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Para-uma-História-do-Fado_Coleção-Fado-INCM-EGE

A obra “Para uma história do fado”, de Rui Vieira Nery, publicada pela primeira vez em 2004, é editada na quinta-feira, em França, pela La Différence, numa tradução de Pierre Léglie-Costa.

A editora francesa afirma que esta obra é “uma verdadeira bíblia, profusamente ilustrada, que aborda aspetos tanto musicológicos, como históricos e sociológicos deste género musical”, o fado.
Na introdução, Rui Vieira Nery afirma que, desde 2004, “há duas realidades que se evidenciam de forma inequívoca”: um reforço da dinâmica da “expansão do género que já se vinha assistindo desde os anos [19]80 no país e no circuito internacional", e o “encerramento definitivo do debate histórico sobre a legitimidade político-ideológica e a dignidade estética do Fado”.
Defende o musicólogo que há um “consenso alargado", em torno do fado, com “a consagração pública reforçada de algumas das suas figuras históricas”, destacando Argentina Santos.
A obra foi já editada em inglês pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), e também em italiano, com o apoio do Museu do Fado.
Em novembro de 2011, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) classificou o Fado como Património Imaterial da Humanidade, tendo o Comité de Especialistas considerado "exemplar" a candidatura portuguesa, que foi liderada pelo musicólogo Rui Vieira Nery.
Segundo a INCM, “Para uma História do Fado” inscreve-se “na linha de estudos atuais de fenómenos culturais urbanos que procuram compreender a música da cidade, constituindo a trajetória do fado, género emblemático da cidade de Lisboa, como objeto de estudo”.
“Partindo de uma visão dinâmica do fado enquanto cultura, o autor constrói uma metodologia interdisciplinar que alia a perspetiva histórica à análise musicológica, sustentada pela observação e pela vivência, e contextualizada no âmbito das transformações políticas, sociais e culturais do país”, acrescenta a INCM.
Rui Vieira Nery é diretor do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas, e recebeu o Prémio Amália Divulgação/Ensaio em 2006, tendo o júri indicado o investigador, como “a pessoa que melhor tem sabido elaborar uma síntese sobre a história do fado", e referiu a sua ligação sentimental ao fado, ao ser filho do guitarrista Raul Nery.
Vieira Nery iniciou os estudos musicais na Academia de Música de Santa Cecília e prosseguiu-os depois no Conservatório Nacional, em Lisboa. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, doutorou-se em Musicologia pela Universidade de Austin, no Estado norte-americano do Texas, que frequentou como “Fulbright Scholar” e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.
Atualmente é professor associado da Universidade Nova de Lisboa, tendo já orientado um vasto número de mestrados e doutoramentos em universidades portuguesas, espanholas e francesas, e é investigador do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos de Música e Dança e do Centro de Estudos de Teatro, daquela universidade.

 

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