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O historiador Luís Miguel Duarte afirma, na obra “Ceuta 1415. Seiscentos anos depois”, que é “fortíssima a herança portuguesa” em Ceuta, 600 anos após a conquista desta praça norte-africana, sob bandeira espanhola desde 1668, e sobre a qual está por fazer um estudo sobre o domínio português.

“Completam-se este ano seis séculos sobre a conquista portuguesa de Ceuta. Excelente pretexto, não para comemorar (comemorar o quê?), mas para evocar o acontecimento, para o repensar, para renovar as perguntas ao passado, aproveitando algumas sugeridas pelas sombrias inquietações do presente-futuro e, desse modo, tentar compreender melhor esse presente-futuro”, escreve Luís Miguel Duarte, professor de História Medieval na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, na introdução da obra.
Neste mesmo texto, o autor refere que “continua por fazer um bom estudo” sobre os pouco mais de 250 anos da presença portuguesa em Ceuta, nomeadamente “um estudo dos custos brutais que a manutenção da cidade acarretou ao erário português e ao povo em geral”.
Luís Miguel Duarte sublinha que, apesar de se ter “escrito muita coisa” sobre a conquista efetuada a 21 de agosto de 1415, tanto na historiografia portuguesa, como espanhola e francesa, faltava uma visão marroquina, com “perspetivas diferentes das tradicionais”.
Um dos aspetos que preocupou o investigador, neste estudo, foi ”procurar ver este episódio [da conquista] a partir de dentro da cidade muçulmana, mas também das aldeias e montanhas que a cercam”, estendendo esta contextualização a Fez e ao reino vizinho de Yfriqyia.
“Teremos de observar [a conquista] pelos olhos dos muçulmanos de Gibraltar e dos castelhanos de Tarifa”, afirma o autor, acrescentando perspetivas coevas de aragoneses, genoveses, franceses, ingleses e do papado, “ao tempo dilacerado por 40 anos de convulsões”.
Na expedição armaram-se cavaleiros os Infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, filhos do Rei D. João I, que “nem nos seus melhores sonhos a aventura podia ter corrido tão bem como correu e os resultados serem tão impressionantes, a nível interno, mas sobretudo, a nível externo”.
Todavia - argumenta o historiador -, depois da conquista, “Ceuta nunca mais foi a mesma, e Marrocos também não”. A expedição trouxe marcas a Portugal.
“Não podendo aguentar-se sozinha, Ceuta ‘pedia’ a conquista de Tânger”, em 1437, que se saldou num fracasso, que ajudou a "cavar divisões profundas no país" e viria a contribuir para "a guerra civil e a batalha de Alfarrobeira, em 1449", “provando que todas as histórias estão ligadas”.
A conquista trouxe também consequências para genoveses, castelhanos, aragoneses e franceses, tendo alterado todo o quadro socioeconómico do Mediterrâneo, com mudança das rotas comerciais e até “consequências nas relações [de Portugal] com a Santa Sé”.

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