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A Fundação Manuel Simões apresenta na quinta-feira, dia 30 de outubro, às 19:00, aquela que é a primeira biografia do fadista Manuel Fernandes (1921-1994), criador de inúmeros êxitos, entre eles, “Bairro Alto velhinho”, “Lar português” e “Marcha Fadista”.

A apresentação conta com a atuação da fadista Sandra Marques, neta de Manuel Fernandes, que será acompanhada por Arménio de Melo (guitarra portuguesa) e Carlos Macieira (viola) e, paralelamente, é inaugurada, também no Museu, uma exposição alusiva à carreira do criador de “Senhor Mundo”.

A biografia, intitulada “Manuel Fernandes – uma história por contar”, é de autoria de Julieta Estrela de Castro e Nuno C. Lopes, o design de João Queiroz, que assinou a edição de “Maria Teresa de Noronha – O último programa na Emissora Nacional” (2012), e conta com um CD com algumas das gravações do fadista na Estoril.

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Manuel Fernandes morreu há 20 anos, deixando um espaço vazio no meio musical, mas não na memória de quantos o ouviram e lidaram com ele, como Manuel Simões que foi dos primeiros a gravar em disco a sua voz, e assim que surgiram as novas tecnologias, remasterizou a gravação e disponibilizou-a em CD. Será com este editor que obtém um dos seus primeiros grandes sucessos, "Sabe-se lá meu amor".

Manuel Simões recordou sempre o “trato educado” - “um cavalheiro”, afirmava -, e “a voz magnífica cheia de cambiantes e sem qualquer esforço”. Um artista do qual guardou sempre as melhores recordações, nomeadamente pela camaradagem e por “ser atento aos outros”, lembra na nota introdutória Rosa Amélia Piegudo, presidente da FMS.

A imprensa dá testemunho da enorme popularidade de Manuel Fernandes, conehcido também como o "Rei do Assobio", nascido e criado no bairro de Campo de Ourique, onde na década de 1970 abriu um tabacaria.

“Onde há hoje cantador de fados mais cheio de qualidades, mais verdadeiro, mais fadista que Manuel Fernandes?”, questionava em 1945, no jornal Guitarra de Portugal, o poeta e jornalista Francisco Radamanto.

Em 1956 o poeta Silva Nunes escreveu no jornal Voz de Portugal, que “Manuel Fernandes canta numa verdadeira atitude de soberania na essência da sua voz, provando assim merecer lugar que de jus ocupa na grande craveira artística”.

Em 1965 a revista Plateia afirmava, “artista dos mais populares, Manuel Fernandes parece ter descoberto o segredo da manutenção da forma ideal, conservando-se, longos anos - apesar de ser ainda um jovem - num plano de invejável realce.

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A atual edição, “Manuel Fernades – uma história por contar”, pretende resgatar a memória do enorme fadista que foi Manuel Fernandes, e faz uma proposta biográfica e artística do criador de “A Vassourinha”, entre outros êxitos.

Os autores, Julieta Estrela de Castro estreou-se como fadista em 1957, no Café Luso, em Lisboa, depois de ter sido uma das vencedoras do concurso “Rainha das Cantadeiras”, promovido pelo jornal Voz de Portugal. Atualmente preside à Associação Portuguesa dos Amigos do Fado (APAF) de que foi uma das fundadoras.

No âmbito da APAF, entre outras iniciativas, esteve ligada à comemoração dos 200 anos da Guitarra Portuguesa, às homenagens a Mª. Teresa de Noronha, “O Fado no Teatro”, à efeméride dos 150 anos da morte de Maria Severa.

Em 2000 regressa definitivamente aos palco fazendo parte do elenco deo Auto Poético-Fadista “O julgamento do Chico do Cachené”, de Linhares Barbosa, que faz parte do cartaz do I Festival das Músicas e dos Portos, realizado em Lisboa. Nesse mesmo ano abre em Alfama o restaurante Fado Maior, onde atua regularmente. Em 2005 participou no Festival Éclats de Voix em Auch. Nuno C. Lopes, licenciado em História, pela Faculdade de Letras de Lisboa, jornalista, tem colaborado com o Museu do Fado, o da Música, a Fonoteca Municipal de Lisboa e a APAF; coordenou, no âmbito da APAF, o ciclo dos 150 anos da Morte de Maria Severa (1996), as Jornadas de Fado na Fonoteca Municipal (1997-2010), o ciclo “Sentir a alma dos poetas” (2004), entre outras iniciativas.

No Museu do Fado coordenou e apresentou entrevistas com público com Maria Amélia Proença, Carlos do Carmo, Donald Cohen entre outros, e realizou o programa de encerramento da exposição sobre Berta Cardoso.

De 1999 a 2002 fez parte da equipa do Instituto Camões, tendo sido o coordenador do “Encarte” do Instituto, inserido no Jornal de Letras, Artes & Ideias.

 

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A obra, com fotos e documentos inéditos, divide-se em cinco partes: “Tipógrafo e Fadista”, “Enormíssimo fadista”, “A Vassourinha” , “Bodas de Prata” e “Uma carreira de sucessos”, abarcando os cerca de 50 anos de carreira artística.

Na nota, Nuno C. Lopes afirma que os autores deste trabalho propuseram-se contar a história de Manuel Fernandes, “à sua maneira, com base na documentação existente, dos testemunhos de muitos que conviveram com o fadista, etc.”, e adverte: “mas sabemos que esta é essencialmente uma hipótese de trabalho. Nós iniciámos um caminho cuja paisagem é bem mais vasta com muito ainda por desbravar”.

Uma narrativa, prossegue o investigador, “tendo em conta as fontes disponíveis e tangibilidade do tempo. Homem trabalhador, que apesar da carreira de estrondoso sucesso, prezou sempre mais a família”.

“A história de Manuel Fernandes só pode ser verdadeiramente compreendida no amplo quadro de uma história das artes do espetáculo e da música ligeira em Portugal, que está ainda por fazer”, remata Nuno C. Lopes.

10732340_370728746417187_43801441_o.jpgFotos: Museu do Fado/Arq. Part./FMS

 

 

 

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