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O investigador Joaquim Magalhães de Castro traça, na obra “Os filhos esquecidos do Império”, a genealogia dos descendentes dos portugueses que se aventuraram pelo Extremo-Oriente, nos séculos XVI e XVII, e cuja herança hoje persiste.

“Eram soldados-da-fortuna, os alevantados, os homens-que-queriam-ser-reis, os artilheiros de elite, todos aventureiros sem limites que, de Coromandel ao Pegu, da Tailândia ao Japão, alastraram em mapas virgens os contornos de ‘impérios-sombra’, expandiram os sonhos dos ‘negócios da China’ ou da fundação de um reino”, lê-se na introdução da obra, segundo A Visão.
O autor dá conta de uma carta de um governador de Goa ao Rei de Portugal, noticiando que, de 400 portugueses ali chegados, contava, ao fim de um ano, menos de uma dezena, pelo facto de muitos se terem aventurado pelas terras do Extremo-Oriente.
Outros portugueses deram a essas paragens devido aos “naufrágios ocorridos ao longo dos séculos XVI e XVII, num oceano notoriamente traiçoeiro”, escreve o autor.
Entre os vários naufrágios, Magalhães de Castro refere o registado em 1561, com a nau S. Paulo, próximo da Ilha do Engano, denominada atualmente como Pulau Enganno, e que faz parte do território da Indonésia, uma das costas que foi devastada em 2004 por um maremoto, que afetou e causou vítimas entre “achéns, javaneses, menancabos, bataques, bugis, chineses e luso-descendentes” que ali viviam em “pequenas cidades adormecidas”, escreve o investigador.
São três as principais regiões geográficas abordadas pela investigação de Magalhães de Castro: a Birmânia, atual República do Myanmar, a Indonésia e Malaca, Estado da Federação da Malásia.
A obra é também uma reflexão do escritor sobre atualidade político-social e económica dessas partes por onde se disseminaram os portugueses, registando traços lusíadas que ainda hoje persistem nas culturas locais.
“Nos arredores de Malaca estão ainda bem vivos os descendentes dos cavaleiros que, em 1511, com Afonso de Albuquerque, conquistaram esta importante praça-forte”, sustenta o autor.
No capítulo “Kristangs de Malaca”, Magalhães de Castro afirma que “resistentes como rochas, os herdeiros dos quarenta guerreiros que acompanharam Afonso de Albuquerque […] totalizam atualmente uns quantos milhares” que ostentam apelidos como Lázaro, Fernandes, Teixeira ou Sequeira, grafados à malaia.
Em Myanmar, região que foi conhecida como “terra dourada”, os portugueses foram pioneiros tendo participado nas disputas locais entre reinos e províncias rivais. Duarte Barbosa, que em 1501 rumou à Índia, “é, provavelmente, o primeiro europeu a mencionar a existência da Birmânia, nome dado na época ao Principado de Tangu e que constituía com Ava, Pegu e Arracão,“um dos mais importantes reinos da região”.
Nesta região, que corresponde ao atual Myanmar, os portugueses, em 1511, procuraram aliados contra o inimigo comum que eram os Estados muçulmanos, tendo até estabelecido uma feitoria, mas “as primeiras tentativas de missionação [católica] caíram em saco roto”.

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