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Seis fadistas, todos com mais de 50 anos de carreira, entre eles António Rocha e Maria Amélia Proença, atuam na próxima sexta-feira, dia 27, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.
“Neste concerto reúnem-se vozes veteranas do fado, homens e mulheres, com estilos absolutamente distintos e que deixaram escola neste universo musical”, afirma, em comunicado, o Museu do Fado.
Intitulado “Os Mestres”, o espetáculo, no âmbito do projeto “Há Fado no Cais”, uma parceria entre o Museu do Fado e o CCB, apresenta António Rocha, Artur Batalha, Filipe Duarte, Nuno de Aguiar, Maria Amélia Proença, Maria Armanda, Maria da Nazaré e Cidália Moreira.
Os fadistas são acompanhados pelos músicos Ângelo Freire, na guitarra portuguesa, Diogo Clemente, na viola, pelo diretor musical do espetáculo, Marino de Freitas, na viola baixo, e ainda por um quarteto de cordas.
Maria Amélia Proença começou a cantar o fado ainda menina, tendo ganhado a Taça Amália Rodrigues aos oito anos, e, 65 anos mais tarde, o Prémio Amália Rodrigues Carreira, em 2011. A fadista assinala a presença praticamente em todos os elencos das casas de fado, nomeadamente o Café Luso, considerado “a catedral do fado”, que a homenageou em 2014, o Café Mondego, Os Marialvas, Adega Mesquita, Solar da Madragoa, Senhor Vinho, e atualmente, na Parreirinha de Alfama, além de várias atuações no estrangeiro, nomeadamente no Concertgebouw, em Amesterdão, onde foi a primeira portuguesa a atuar depois de Amália Rodrigues e Maria João Pires.
António Rocha, também poeta, aos 13 anos conquistou o 1.º lugar do concurso do jornal Ecos de Portugal (1951) e foi eleito “rei do fado menor” em 1959, tendo voltado a ser “coroado” oito anos mais tarde como “Rei do Fado”, resultante de um concurso da revista Plateia, paralelo ao dos Reis da Rádio. Recentemente o fadista gravou um CD ao vivo nas Arcadas do Faia, sob a direção do maestro Paul van Nevel, que regularmente o convida para participar em espetáculos além-fronteiras, designadamente no Festival Laus Polyphoniae, em Antuérpia, na Bélgica.
Filipe Duarte entrou no meio fadista em finais da década de 1950 através do poeta João Linhares Barbosa, que o apresentou à fadista Lucília do Carmo e o convidou para ficar a cantar no seu restaurante, O Faia.
Artur Batalha iniciou carreira aos 14 anos, na Taverna do Embuçado, uma casa de fados em Alfama, que era dirigida pelo fadista João Ferreira-Rosa. Em 1971, venceu a Grande Noite do Fado no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Em 2010 gravou com Mariza o tema "Promete, Jura".
Maria da Nazaré recebeu o Prémio Carreira da Casa da Imprensa, em 2003, e o Amália para a Melhor Intérprete em 2013. Maria da Nazaré começou cedo a cantar e aos 17 foi contratada pela ex-Emissora Nacional, onde atuou com regularidade, nomeadamente no programa “Serões para Trabalhadores”.
Maria Armanda editou no ano passado um novo álbum e completa, em 2017, 50 anos de carreira artística, contando como início de carreira a sua participação na Grande Noite do Fado, em Lisboa, em 1967, ano em gravou o primeiro vinil de 45 rotações “O Meu Soldadinho”. Esta fadista fez parcerias com poetas como José Carlos Ary dos Santos, autor de “Mãe Solteira” e “Criança Negra”, e Mário Rainho, autor, entre outros, de “Os Loucos” e “Velho Marinheiro”.
Nuno de Aguiar é o nome artístico de Concórdio Henriques de Aguiar, que começou a cantar, como a maioria dos seus companheiros de palco, em criança, mas profissionalizou-se em 1960, depois de ter ganhado o concurso "Primavera no Fado”, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Um dos seus maiores êxitos é o fado “Bairro Alto”, do qual é autor da melodia, segundo o Museu do Fado. O fadista assina, aliás, outros temas do seu repertório como a letra de "Trindade do nosso fado".
Cidália Moreira, Prémio Amália Rodrigues Melhor Intérprete em 2005, iniciou a carreira, profissionalmente, em 1963, no restaurante típico A Viela, em Lisboa. “Os rios correm para o ar”, “Falta aqui uma ceifeira”, “Lisboa meu amor”, "Amar, amar, perdidamente" são alguns dos seus êxitos.

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