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No Museu do Dinheiro, instalado na antiga igreja de S. Julião, em Lisboa, está patente a exposição “Francisco de Holanda: Desejo, Desígnio e Desenho”, quando passam 500 anos do nascimento de um “homem ímpar na história da cultura portuguesa”.

Francisco de Holanda (1517-1585) foi “um dos maiores artistas da cena renascentista nacional e internacional, que contribuiu de forma determinante para a rotura com a mentalidade lusitana da sua época”, segundo o Museu do Dinheiro, tutelado pelo Banco de Portugal, que destacou a ligação do humanista a esta instituição, pelo facto de ter desenhado duas moedas de mil reais, denominadas “S. Vicente”.
Pintor e humanista, nascido em Lisboa em 1517, filho do iluminista de origem flamenga António de Holanda, foi amigo e discípulo de Miguel Ângelo, em Roma, reproduzindo o convívio com o mestre italiano do Renascimento nos volumes dos "Diálogos em Roma".
A exposição, com curadoria de Francisco Providência, Gabriella Casella e Margarida Cunha Belém, externa ao Museu do Dinheiro, é “marcadamente gráfica, apresentando, em três núcleos, um olhar de síntese sobre a vida e a obra” de Francisco de Holanda.
“Seguindo a sequência Desejo, Desígnio e Desenho, a exposição, patente até 10 de junho, acompanha a viagem física e espiritual de Francisco de Holanda, regista as facetas de uma personalidade ímpar e recorda o seu contributo para a história da arte, numismática, arquitetura militar e do urbanismo”.
Francisco de Holanda desenhou, em colaboração com o pai, duas moedas de 1.000 reais, cunhadas em ouro, denominadas “S. Vicente”, que circularam nos reinados de D. João III, entre 1555 e 1557, e D. Sebastião, entre 1557 e 1559, ambas patentes na exposição, e que fazem parte do espólio do museu.
As moedas são assim denominadas por, numa das faces, apresentarem o mártir S. Vicente, patrono de Lisboa, com a legenda em latim "Zelador da Fé até à morte", e, na outra, as armas reais dos respetivos monarcas.
A mostra, constituída por reproduções de desenhos, plantas e pinturas, apresenta também o livro “Vitas Patrum”, onde numa folha de rosto Francisco da Holanda desenhou “as novas moedas D. Sebastião (1560-69)". Esta obra pertence ao espólio da Biblioteca Nacional de Portugal.
O museu referiu “os fortes condicionalismos para os empréstimos de obras autógrafas de Francisco da Holanda, que se encontram maioritariamente em Espanha, Itália e, algumas, na Santa Sé”, justificando a escassez de originais do humanista.
“De qualquer modo o Museu do Dinheiro não podia deixar passar em claro os 500 anos do nascimento de Francisco da Holanda, a quem os seus contemporâneos apelidaram de ‘Apeles Lusitano’, e que foi pintor, desenhador, arquiteto, iluminista, ensaísta, idealista, e um intelectual com o verdadeiro peso que a palavra tem”.
Na adolescência, Francisco de Holanda foi moço de câmara do infante D. Fernando e do cardeal infante D. Afonso, filhos do rei D. Manuel I. Viveu em Évora, onde recebeu uma formação humanista. Profissionalmente, começou como iluminador, seguindo os passos do seu pai, tendo estudado, posteriormente, em Roma, graças a uma bolsa de D. João III.

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Viajou por Espanha, França e várias cidades italianas, e regressou a Portugal com uma coleção de desenhos seus, que intitulou “Álbum das Antigualhas”, atualmente na biblioteca do Palácio-Mosteiro do Escorial, em Espanha, assim como o seu “Livro de Debuxos”, que inclui desenhos de praças fortes da Europa, e sua apreciação. Francisco da holanda projetou a fortaleza de Mazagão, em Marrocos, na época sob domínio português.

Entre as suas obras, contam-se o tratado “Da Pintura Antiga” e "Tirar Polo Natural", que prolongam os "Diálogos em Roma".
Em 1571 publicou "Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa", levantamento da falta de infraestruturas e de equipamentos da capital portuguesa, acompanhado de propostas de ordenamento urbano, que vão do abastecimento de água ao calcetamento das ruas, da sustentação das colinas e das margens do Tejo, à construção de fortes e de um palácio real.
A obra é acompanhada por desenhos e inclui mesmo um conselho a D. Sebastião, para que encontre uma rainha e assim poupe a corte e o reino de mais cuidados com o jovem monarca.
Do mesmo ano é a "Lembrança Ao muyto Serenissimo e Christianissimo Rey Dom Sebastiam: De quãto Serve A Sciencia do Desegno e Etendimento da Arte da Pintura, na República Christam Asi na Paz Como na Guerra”.

Fotos: Museu do dinheiro/FMS

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