejas, oito conventos desativados, cerca de 20 palácios e palacetes, “meia dúzia de prédios de destaque”, seis jardins, 15 estátuas, dez teatros e cinemas, “de que só restam dois”, realçando que alguns destes edifícios são “da maior importância histórica e artística”.
No texto, o autor afirma que faz uma narrativa “sem pretensões de historiador” mas antes “saboreando as ruas, uma só avenida, as cem travessas, calçadas, becos e escadinhas, cruzes e largos de melhor respiração” de uma Lisboa que descreve como “Lisboas pires e chungas, de brasões e pardieiros, de misérias e azulejos burgueses”.
O texto do livro totaliza 20.000 palavras, mas, garante o autor, poderiam ser “dez vezes mais”, dando a conhecer “a leitura desta cidade de pedras mortas e vivas”.
A obra divide o circuito do elétrico em cinco tramos: “do Martim Moniz à Graça”, “de S. Vicente à Sé”, “de Santo António da Sé ao Chiado”, “do Camões a S. Bento” e “da Estrela aos Prazeres”.
Em cada tramo, o autor chama a atenção para o espaço de vivência alfacinha (gentílico pelo qual os lisboetas são referenciados), um pormenor de um friso de pedra lavrada, ou o interior rico em decoração azulejar que, de fora, nada chama a atenção, como o caso do edifício Amparo, na Mouraria, junto à igreja da Senhora da Saúde, um dos muitos templos por onde passa o elétrico, nomeadamente, os do Senhor dos Passos da Graça, de S. Braz e Santa Luzia, de Santa Maria da Madalena, da Senhora da Oliveira, de N. S. da Encarnação, de Santa Catarina, da Basílica da Estrela ou de Santo Condestável.
O autor conta histórias dos lugares e das origens dos seus nomes, como “Benformoso”, que terá vindo de “Boi formoso”, um antigo espaço de hortas, onde mais tarde se edificou o palácio de Pina Manique que foi esbirro do Marquês de Pombal, e intendente de Polícia no reinado de D. Maria I, e se estabeleceu, em 1785, a primeira academia de ensino do nu.
Do pormenor da calçada à portuguesa ao palacete que foi sede da extinta polícia política do Estado Novo, a PIDE, a estátua de homenagem a Fernando Pessoa, ou o mercado de Santa Clara, José-Augusto França passeia-se ao lado do leitor, no elétrico 28, por Lisboa.
A versão em inglês da obra “28 – Crónica de um percurso” é de Nicholas Carvalho. A primeira edição desta obra data de 1998, tendo sido feita uma segunda edição no ano seguinte, ambas apenas em português.

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