Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




 

 

O livro “1914 – Portugal no ano da Grande Guerra”, de Ricardo Marques, relata o quotidiano português no ano em que a I Guerra Mundial começouA narrativa de Ricardo Marques ilustra com factos e curiosidades como se vivia em Portugal, quatro anos depois de derrubada a Monarquia, numa República ainda tibuteante. Um país com mão de obra infantil, em que o médico Alfredo da Costa insistia que os nascimentos de crianças se deviam fazer num hospital especializado e o higienista Ricardo Jorge se preocupava em não dar tréguas ao surto de tifo que afetava Portugal.
A obra, dividida em cinco capítulos, incluindo um sobre a participação portuguesa no conflito mundial, apresenta uma narrativa que tece um paralelo entre o que se passava no país e o que acontecia na Europa. Por exemplo, no dia 28 de junho de 1914. quando o herdeiro do trono imperial austro-húngaro foi morto em Sarajevo, o arquiduque Francisco José, facto que viria a desencadear o conflito bélico, em Lisboa, “o Senado aprovou os orçamentos dos ministérios da Justiça e das Colónias” e, em Matosinhos, “o bispo do Porto administrou a Crisma a 200 crianças, ignorando a ameaça de protestos que circulava há dias”.
A primeira parte é sobre “Ciência e natureza”, e descreve Lisboa como “uma cidade suja”, refere as preocupações com a canalização de água; trata do mau tempo, que derrubou cedros ancestrais na mata do Buçaco, e da quarta cesariana que se realizou em Coimbra, dando conta que “correu bem”.
O segundo capítulo é sobre a “Vida Pública” e refere as "lutas e reivindicações dos trabalhadores”, da questão do ensino no contexto republicano e recém-aprovada da Lei de Separação do Estado das Igrejas.
O terceiro capítulo é dedicado à “Vida Privada” e revela as partidas de ténis das senhoras e o “tráfico de brancas”, mulheres colocadas na prostituição, em que as criadas de servir “davam maiores lucros aos traficantes”.
O autor, jornalista de profissão, refere ainda os divertimentos, a procura de praia e sol, a moda e o desporto, em que o futebol já mobilizava "milhares de pessoas”, mas “havia quem se queixasse dos abusos de linguagem e da violência entre os jogadores”.
A quarta parte é dedicada ao “mundo” destacando a morte do Papa Pio X, ao qual sucedeu Bento XV, e dos ataques dos piratas chineses às costas da então colónia de Timor-Leste, ou em Goa, então Estado Português da Índia, na Escola Médica, onde se matriculava Lucinda Pinto, a primeira mulher ali a estudar.
Finalmente, a última parte é dedicada ao esforço de guerra de Portugal, quando, numa sexta-feira, em frente às “centenas de pessoas nas galerias do parlamento, tão caladas como os 79 deputados e os membros do ministério”, Bernardino Machado apresentou o projeto de lei que permitiria todos os poderes excecionais, incluindo, “perante a situação externa”, a participação das tropas portugueses, ao lado das do Reino Unido, França e Itália, no conflito armado.
Portugal escolhera um lado do conflito, contra os Impérios da Alemanha e da Áustria-Hungria, mas “havia quem não concordasse”, "vários setores da sociedade opunham-se à participação".

Autoria e outros dados (tags, etc)




Bem-vindo


Parcerias


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Visitas

Flag Counter