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O edifício onde Jacinta Marto afirmou ter visto Nossa Senhora, nos começos de 1920, em Lisboa, é desde 1980 um mosteiro de clarissas, descrito como “um deserto no meio da cidade” para lembrar que “a eternidade” existe.

É lá que se conserva um quarto, modesto, que recebeu uma criança vinda da aldeia de Aljustrel, Jacinta, uma das três videntes das “aparições” de Fátima, que ali viveu pouco tempo antes de morrer, em 1920.
E é à porta deste edifício que não parece um mosteiro, junto ao jardim da Estrela, que ainda hoje há quem bata à porta para orar ou para fazer um pedido. “Ao quartinho da Jacinta, aqui na Estrela, muita gente vem pedir curas, emprego, reabilitação do álcool ou da droga, e todas essas graças estão registadas em Fátima”, disse à agência Lusa a madre abadessa Maria José dos Reis, cita o DN.
Qualquer pessoa pode bater à porta do mosteiro “que é uma casa do povo de Deus” e pedir para vir rezar ao quarto da Jacinta”, afirmou.
“Os mosteiros são construídos em lugares mais desertos, e de facto mais favoráveis à contemplação e ao silêncio, mas acho que é necessário fazermos deserto no meio da cidade. E a presença das irmãs, embora muito simples e humildes, apenas lembram a todas as pessoas que andam no ‘stress’ da vida diária que a vida não é só aquilo que a gente vive cá, mas que tem um nome que se chama eternidade”, disse à agência Lusa a madre abadessa Maria José dos Reis.
O atual Mosteiro do Imaculado Coração de Maria ocupa dois antigos edifícios de apartamentos na rua da Estrela, em Lisboa. Um deles foi um orfanato gerido por Maria da Conceição Godinho, consagrada Terceira Franciscana, e que ficou conhecida como madre Godinho, que recebeu Jacinta, uma das três crianças que afirmou ter visto a Virgem, na Cova da Iria, em 1917.

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Em meados de janeiro de 1920, Jacinta ficou nesta casa, que conserva o seu quarto, que ocupou até ser internada no Hospital Rainha D. Estefânia, onde morreu no dia 20 de fevereiro desse ano. Numa lápide mandada colocar por madre Godinho, em 1953, lê-se que “no decurso do seu repouso (…) lhe apareceu Nossa Senhora antes de ser internada no hospital”.

A noviça Rita Maria de Assis referiu à Lusa que foi feito registo escrito de “alguns conselhos que Jacinta deu a madre Godinho” e que esta, ao questioná-la “onde tinha aprendido tanta coisa, Jacinta lhe respondeu que foi a Virgem que lhe ensinou”.
“Um dos conselhos foi que fosse amiga da santa pobreza e do silêncio, duas virtudes que Jacinta certamente experimentou neste lugar”, disse Rita Maria de Assis, segundo a qual a “aparição” de Nossa Senhora terá acontecido entre 21 de janeiro e 02 de fevereiro de 1920, quando Jacinta ali esteve.
Todos estes textos, incluindo a correspondência trocada entre a madre Godinho e o cónego Nunes Formigão, que investigou o fenómeno de Fátima, fazem parte da documentação que serviu de base ao processo que levou à canonização de Jacinta.
O mosteiro foi ereto canonicamente em 2001, mas a presença religiosa num dos edifícios, o que serviu de orfanato contíguo à Capela da Senhora dos Milagres, remonta aos inícios do século XX, quando a madre Godinho acolheu três freiras clarissas, em 1910, que foram expulsas do convento da Graça, junto ao Patriarcado de Lisboa.
Em 1967 a comunidade religiosa transferiu-se para Sintra, mas em Lisboa ficaram duas clarissas.
Em 1987, um projeto de remodelação dos dois edifícios contíguos, do arquiteto Célio Lopes Cantante, que levou à saída dos respetivos inquilinos, permitiu uma ligação interior e alterações que permitiram a instalação da capela, sacristia, locutório, refeitório, sala do capítulo, biblioteca, celas e um alpendre exterior para o espaço de recreio, uma zona cedida pela câmara de Lisboa.
Atualmente vivem em contemplação neste mosteiro cinco freiras, que acreditam “que o silêncio por si próprio, com fé, poderá ser a melhor linguagem para expressar a presença de Deus no meio do seu povo”, assinalou a madre abadessa.
Para a religiosa, a vida contemplativa e de oração “vive-se por fé” porque “acreditam num Deus único e verdadeiro e que Jesus Cristo é seu filho”.
Neste mosteiro no meio da cidade vivem cinco irmãs. “Cinco irmãs no contexto de hoje são muitas, e mais vale um voluntário que cem forçados, e aos olhos de Deus somos muitas”, disse, referindo, que “o fermento nunca pode ser mais do que a massa e Deus é quem leveda a massa”.
A madre abadessa comparou o mosteiro à “tenda de Moisés, onde no meio do seu povo, rezava e intercedia pelo povo junto de Deus, e para onde o povo volta os seus olhos quando está mais aflito”.
Maria José Reis disse à Lusa que há muitas pessoas que procuram o mosteiro, tanto pelo facto de ser “um local de oração”, como por neste espaço ter estado Jacinta, “e acabam por descobrir a importância das irmãs e começam por ser assíduas à oração na capela, e na vida das irmãs” a quem pedem orações.
Muitos anónimos recorrem ao mosteiro para pedir orações às freiras por determinadas intenções, “e até pessoas que não são praticantes, mas que o último recurso é virem às irmãs”, disse a madre abadessa, acrescentando que “é muito emocionante quando vêm agradecer a graça recebida”.
O centenário das “aparições” em nada veio alterar o quotidiano das clarissas que oram sete vezes por dia, e cada uma tem ainda mais uma hora de adoração do Santíssimo, além do trabalho doméstico e o que garante a sobrevivência da comunidade.
As clarissas da Estrela fabricam hóstias, que são depois consagradas e ministradas nos diferentes atos religiosos católicos e ainda não sabem se irão em peregrinação a Fátima.

Fotos NACAL/FMS

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