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A catedrática de Literatura Teresa Rita Lopes defende na obra “Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, corresponde na realidade a “três monólogos”.

“No plural? - Será a primeira surpresa [sobre a obra]. É verdade: o 'Livro [do Desassossego]' é três livros, assinados por três autores, perfeitamente diferenciados: o primeiro, por Fernando Pessoa que, a certa altura, nomeou Vicente Guedes seu representante, o segundo, pelo Barão de Teive, e o terceiro, por Bernardo Soares”, explicou à Lusa a autora.
“Os três monólogos do(s) Livro(s) do Desassossego são agora restituídos aos seus verdadeiros autores, num gesto que resgata as intenções de Pessoa”, realçou a autora.
“Não há apenas um 'Livro do Desassossego', mas antes três Livros do Desassossego, que dão voz (e palavras) a três autores distintos: o jovem artista Vicente Guedes, decadente, 'dandy' e 'blasé'; o frio Barão de Teive, dono de uma surpreendente austeridade de pensamento e de linguagem; e Bernardo Soares, que, apesar de ser um simples ajudante de guarda-livros da Baixa lisboeta, se tornou o semi-heterónimo pessoano mais conhecido e reconhecido, desde que se manifestou pela primeira vez, em 1929”, reforçou à Lusa fonte da Global Editora, que chancela a obra.
“Apresentar os escritos de Vicente Guedes como se tivessem saído da pena de Bernardo Soares – equívoco em que caem várias edições anteriores desta obra – equivale a confundir as falas de diferentes atores e a criar uma cacofonia literária”, acrescentou a mesma fonte editorial.
A obra “Livro(s) do desassossego”, de Teresa Rita Lopes, é apresentada na quinta-feira, às 18:30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, numa conversa entre a autora e o poeta e crítico literário António Cortez.
Também poetisa, dramaturga, investigadora literária e ensaísta, Teresa Rita Lopes nasceu em Faro, mas, em plena ditadura do Estado Novo (1933-1974), decidiu radicar-se em Paris, onde foi professora na Universidade da Sorbonne Nouvelle, entre 1969 e 1982.
Após o 25 de Abril de 1974, regressou a Portugal, tendo participado na fundação da Universidade Nova de Lisboa, onde, desde 1979, leciona Literaturas Comparadas.
Colabora regularmente em diversos jornais e revistas nacionais e internacionais, e é apontada como uma das especialistas de Fernando Pessoa, tendo publicado vários escritos inéditos do poeta e coorganizado edições críticas da sua obra.
Tanto no domínio do ensaio e do teatro, como no universo do conto e da poesia, a escritora obteve já diversas distinções, nomeadamente o Prémio Cidade de Lisboa (1988), o Prémio Eça de Queiroz (1997), o Prémio Pen Club (1990) e o Grande Prémio de Ensaio UNICER/Letras e Letras (1989).

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