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O jornalista Luís Naves, autor, entre outros, do romance “Jardim Botânico”, coligiu, numa obra, mil frases ou, como esclarece o editor, mil citações de Vergílio Ferreira, escritor nascido há cem anos, a 28 de janeiro de 1916.

A obra, publicada pela Quetzal, intitula-se “1000 frases de Vergílio Ferreira”, mas como se lê numa nota do editor Francisco José Viegas, “não se trata de mil frases no sentido estrito – mas de mil citações, ou seja, pequenos furtos isolados à obra de Vergílio Ferreira, um dos grandes mestres portugueses do século XX”, noticiou a RTP.
As citações estão arrumadas em 16 grandes temáticas: Amor, Arte, Autobiografia, Autores, Crença, Destino, Existência, Humanidade, Irrealidade, Melancolia, Memória, Mundo, Palavra, Portugal, Povo e Sabedoria.
Realça Francisco José Viegas a “obra, tão plural e multifacetada”, de Vergílio Ferreira, “distribuída por quase todos os géneros, ao longo de mais de 50 anos (os que vão de 1943 – até à sua morte, em 1996)”.
Após a morte do autor de “Aparição”, em 1996, ano em que publicou “Cartas a Sandra”, foi editado o quinto volume de "Espaço do invisível", em 1998, e “Escrever”, em 2001.
Francisco José Viegas, editor da obra de Vergílio Ferreira, que tem sido publicada na Quetzal, argumenta que este conjunto de citações recolhidas tem por objetivo “evidenciar essa obra tão significativa, importante e atual existe para que nos possamos servir dela para nosso conforto e perturbação, como decerto seria vontade” de Vergílio Ferreira.
Entre as citações escolhidas, regista-se uma de “Conta-Corrente II”, em que Vergílio Ferreira afirma: “Temos oitocentos anos, mas somos ainda infantis. Ou somos tão coriáceos, que nada nos penetrou. O que aprendemos e viajámos ficou-nos apenas na casca”.
No título que abriu esta série diarística, em 1980, Ferreira proclamou que “o génio português não está em Camões que se exprime – é em Gil Vicente". "Aí está a nossa grosseria e galhofa, o nosso lirismo ingénuo, a basófia lusitana, a grandiloquência guerreira, a religiosidade primária, a trafulhice”.
Ainda neste capítulo sobre Portugal, escolheu Luís Naves uma citação na qual o autor de “Vagão J” escreveu no seu "Diário Inédito": “Fez-se uma reunião republicana. Assisti e pasmei como vinte anos de opressão não chegaram para educar estes bons democraticões do berro e do gesto dramático”.
Vergílio Ferreira nasceu a 28 de janeiro de 1916, em Melo, uma aldeia da Beira Alta, no concelho de Gouveia. Aos dez anos os pais emigraram para o Canadá e Vergílio ficou em Portugal, com os irmãos mais novos. Uma peregrinação ao Santuário de Lourdes, em França, influenciou o menino de 12 anos, que decidiu entrar no Seminário do Fundão, de onde saiu aos 18 anos.
A sua experiência nesta escola eclesiástica servirá de mote ao romance “Manhã submersa” (1954), que Lauro António adaptou ao cinema, em 1980, assinando o argumento com o escritor, que fez parte do elenco ao lado, entre outros, de Eunice Muñoz e Canto e Castro, Jacinto Ramos e Adelaide João.
Vergílio Ferreira não seguiu a vida religiosa, terminou os estudos no então Liceu da Guarda e matriculou-se, depois, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo concluído a licenciatura de Filologia Clássica, em 1940. Durante a vida universitária publicou alguns poemas.
Licenciado, iniciou a carreira de docente do Ensino Secundário, em Faro, tendo lecionado, entre outros estabelecimentos, nos liceus de Bragança, Gouveia. Fixou-se em Lisboa, com a efetivação no Liceu Camões.
Em 1946 casou-se com Regina Kasprzykowsky, uma polaca que se refugiara em Portugal, com quem viveu até à sua morte.
Ao longo da sua carreira, como escritor, recebeu vários prémios entre os quais o D. Dinis, em 1981, P.E.N. Clube de Novelística, por duas vezes, em 1984 e 1991, o de Ensaio, em 1993, o da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, em 1984.
Recebeu Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1987 e em 1993, respetivamente por "Até ao fim" e "Na tua face", e o Prémio Camões, em 1992.

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