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O Teatro Ádóque “foi, sem sombra de dúvida, um dos mais emblemáticos e dinâmicos espaços de intervenção sociocultural no pós-25 de Abril [de 1974] em Portugal”, afirma o autor do primeiro ensaio sobre esta cooperativa artística.

A obra, de autoria de Luciano Reis, intitula-se “Teatro Ádóque (1974-1982). História dum sonho teatral”.
O Teatro Ádóque funcionou na capital, no largo Martim Moniz, num teatro desmontável que pertencera à companhia Rafael Oliveira, desde setembro de 1974, quando estreou a revista “Pides na grelha”, até 1982, quando subiu à cena “Tá entregue à bicharada”.
Entre os fundadores desta cooperativa artística contam-se o ator, autor e encenador Francisco Nicholson, o cenógrafo Mário Alberto e o coreógrafo Fernando Lima.
“O principal objetivo“ do Ádóque era “um trabalho inovador na revista e nos espetáculos para crianças”, funcionando em regime de autogestão, o que, na área do teatro musicado, foi a primeira vez que aconteceu em Portugal, escreve Luciano Reis na sua obra.
A este grupo estiveram ligados nomes de atores como Maria Céu Guerra, Helena Isabel, Magda Cardoso, Henrique Viana e Fernando Oliveira, filho de Rafael Oliveira e Maria Dulce, entre outros.
“Um punhado de pessoas – escreve Luciano Reis – que estavam dispostas a serem cocriadores de algo que fosse um marco inovador no conceito de criar e interpretar o teatro de revista, numa perspetiva sociológica sem precedentes”.
Francisco Nicholson, que faleceu aos 77 anos, no pasasdod ia 12 de abril, é o autor do prefácio, no qual, referindo-se ao que norteou os fundadores, escreveu: “Acreditávamos em novos caminhos para o teatro de revista, liberto de todas as formas de censura – política, ideológica, económica, preconceituosa, religiosa, conservadora, eu sei lá tantas, tão ardilosas e subtis se apresentavam”.
O ator e encenador afirma ainda que todos estavam munidos de “uma fé inquebrantável” e acrescenta: “Éramos irreverentes, descarados, impertinentes, malcriados, mas sempre fraternos, generosos, despojados. Ah! Sempre com a preocupação de sermos politicamente muito incorretos…”.
A obra “Teatro Ádóque (1974-1982)” conta a história desta companhia em seis capítulos, incluindo ainda o prefácio de Francisco Nicholson, uma introdução e uma conclusão, assim como citações de críticas dos espetáculos da companhia, e depoimentos de personalidades ligadas ao Ádóque ou às artes de palco, e ainda uma lista exaustiva de todos os que passaram pelo palco do Martim Moniz, incluindo os quadros técnicos, os autores, encenadores e compositores, entre os quais se recordam José Luís Gomes e Correia Martins.
Para criar e levar a cena as diferentes peças e revistas, a bailarina Magda Cardoso realçou a Luciano Reis o “espírito de sacrifício, que agora não há”.
Luciano Reis recorda que "muitos artistas nasceram naquele teatro e ainda hoje 'dão cartas' na arte de representar", como Virgílio Castelo ou a atriz Maria Vieira.
Além dos espetáculos, o espaço do teatro “servia de empréstimo para muitas iniciativas culturais e artísticas”, designadamente a coletividades culturais e de recreio, cantores artistas plásticos e grupos excursionistas.
Segundo números do investigador, citados pela RTP,o Ádóque produziu 21 espetáculos, aos quais assistiram "mais de 1,2 milhões de espetadores", em Lisboa e "em mais de 70 localidades do país", tendo a sua produção de palco dado origem a 15 discos - 12 singles e três álbuns.
Luciano Reis, licenciado em gestão das artes, é um investigador da história das artes do palco, autor de várias obras, designadamente a biografia dos atores Ivone Silva, Laura Alves, Maria Dulce, Eugénio Salvador, Vasco Santana e João d’Ávila, entre outros.
Entre os mais de 50 títulos que já publicou, contam-se ainda obras sobre os maestros Alves Coelho e Fernando Correia Martins, assim como “História do Circo”, “Para uma história do teatro no concelho de Sintra”, “Parque Mayer”, em quatro volumes, em coautoria com Jorge Trigo, e, mais recentemente, “As grandes divas do século XX”. A sua lista de obras inclui ainda poesia, filosofia esotérica e monografias históricas.

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