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Um livro sobre a vida e carreira de Antoine Sibertin Blanc (1930-2012), que foi organista titular da Sé de Lisboa, coordenado pela viúva, Leonor de Lucena Sibertin-Blanc, é apresentado no sábado em Lisboa.

A obra, “Ad Memoriam”, constituída por duas partes, uma biográfica, de autoria de Leonor de Lucena Sibertin-Blanc, e uma segunda com cerca de 50 testemunhos de ex-alunos, colegas, amigos e admiradores, é apresentada às 16:00, na Sé de Lisboa, por Duarte Pereira Martins, vice-presidente do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa (MPMP), que chancela esta edição.
“A obra inclui ainda um conjunto de páginas a cores com fotografias relativas ao percurso biográfico do organista”, acrescentou fonte do MPMP, à agência Lusa.
Na sessão de apresentação atua a contralto Susana Moody e o organista António Duarte, que sucedeu a Blanc Sibertin como titular da Sé de Lisboa.
No preâmbulo de “Ad Memoriam”, a viúva escreve que reuniu “alguns apontamentos biográficos” que irão esclarecer sobre a figura do organista, e realça “os testemunhos recolhidos” que revelam “as várias facetas da personalidade de Antoine Sibertin-Blanc, enquanto professor, organista e improvisador e, ainda, enquanto ser humano”.
“Convido assim o leitor a percorrer estes documentos, ricos e expressivos pela sua autenticidade, pois vêm daqueles que lidaram de perto com Antoine Sibertin-Blanc, uns de uma forma, outros de outra; uns durante anos a fio, no caso dos alunos ou de alguns colegas; outros durante vidas inteiras, no caso dos eclesiásticos; outros, ainda, de forma mais ou menos assídua, no caso dos seus colaboradores e (ou) admiradores”, escreve Leonor de Lucena Sibertin-Blanc.
O cardeal-patriarca D. Manuel Clemente assina o prefácio e refere que, na década de 1970, “estava quase interrompida a brilhante tradição musical litúrgica da Sé Patriarcal de Lisboa”.
Remontando aos seus tempos de seminarista, o atual bispo de Lisboa escreve: “Recordo-me muito bem de que, como seminarista, a partir de 1973, tudo era simples e reduzido, quando íamos à Sé. Estávamos nos primeiros anos do exercício patriarcal do então ‘jovem’ cardeal [António] Ribeiro, que garantia a presidência, com a sobriedade e o acerto homiliético que o caracterizavam. Sobressaía, no entanto, a grande qualidade da música de órgão, executada pelo professor Sibertin Blanc, que, também pelo acerto e o rigor, tanto se coadunava com o estilo do cardeal Ribeiro”.
“Assim foi renascendo a tradição musical dos nossos pontificais de Lisboa, que tanto ficaram a dever ao magnífico organista, à sua aplicação e saber”, sublinha o patriarca.
Segundo o cónego Carlos Paes, deão do cabido da Sé, Sibertin Blanc deixou “o testemunho de uma pessoa extremamente delicada, discreta e muito fiel à sua missão” e realçou o “seu empenho e dedicação”, no restauro do órgão do construtor D.A. Flentrop.
“Se hoje estamos a tocar num órgão restaurado deve-se a ele”, afirmou, ao boletim paroquial Voz da Verdade, o cónego, que salientou também que o organista, nascido em Paris, “deixou vários discípulos, os quais António Duarte.
O organista chegou a Portugal na década de 1960, vindo da paróquia de S. José, na Cidade do Luxemburgo.
A 24 de abril de 2011, numa entrevista ao Voz da Verdade, recordou este momento: “Cinco anos depois [de estar em S. José no Luxemburgo], senti vontade de ir embora. Foi então que um colega francês, que estava contratado para assinar pelo Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa, desistiu e telefonou-me para saber se eu estava interessado naquele cargo… E eu estava interessado, evidentemente! Cheguei então a Lisboa em 1961, há cinquenta anos, e comecei a lecionar órgão e harmonia musical”.

 

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Antoine Sibertin Blanc (1930-2012)

 

Quando em 1965 foi consagrado o órgão D.A. Flentrop da Sé, Sibertin Blanc apresentou a sua candidatura como organista e foi escolhido.
“Fiquei muito feliz, porque era o meu sonho ser organista de uma catedral! Recordo-me de quando era novo, e estava em Paris, gostava muito de ir até à catedral de Notre Dame ouvir os órgãos. A minha paixão nasceu desde então e nunca foi quebrada!”, afirmou na mesma entrevista.
Foi organista titular durante 47 anos, tendo começado por acompanhar os ofícios pontificais e, mais tarde, a tocar todos os domingos nas celebrações.
Sobre o seu ofício declarou ao semanário diocesano: “Eu gosto muito do que faço e estou ainda à procura de assimilar a liturgia. Nas celebrações, vive-se muito à base da improvisação, porque não se pode tocar obras, uma vez que as celebrações não são concertos. É muito difícil integrar obras escritas no meio de uma celebração litúrgica. É tudo à base da improvisação, por isso é muito interessante nesse aspeto”.
O músico sublinhou a sua função de “organista litúrgico” que apontou como “muito diferente de um organista de concertos”.
“Eu fui formado em Paris, na Escola César Frank e no Conservatório [de Paris], e os estudos de organista eram em função da liturgia e de acompanhar a liturgia. Estava baseado sobre o acompanhamento, a harmonização e sobre a improvisação. Procurei também transmitir aos meus alunos este espírito litúrgico”, disse na ocasião.

Foto: MPMP/FMS

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