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A obra “1914 – Portugal no ano da Grande Guerra”, de Ricardo Marques, que relata o quotidiano português no ano em que a I Guerra Mundial começou, é apresentada no dia 13 às 18:30 no El Corte Inglés, em Lisboa, pelo escritor Carlos Matos Gomes.
A obra ilustra com factos e curiosidades como se vivia em Portugal quatro anos depois de derrubada a monarquia, um país com mão de obra infantil, em que o médico Alfredo da Costa insistia que os nascimentos de crianças se deviam fazer numa hospital especializado e o higienista Ricardo Jorge se preocupava em não dar tréguas ao surto de tifo que afetava o país.
A obra, dividida em cinco capítulos, incluindo a participação portuguesa no conflito mundial, apresenta uma narrativa que tece um paralelo entre o que se passava no país e o que acontecia na Europa. Por exemplo, no dia 28 de junho de 1914 quando o herdeiro do trono imperial austro-húngaro foi morto em Sarajevo, facto que viria a desencadear o conflito, em Lisboa, “o Senado aprovou os orçamentos dos ministérios da Justiça e das Colónias” e em Matosinhos, “o bispo do Porto administrou a Crisma a 200 crianças, ignorando a ameaça de protestos que circulava há dias”.

 


A primeira parte é sobre “Ciência e natureza” e refere como Lisboa era “uma cidade suja” e as preocupações com a canalização de água, ou como o mau tempo derrubou cedros ancestrais na mata do Buçaco ou a quarta cesariana que se realizou em Coimbra e que “correu bem”.
O segundo capítulo é sobre a “Vida Pública” e dá conta das lutas e reivindicações dos trabalhadores”, a questão do ensino no contexto republicano e a Lei de Separação do Estado das Igrejas, promulgada em 1911, “três anos depois, a laicidade plena não tinha ainda sido alcançada”.
O autor dá conta das tentativas de musealização da Basílica Estrela, em Lisboa, que deixaria de ser lugar de culto, ou o caso do sepultamento de Carolina, em Tarouca, na igreja de Santa Helena, que o padre se recusou a autorizar e se tornou “uma fonte de problemas”.
O terceiro capítulo, o mais vasto da obra, é dedicado à “Vida Privada” e revela as partidas de ténis das senhoras, mas também o “tráfico de brancas”, mulheres colocadas na prostituição, em que as que “davam maiores lucros aos traficantes” eram as criadas de servir. Mas além da condição feminina, ao autor, jornalista de profissão, refere a procura de praia e sol, os divertimentos, a infância, a moda, educação, e o deporto, em que o futebol já “levava milhares de pessoas”, mas “havia quem se queixasse dos abusos de linguagem e da violência entre os jogadores”.
A quarta parte é dedicada ao “mundo” em que se dá conta da morte do papa Pio X, ao qual sucedeu Bento XV, após um conclave que “durou apenas três dias”, enquanto piratas chineses atacavam as costas da então colónia de Timor-Leste, ou em Goa, então Estado Português da Índia, na Escola Médica se registava Lucinda Pinto, a primeira mulher ali a estudar.
Finalmente, a última parte é dedica ao esforço de guerra de Portugal, quando numa sexta-feira, frente às “centenas de pessoas nas galerias do parlamento, tão calads como os 79 deputados e os membros do ministério” Bernardino Machado apresentou o projeto de lei que permitiria todos os poderes excecionais, incluindo, “perante a situação externa”, a participação das tropas portugueses, ao lado da Inglaterra, França e Itália, no conflito armado. Portugal escolhera um lado do conflito, contra a Alemanha e a Áustria-Hungria, mas “havia quem não concordasse”, e até "vários setores da sociedade opunham-se à participação”.
Um dos voluntários para a guerra foi o aviador Alexandre Sallés, que “fez vários voos de demonstração antes de se alistar”.

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