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As exéquias do fadista João Ferreira-Rosa, que morreu hoje aos 80 anos, no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, realizam-se em Lisboa, na igreja de S. Sebastião da Pedreira, onde na segunda-feira, a partir das 18:00, se realiza o velório.

Na terça-feira é rezada missa de corpo presente, pelas 14:30, seguindo o funeral para o cemitério do Alto de S. João, onde se efetua a cerimónia de cremação.
João Ferreira-Rosa, que morreu no domingo, foi um “irredutível defensor do fado tradicional”, que construiu um repertório marcado pela “autenticidade”, afirmou a Associação Portuguesa dos Amigos do Fado (APAF).
João Ferreira-Rosa “foi um irredutível defensor do fado tradicional, que fez uma carreira de mais de 50 anos interpretando sempre fado tradicional, autor de vários poemas, como ‘Triste Sorte’, e também de melodias, sempre no veio tradicional, como os denominados Fado Alcochete e o Fado Pintéus”, disse à agência Lusa Julieta Estrela de Castro, presidente da APAF, cita o DN.
O criador de êxitos como “Roseira Brava” e “Aquela Velha Mulher da Mouraria”, "nunca fez concessões, cantou sempre o fado tradicional, permanecendo fiel a uma escola que dignificou", disse por seu turno, o estudioso de fado Luís de Castro, autor de uma biografia de Fernando Farinha.

 

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Sobre Ferreira-Rosa, cujo “cartão-de-visita” era o tema “O Embuçado”, um poema de Gabriel Oliveira, que interpretava no Fado Tradição de Alcídia Rodrigues, Valéria Mendez, ex-professora do Conservatório do Funchal, e que colaborou na edição discográfica "Amália em Itália", saída em abril último, em declarações à Lusa afirmou: "Morreu uma luz vibrante do fado. Um mestre. Um fadista por excelência e de excelência".

Com uma carreira de mais de 50 anos, Ferreira-Rosa gravou alguns fados com letras de sua autoria, como “Triste Sorte”, “Os Lugares por onde andámos”, “Fado das Mágoas”, “Acabou o Arraial”, “Mansarda”, “Pedi a Deus” ou “Portugal Verde e Encarnado”.
Do seu repertório, entre outros fazem parte “Fragata”, um poema de Maria Manuel Cid, que gravou no fado Vianinha, de Francisco Viana, e “Os Saltimbancos”, de Isidoro Maria d'Oliveira, que interpretava no Fado Mouraria.
O fadista estreou-se no programa “Nova Onda”, da Emissora Nacional, mas a primeira vez que cantou foi aos 14 anos, em Santarém, no Teatro Rosa Damasceno, numa festa da Escola de Regentes Agrícolas de Santarém.
Em 1965, João Ferreira Rosa adquiriu um espaço em Lisboa, no Beco dos Curtumes, no bairro de Alfama, que se tornou A Taverna do Embuçado, que inaugurou em 1966, e por onde passaram nomes como Amália Rodrigues, Maria Teresa de Noronha, Beatriz da Conceição, Artur Batalha, entre muitos outros, e que se tornou “uma sala de visitas de Lisboa”. Após 20 anos à frente desta casa de fados, Ferreira-Rosa entregou a sua gestão à fadista Teresa Siqueira.
A Enciclopédia da Música Ligeira Portuguesa defini-o como de “temperamento irreverente”, que gostava de expressar as suas opiniões publicamente, nomeadamente a favor do regime monárquico, que se “afirmou como personagem singular no meio do fado de Lisboa” e com um “extremamente diminuto” percurso discográfico.
O seu último disco gravado em vida, no seu Palácio de Pintéus, nos arredores de Loures, foi um duplo CD, “Ontem, Hoje”, editado em 1996.
Ferreira-Rosa afirmou à Lusa, numa entrevista, que não gostava de gravar em estúdio, justificando os diminutos discos.
"Podia ter gravado mais até, mas aquela frieza dos estúdios apavoram-me", disse Ferreira-Rosa, que se referia ao fado como "algo profundamente sério, que teve em Amália Rodrigues a sua mais elevada expressão", e que gostava de cultivar "num espírito de tertúlia", como aconteceu muitas vezes no seu Palácio de Pintéus, ou na residência que tinha em Alcochete, no distrito de Setúbal.
Além de dois CD antológicos, “Essencial-João Ferreira-Rosa” (2004) e “O Melhor de João Ferreira-Rosa” (2008), editou quatro outros álbuns, incluindo um de atuações no extinto Wonder Bar, no Casino Estoril, e cerca de dez singles e/ou EP.
Em novembro de 2012, a Câmara Municipal de Lisboa entregou-lhe a Medalha de Mérito Municipal, grau Ouro.
João Ferreira-Rosa nasceu em Lisboa, na freguesia de S. Mamede, em 16 de fevereiro de 1937, tendo-se estreado, profissionalmente, em 1961. O fadista foi casado com a pianista Maria João Pires e em segundas núpcias com a pintora Ana Maria Botelho (1936-2016).

Fotos: DR/FMS

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