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A obra “O livro dos fados – 180 Fados Tradicionais em partituras”, de António Parreira é apresentada no Museu do Fado, a Alfama, em Lisboa, no dia 12 de março, às 19:00 (http://www.museudofado.pt/calendario/detalhes.php?id=375).

O guitarrista António Parreira toca há mais de 40 anos, e transcreveu 180 melodias de fados tradicionais, que habitualmente eram “passadas 'por ouvido', de geração em geração”, fixando as suas partituras, explicou o músico.

O livro dos fados” passa a guardar as partituras de diferentes melodias fadistas tradicionais, do Fado Acácio ao Fado Zirita, passando pelos fados Bizarro, Cigano, Fé, Laranjeira e Zé Negro, entre outros.

Todavia, como exemplifica no livro, “nem tudo se canta numa melodia, e a cada melodia corresponde um tipo de estrofe e a respetiva métrica dos versos".

O Fado Adiça, de Armando Augusto Freire, popularmente designado "Armandinho", é cantável em quadras que tenham uma estrutura métrica de versos em heptassílabo (“setessílabo”, na gíria fadista), o "Fado Azenha", de Frederico de Brito, é aplicável a sextilhas, na mesma métrica, o “Marana”, de Armando Machado, para quadras em dodecassílabo, e o “Maria Emília”, de Miguel Ramos, para quintilhas em heptassílabo, entre outros.

As melodias tradicionais fadistas aplicam-se aos três tipos clássicos de estrofes – Quadras, Quintilhas e Sextilhas – e às diferentes métricas de versos – alexandrinos, decassílabo, heptassílabo e dodecassílabo -, no caso do heptassílabo é também considerado o setessílabo, versículo, que à quadra se acrescentam três sílabas.

Com a variante de versículo são citados, entre outros, os fados Cruz de Guerra, de Miguel Ramos, para quadras, o “Maria Marques”, de Marceneiro, também para quadras ou, ainda, deste autor, o “Pierrot” para quadras, e o Bailado, para quintilhas.

No Fado Bailado, por exemplo, além da composição que lhe deu nome, cuja letra é de Henrique Rego, é também interpretado, entre outros, “Estranha forma de vida”, de Amália Rodrigues.

Para cada melodia pode-se sempre interpretar novas letras, desde que respeitem a respetiva estrutura estrófica e métrica, havendo ainda os casos, não contemplados neste livro, de poemas cantados no fado com música própria, muito habitualmente os sonetos - cite-se “Caravelas”, de Florbela Espanca e música de Tiago Machado, uma criação de Mariza.

Além destes padrões há depois o da sensibilidade, o tom da melodia, isto é, escolher-se de acordo com o teor da letra - uma letra triste requer um tipo de cadência menor, diferente de uma letra mais alegre”, explicou.

Segundo o guitarrista, “este livro vai ser um instrumento de consulta, nomeadamente pelos mais novos, e, por outro lado, fixou-se em escrita de música os fados que, até agora, salvo raras exceções, estavam apenas na memória do meio fadista”.

Os três fados apontados como basilares e cuja autoria é anónima – Menor, Corrido e Mouraria – são também fixados pelo guitarrista.

Professor de guitarra portuguesa no Museu do Fado, em Lisboa, António Parreira afirmou à Lusa que “há um rejuvenescimento de instrumentistas, interessados na prática fadista”, noticia o Diário Digital.

Pai de dois guitarristas, Paulo e Ricardo Parreira, António Parreira considera que, “fixadas as melodias tradicionais, há toda uma margem à criatividade”, e defendeu que “este não é universo fechado”.

Prova disso mesmo é que, nestes 180 fados tradicionais, estão incluídas melodias da sua autoria, designadamente o “Margaridense”, o “Maria Inês”, o “Maria Leonor” e “Marina”.

António Parreira transcreveu 180 fados, mas há os que são de seu especial gosto como, logo a abrir, o Fado dos Sonhos, de Frederico de Brito (sextilhas – heptassílabo), o “Varela”, “Alvito”, “Raul Pinto”, “Primavera”, “Três Bairros”, “Alberto”, “Pinóia” ou o “Carlos da Maia”, de quadras, quintilhas e sextilhas.

Uma das novidades deste livro é que as investigações de António Parreira, em diversos arquivos, nomeadamente na Torre do Tombo, revelaram que, além dos fados Carlos da Maia, de Quadras e de Sextilhas, respetivamente para a métrica de heptassílabo, “há também um de Quintilhas para a mesma métrica”, disse.

Também de Carlos da Maia é assinalado o Fado Perseguição (Sextilhas – Setessílabo), criado por Maria Alice, com uma letra de Avelino de Sousa.

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