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“Gosto da Parreira”, uma homenagem a Argentina Santos, é o espetáculo que se realiza no dia 11 de abril no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, e que será o primeiro espetáculo de fado com recurso à linguagem gestual, segundo anunciou a organização.

A homenagem, uma iniciativa da Parreirinha de Alfama, casa à frente da qual Argentina Santos esteve mais de meio século, insere-se no projeto “Há fado no cais” do Museu do Fado e do CCB, e conta com a participação, entre outros, dos fadistas Celeste Rodrigues, Maria Armanda, Rodrigo e Ricardo Ribeiro.

“Uma homenagem que se justifica pela forma como Argentina Santos marcou o meio fadista, uma voz à qual muitos se referiram, e justamente, como um pregão de Lisboa”, disse à Lusa, citado pelo Diário de Notícias, o guitarrista e compositor Paulo Valentim, que com o violista Bruno Costa, está, desde o ano passado, à frente da Parreirinha de Alfama.

O elenco, justificou o músico, “é constituído por alguns dos muitos nomes que Argentina Santos, que estará presente, gosta de ouvir, incluindo fadistas que, atualmente, atuam n'A Parreirinha, como por exemplo Sérgio Silva e Joana Veiga”.

Sobre Celeste Rodrigues, por exemplo, Argentina Santos afirmou numa entrevista que tinha “uma caixinha de música na garganta”.

Completam o elenco de “Gosto da Parreirinha. Homenagem a Argentina Santos” Raquel Tavares, que é do bairro de Alfama, Marco Rodrigues, Jorge Fernando, que tantas vezes atuou com Argentina Santos no estrangeiro, Pedro Moutinho e Sara Correia.

Os fadistas serão acompanhados por José Manuel Neto, na guitarra portuguesa, José Elmiro Nunes, na viola, e Daniel Pinto, na viola baixo, e todos os interpretarão um fado do repertório de Argentina Santos.

A carreira de Argentina Santos, de 91 anos, e a história da Parreirinha, que começou por ser uma taberna onde acontecia fado, confundem-se.

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A fadista esteve à frente da casa de fados desde 1950 até princípios deste século, tendo-se tornado “uma referência gastronómica e do fado tradicional, por onde passaram algumas das melhores vozes como Celeste Rodrigues, Berta Cardoso, Alfredo Marceneiro, Fernanda Maria, Mariana Silva, Beatriz da Conceição, Lina Maria Alves, Lucília do Carmo, António Mourão, Maria da Fé, entre outras”, disse Paulo Valentim, acrescentando que “esta é a linha que atualmente se segue, servindo a excelente gastronomia portuguesa, e apresentando fado, com algumas vozes de referência, como Maria Amélia Proença”.

Em 2010, Museu do Fado escreveu que, ao confinar grande parte do seu percurso à Parreirinha de Alfama, Argentina Santos “fez também da sua casa uma autêntica oficina de fados, cenário de afetos e palco da cumplicidade criativa de poetas, músicos e fadistas”.

Em 2003, na 52.ª Grande Noite de Fado, a Parreirinha de Alfama recebeu o Prémio Casa de Fado da Casa de Imprensa.

Referindo-se à criadora de “Chico da Mouraria”, o Museu do Fado assevera: “o seu fado tem a força de um pregão e a contenção de uma prece. Neles se combinam autenticidade humana e artística em perfeita simbiose. Destemido, o fado de Argentina Santos não conhece subterfúgios ou cedências. Basta-lhe ser autêntico”.

A fadista começou a carreira aos 24 anos “por mero acaso, quando, a pedido de uma pessoa que ia à Parreirinha, entrou numa desgarrada por brincadeira”, como contou numa entrevista à Lusa, em 2007.

“Depois foram pedindo e comecei a cantar, mas ainda hoje, o que gosto mais é de cozinhar que cantar”, afirmou na mesma entrevista.

Gravou o seu primeiro disco em 1960, na Estoril Discos, e atuou, entre outros palcos, no Queen Elizabeth Hall, em Londres, na Cité de la Musique, em Paris, na catedral de Marselha, em França, no Festival de Edimburgo, na Escócia.

A criadora de “Vida vivida” foi alvo de uma homenagem, em 2004, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e no ano seguinte recebeu o Prémio Amália Carreira, sendo patrona da Academia do Fado em Racanati, na Itália, que ela própria inaugurou.

Data de 2002 o seu mais recente disco, editado pela CNM, e em 2009 participou no álbum de Filipa Cardoso, com quem interpretou “Fado da Herança”. Nesse ano Argentina Santos sofreu um AVC, o que a levou a afastar-se dos palcos.

A fadista foi distinguida, em 2013, pelo Presidente da República com a comenda da Ordem do Infante e, no dia 02 de julho de 2010, numa homenagem no Teatro Municipal S. Luiz, recebeu a Medalha de Ouro da cidade de Lisboa.

 

 

Foto: José Frade/FMS

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