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O guitarrista José Manuel Neto atua na sexta-feira, dia 22, no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, onde irá antecipar alguns temas do seu primeiro disco e recordar grandes mestres como Armandinho e Francisco Carvalhinho.

Em declarações à Lusa, o músico, de 43 anos, não escondeu um “certo nervosismo que sente” antes do espetáculo, em que será acompanhado pelos músicos Carlos Manuel Proença, na viola, e Daniel Pinto, na viola baixo, e para o qual convidou os fadistas António Rocha e Ricardo Ribeiro, o flautista Rão Kyao, noticiou a RTP.
“Por estranho que pareça nós, quando acompanhamos, estamos na sombra e gostamos de estar nessa sombra, gostamos de acompanhar, quando chegamos lá à frente, é diferente, mas estou confiante que vai correr bem, pois já fiz outros concertos a solo, como no festival ‘Aqui mora o fado’ ou no Teatro S. Luiz [ambos em Lisboa]”, afirmou.
Referindo-se aos convidados afirmou: “António Rocha é uma biblioteca viva, e foi fundamental no meu início de carreia, e o outro, muito mais novo, até que eu, Ricardo Ribeiro, é um fadista de mão cheia. Os dois [são] cultores do fado tradicional, e junto [assim] a tradição e modernidade do fado”.
Rão Kyao - prosseguiu - consegue que a sua flauta seja uma voz fadista, que é o que eu tento com a minha guitarra. Ele consegue dar uma voz à sua flauta com todos os cambiantes que o fado precisa e é uma verdadeira voz de fado”.
Carlos Manuel Proença e Daniel Pinto são companheiros de viagem de há muitos anos de casas de fado e de palcos.
Para o músico, “a guitarra portuguesa pode sobreviver sem o fado, pois pode tocar a solo em qualquer género musical, mas não se pode é dissociar o fado da guitarra portuguesa. São familiares, pois nasceram juntos”.
“Não há nenhum instrumento que possa substituir a guitarra portuguesa no fado. A guitarra portuguesa tem um som único. Ela pode existir sem o fado, mas o fado não pode existir sem ela. Eu próprio não sei se gosto mais de tocar a solo ou a acompanhar”, disse.
José Manuel Neto acompanha habitualmente Camané, mas também outros nomes do fado como Maria Amélia Proença, Maria da Fé, Carlos do Carmo, Mariza, Ana Moura, Aldina Duarte, Cristina Branco ou Mísia.
Filho da fadista Deolinda Maria, a sua história com a guitarra portuguesa começou aos nove anos, quando lhe ofereceram uma e aprendeu a tocar o Fado das Horas, de Maria Teresa de Noronha.
“Depois ficou como um outro brinquedo qualquer, onde eu fazia sons que ouvia na televisão, que tinha na cabeça, ou procurava reproduzir as músicas dos desenhos animados”, contou.
Edgar Nogueira foi o músico que lhe ofereceu o instrumento e ensinou o Fado das Horas. Depois, o guitarrista Manuel Martins foi quem lhe ensinou a técnica, mas o guitarrista Manuel Mendes, falecido em 2009, é uma referência para si e um mestre "para quase todos", acrescentou. Outro mestre de José Manuel Neto foi o violista José Inácio, falecido em 2005.
A “história [de tocar guitarra portuguesa] tornou-se mais séria quando a mãe abriu uma casa de fados no Bairro Alto", onde José Manuel Neto começou a tocar e onde encontrou José Inácio, que o iniciou na arte - "os tons, a afinação, as primeiras guitarradas".
“Da minha geração, acho que sou só eu. O Paulo Parreira e o Carlos Manuel Proença são cinco anos mais velhos que eu, e agora já há muita gente mais nova a tocar, e tocar bem”.
Para o músico, “tocar nas casas de fado é uma tarimba importante, pois é uma ferramenta para aprender - só soma tocar para muita gente”.
“Hoje só não toco numa casa de fados porque, de facto, a agenda não me deixa”, desabafou o músico.
Do programa a apresentar no palco grande de Belém, fazem parte algumas melodias do seu primeiro álbum a solo, a sair entre fevereiro e princípios de março próximos, nomeadamente “Chorinho do norte”, de Tiago Machado, e as guitarradas de “grandes mestres”, algumas que também fazem parte do alinhamento do CD, como de Armandinho, “o mestre dos mestres”, Jaime Santos, José Nunes, Francisco Carvalhinho, que ainda chegou a ouvir tocar, Fontes Rocha, entre outros.
Segundo o Museu do Fado, José Manuel Neto "desenvolveu um estilo próprio marcado pela fluidez, versatilidade e simplicidade frásica que caracteriza a melhor música popular".
O concerto do músico insere-se no projeto "Há fado no cais", uma parceria entre o CCB e o Museu do Fado, que tem levado aos palcos de Belém fadistas e músicos como Marco Oliveira ou Luísa Rocha,entre outros.

 

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