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Liana atua na terça-feira, na Casa da Música, no Porto, num espetáculo em que apresentará, entre outros, os temas do seu mais recente álbum, “Embalo”, editado em 2014.

“Do alinhamento fazem parte temas do ‘Embalo’, mas também outros. Entre os temas fortes temos a ‘Estrela da tarde’, o ‘Naufrágio’ e o ‘Sombra’ que não foram editados no CD, e os ‘Altos castelos’, ‘Disse-te adeus e morri’, ‘Segredos’ e ‘É Pecado’”, disse à Lusa fonte da produção do espetáculo, cita o Noticias ao Minuto.
A fadista é acompanhada, à guitarra portuguesa, por António Dias, à guitarra clássica, por António Neto e, no contrabaixo, por Jorge Carreiro.
Liana que tem já agendados espetáculos no Bahrain, nos dias 04 e 05 de março, no Emirado do Dubai, no dia 06 de março, no Líbano, no dia 07 de março e, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, no dia 19 de março.
Numa entrevista à Lusa, em 2014, Liana afirmou que “Embalo”, no qual canta alguns temas de sua autoria, é álbum que a define “como fadista e até como pessoa”.
“Este CD é uma definição de carreira e até pessoal. Não tinha um CD que me definisse enquanto cantora, um registo do que efetivamente sou, daquilo que gosto, não tinha nada que me identificasse como cantora a solo, apesar de gostar muito dos trabalhos que fiz com o Stockholm Lisboa Project, mas [no qual] não sou eu inteiramente”, disse.
“Independentemente da aceitação do álbum, do seu caminho, precisava, por mim, deste registo. Não há aqui ambição desmedida, não há tentativa de provar nada, é simplesmente o que gosto de cantar, da forma como o faço e como me entrego, apesar de ser em estúdio”, acrescentou, já que prefere cantar em espaços com público.
O álbum é constituído por treze temas, em “ambiente de fado tradicional”, e uma faixa extra, “Fado da despedida (Lisboa foi meu fado)”, que interpretou no musical “Fado, História de um Povo”, de Filipe La Feria.
Liana cantou pela primeira vez no dia 19 de março de 1989, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Desde então participou em vários concursos, tendo ganhado quase todos em que participou - 12 em 13 -, nomeadamente, por duas vezes, a Grande Noite do Fado de Lisboa, em 1994 e 1996, respetivamente nas categorias juvenil e sénior.
Em 2000, venceu o Festival RTP da Canção, foi convidada do Stockholm Lisboa Project, um ensemble luso-sueco de “world music”, e participou em musicais de Filipe La Feria.
A escolha decisiva pelo fado deu-se quando venceu o Festival RTP. “Uma escolha sem qualquer lamento. Na altura tinha a hipótese de enveredar pela canção, que tinha outro tipo de portas abertas, porque é claro que, aos nove anos, foi uma brincadeira, ainda não tinha consciência do que me estava a meter”.
“O contexto que circundava o fado, antes de 2000, era complicado, o fado não passava para o quotidiano da música. Eu gravei trabalhos que tinham o público das associações, dos meios restritamente fadistas, mas não chegava ao grande público, e havia muito menos nomes de nomeada que há agora”, recordou.
“Na primeira década do século XXI, há muito mais nomes conhecidos do grande público, do que na década anterior, isto é um facto”, referiu.
“Anteriormente, não bastava o talento, era necessário haver umas componentes de carreira muito bem estudadas”, argumentou.
“O fado deu o salto com a orfandade de Amália Rodrigues, foi depois da morte da fadista em 1999, que o fado começou a expandir-se. Eu vivi um tempo em que este género não era acarinhado pelo público como é hoje. Na escola era sempre gozada por cantar fado, as discográficas não estavam interessadas em gravar discos de fado”, sentenciou então a fadista de 35 anos.

Foto: DR/FMS

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