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O escritor e ex-Presidente da República Manuel Teixeira Gomes (1860-1941) é “uma das personalidades mais marcantes do século XX”, afirma o historiador José Alberto Quaresma, numa biografia sobre o intelectual que é apresentada na terça-feira, dia 18.

A obra, publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, intitula-se “Manuel Teixeira Gomes — Biografia", de José Alberto Quaresma, e é apresentada pelas 18:30 no extinto Picadeiro Real (Museu Nacional dos Coches), em Lisboa, seguindo-se uma sessão de homenagem ao antigo Presidente da República, em que são oradores o jornalista António Valdemar, o escritor Nuno Júdice e o catedrático de Estudos Políticos Nuno Severiano Teixeira.
Mesta mesma cerimónia, o violoncelista Paulo Gaio Lima interpretará a Suite n.º 1 em Sol Maior, para violoncelo solo, de Johann Sebastian Bach, é apresentado o filme “Zeus”, de Paulo Filipe Monteiro, sobre o escritor e político português e o seu exílio, e feita uma leitura encenada de excertos da obra literária de Manuel Teixeira Gomes, por Silvina Pereira e Jorge Vaz de Carvalho.
Na abertura da biografia, o historiador José Alberto Quaresma afirma que “Manuel Teixeira Gomes é uma das personalidades mais marcantes do século XX” e realça que “tem as qualidades de homem esquisito — precioso, raro, primoroso, elegante, requintado, invulgar [e] excêntrico”.
“Ateu convicto” foi uma “viajante solitário” incansável, que visitava catedrais como galerias de arte, e, a meio do mandato de Presidente da República, em dezembro de 1925, quando o país atravessava uma forte contestação política e social, desiludido com a política, como escreveu, demitiu-se do cargo, para se dedicar à literatura.
O estadista autoexilou-se na Tunísia, para onde partiu nesse mesmo mês, no navio holandês Zeus, tendo morrido em Bougie, aos 81 anos. Os restos mortais do antigo Chefe de Estado regressaram ao país, em 1950, tendo sido depositados, em Portimão, a sua cidade natal.
Na juventude conviveu com intelectuais como Fialho de Almeida, João de Deus, algarvio como ele, Marcelino Mesquita e, mais tarde, conviveu no Porto com Sampaio Bruno. Nesta cidade iniciou-se nas lides literárias, nomeadamente colaborando em publicações como O Primeiro de Janeiro, Folha Nova, Arte & Vida ou Atlântida. Correspondeu-se, entre outros, com Columbano Bordalo Pinheiro, nomeadamente durante o exílio.
Segundo o seu biógrafo, Teixeira Gomes “não raro se deixa guiar pelas mãos do acaso”. "Foi um “comerciante de olho vivo”, que acumulou fortuna e esbanjou-a em “todos os prazeres”.
“Frequenta o melhor do seu tempo, hotéis, restaurantes, botequins, prostíbulos. Visita insistentemente exposições, teatros, salas de concertos, museus, bibliotecas. Coleciona com paixão inúmeras obras de arte”, escreve José Alberto Quaresma, acrescentando que Teixeira Gomes falou e escreveu sobre tudo “com sensibilidade, humor [e] sólida erudição”.
“É, pelo engenho no manejo da língua portuguesa, um dos maiores escritores da primeira metade do século XX. Dissolve e recria na escrita, de forma insuperável, as paisagens e as vidas que o emocionam. A sua obra literária é um deslumbre para os sentidos”, afirma o historiador.
Manuel Teixeira Gomes, republicano convicto, enveredou pela carreira diplomática, e participou nas negociações do reconhecimento internacional da República e da entrada de Portugal na I Grande Guerra (1914-18).
Foi um “ativo participante dos fóruns posteriores, decisivos para o futuro da Europa e do mundo, chegando a vice-presidente da Assembleia-Geral da Sociedade das Nações, antecessora da Organização das Nações Unidas”.
Teixeira Gomes foi o 7.º Presidente da República e mostrou-se “tão empenhado quanto cético”. “Cansado de políticos, militares e gente em quem não acredita, abandona a meio o mandato e o país”.
O autor afirma que esta biografia “caminha como uma narrativa a duas vozes: a do biógrafo, bisbilhotando com curiosidade velada em milhares de documentos durante oito anos, e a do biografado, cioso dono do seu destino, que a deixa ecoar, com surpreendente atualidade, em manuscritos, correspondência, textos ensaísticos, crónicas e livros”.
"Sabina Freire", "Gente Singular", "Novelas Eróticas", "Regressos", "Carnaval Literário", "Agosto azul", "Inventário de Junho", "Cartas sem Moral Nenhuma", "Londres Maravilhosa" são alguns títulos de Manuel Teixeira Gomes.
A sua vida foi abordada igualmente por autores como Urbano Tavares Rodrigues ("Manuel Teixeira Gomes: o discurso do desejo", "A vida romanesca de Teixeira Gomes"), José Tengarrinha ("Teixeira Gomes na grande encruzilhada") e Norberto Lopes ("O exilado de Bougie").

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