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Natalino - Foi Assim.jpg

 

Natalino de Jesus, a celebrar 30 anos de carreira, apresenta na quinta-feira, no Museu do Fado, em Lisboa, o álbum “Foi Assim”, que “resume a história de 30 anos de gravações”, disse o intérprete.

Em declarações à agência Lusa, Natalino de Jesus afirmou que o CD “vem fechar [um ano de celebração dos 30 anos de carreira] e, ao mesmo tempo, resumir a história destes 30 anos de gravações”, cita o Noticias ao Minuto.
“O CD contém temas de vários álbuns que fui gravando, dos mais emblemáticos”, disse o fadista, referindo que “foi difícil escolher”.
O CD a bre com o que o fadista afirma ser o seu cartão de visita, “Quero Ser como Sou”, música e letra do brasileiro Armando Nunes, e que se torna obrigatório em todas as suas apresentações.
“Armando Nunes foi um homem que escreveu muitos fados sem nunca ter vindo a Lisboa, curiosamente”, referiu.
O álbum é apresentado no Museu do Fado, na quinta-feira, às 19:00, acompanhado por Fernando Silva, na guitarra portuguesa, Carlos Macieira, na viola, e Paulo Ramos, na viola baixo.
Dos 14 temas que compõem o alinhamento do CD, incluem-se duas parcerias, com Rão Kyao, nos fados “O meu amor” (Rosa Lobato de Faria/R.Kyao) e “Fado Rão Kyado” (Rogério Oliveira/R.Kyao), e com Lenita Gentil, com quem gravou dois álbuns em duo “Fado para dois (I e II)”. Desta parceria com Lenita Gentil, Natalino de Jesus escolheu “Fado para Dois” (César de Oliveira/Rogério Bracinha/João Vasconcelos), e “Lisboa ao Entardecer” (Jan Tisky/R. Oliveira).
Questionado sobre a introdução das flautas de Rão Kyao no fado, Natalino de Jesus realçou que “o Rão [o] vem enriquecer”.
“Esta participação do Rão, ou até de um violino, num preenchimento [musical] não descaracteriza, pois está lá a essência fadista: a guitarra, a viola, a poesia... Agora cantar fado com outros ritmos que nada têm a ver com fado”, acrescentou em tom de crítica.
Natalino de Jesus alvitrou ainda que, se o fado se candidatasse agora, à UNESCO, "provavelmente, não seria Património Imaterial da Humanidade”.
“Hoje não se distingue um concerto de fado de um concerto de música ligeira, acho que são muito semelhantes”, argumentou.
“Não sou a favor do que se está a passar neste momento no fado. O fado pode absorver um ou outro instrumento, mas não pode ser descaracterizado e, neste momento, julgo que está a ser descaracterizado. Se não recuarmos e não pusermos travão nisto, não sei qual o seu futuro”, advertiu.
O criador de “Pregão d’uma Florista”, um dos temas incluído no CD, realçou que esta preocupação não é apenas sua, mas partilhada com outros músicos do universo fadista.
Quanto à participação do músico Rão Kyao declarou: “É um fadista, tem composto imensos fados, é um apaixonado pelo fado, e é um fadista a tocar”.
Do alinhamento, entre outros, fazem parte duas homenagens a fadistas que admira e de quem canta um fado, “Eh pá do Fado” (Fernando Farinha/Maria José Lopes), de Fernando Farinha, e “O meu amor”, que é uma criação de Manuel de Almeida.
“Esta é uma forma humilde e de homenagear quem deixou obra e é uma referência para mim”, justificou.
Natalino de Jesus profissionalizou-se como fadista aos 15 anos, após ter vencido a Grande Noite do Fado de Lisboa, em 1985, tendo desde então gravado mais de 200 temas, em vários discos.
O fadista faz um balanço positivo da sua carreira: “Continuo em atividade, com público e faço o que gosto”.
“Sinto-me privilegiado, porque o que mais gostava de fazer na vida é aquilo que eu faço”, sublinhou.

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