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A exposição “A voz mais portuguesa de Portugal” sobre Fernando Farinha (1928-1988), que esteve patente 01 a 24 de junho no Espaço Santa Catarina (Palácio Cabral), em Lisboa, foi vista por cerca de 500 pessoas.

A exposição, organizada pela Associação Portuguesa Amigos do Fado (APAF), em parceria com a Fundação Manuel Simões, traçou documentalmente o percurso de uma das mais fulgurantes carreiras artísticas nacionais, e revelou facetas do fadista, que também foi caricaturista, compositor e letrista.

 

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Entre as iniciativas paralelas à exposição contam-se dois momentos de fado e a exibição do filme “O miúdo da Bica”, de Constantino Esteves.

O primeiro momento de fado ocorreu no dia da inauguração, 01 de junho, e contou com a participação de Maria de Fátima, fadista que gravou com Fernando Farinha e fez várias digressões, Clara Cristão, Tiago Correia, Jorge Morgado e Cláudia Leal, que recentremente editou o CD "Quarto crescente", e Julieta Estrela, que também partilhou várias vezes o palco com o fadista.

Os fadistas que interpretaram temas de autoria (letra ou música) de Fernando Farinha, ou do seu repertório, foram acompanhados por Paulo Silva, na guitarra portuguesa, e Augusto Soares, na viola.

 

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O segundo momento de fado realizou-se no dia 22 de junho, com Ada de Castro, que várias vezes atuou com o fadista, e que realçou a grande camaradagem que teve com Fernando Farinha, e realçou as suas qualidades como colega e o facto de ter sido um dos mais populares fadistas de sempre.

Além de Ada de Castro participaram Julieta Estrela, Clara Cristão, Jorge Morgado e Jorge Quaresma, acompanhados por Paulo Silva, na guitarra portuguesa, e Augusto Soares, na viola, que também interpretou dois fados.

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Outra iniciativa foi a exibição do filme “O miúdo da Bica” (1963), de Constantino Esteves. O filme, produzido por Manuel Queiroz, baseia-se na história do grande fadista Fernando Farinha, nascido no Barreiro, mas que veio menino viver para o bairro lisboeta da Bica, e daí ter ganhado o epíteto de “o miúdo da Bica” que servirá de mote para um filme sobre a sua vida, desde a “estreia” na verbena dos paulistas, num concurso infantil inter bairros, onde “levantou a poeira”, como se afirmou na época, até à eleição como Rei da Rádio, em 1962, o único fadista que recebeu esse troféu por votação popular.

O argumento e diálogos são de Constantinos Esteves e Luís Sttau Monteiro, e o elenco, além de Fernando Farinha, conta com as participações, entre outros, deLeónia Mendes, Rudolfo Neves, Cunha Marques, Júlia Buísel, Sidónio Marques, que encarnou o papel de Fernando Farinha em criança, Diana Gonçalves, Maria João, Artur Ribeiro, Ruy Furtado, José Andrade, Júlio Cleto, Ângela Ribeiro e Ruy Castelar.

O filme conta com interpretações de Fernando Farinha em fados de autoria de Alfredo Marceneiro, Casimiro Ramos, Artur Ribeiro, entre outros.

Após a exibição seguiu-se um debate que contou com as particiações do realizador Diogo Varela, do investigador e editor Daniel Gouveia, e de Julieta Estrela de Castro, presidente da APAF.

 

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A APAF decidiu ainda editar, e oferecer a todos os visitantes um opúsculo com a biografia do fadista, assinada por Luís de Castro, e que inclui uma nota de Julieta Estrela de Castro sobre a APAF, na qual afima que a associação “tem procurado contribuir para um melhor conhecimento sobre alguns nomes que construíram a História do Fado” e dá o seu testemunho sobre o relacionamento que teve com Fernando Farinha e a muher, Lucinda, que doou o espólio do fadista à APAF. O opúsculo editado pela DG Edições inclui ainda uma nota sobre o percurso de Luís de Castro, um dos fundadores da APAF, de autoria de Pedro Almeida.

 

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A exposição contou com o apoio da Junta da Freguesia da Misericórdia, que detém o espaço, e contou com o apoio do Museu do Fado, que cedeu um retrato a óleo do fadista, de autoria de Erik Filban (1982), por vontade expressa de Manuel da Graça, antigo empresário do fadista, que o doou ao Museu, e também do colecionador Nuno Siqueira, que facilitou recortes de jornais, programas e discos, entre eles, um de 78 r.p.m., e ainda do Ateliê-Museu Júlio Pomar.

 

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A Fundação Manuel Simões, detentora do espólio da discográfica Estoril, decdiu apoiar logisticamente a mostra, por ser uma iniciativa a vários níveis digna de mérito, nomeadamente por resgatar uma das maiores figuras de sempre da música portuguesa, que gravou na década de 1950 na Estoril, que em 1992 reeditou em CD essas gravações, e por ter um caráter documental único e apresentado com rigor, devidamente datado e identificado. É ainda de salientar que esta iniciativa partiu da de uma associação da sociedade civil, sem quaisquer apoios financeiros públicos, e apenas através do seu esforço.

De referir que esta iniciativa alertou a Junta de Freguesia, que decidiu inugurar no passado dia 29 de maio uma espaço cultural, na Bica, que muito justamente, passa a ostentar o nome de Fernando Farinha.

IMG_0658.JPGSegundo foi divulgado pela APAF quer a Sociedade Portuguesa de Autores, quer a edilidade de Santiago do Cacém mostraram interesse em apresentar a exposição que se dividiu em cerca de 20 painéis.

Fotos: Nacal/FMS

 

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