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A Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE) vai utilizar o picadeiro Henrique Calado, em Lisboa, na zona de Belém, para demonstrações ao público, segundo fonte da Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), que gere a escola, segundo as Notícias ao Minuto.
O Picadeiro pertence ao Exército, mas a PSML e o Ministério da Defesa Nacional assinaram um protocolo, em março passado, que permite a utilização do Picadeiro Henrique Calado, na calçada da Ajuda, assim como parte das cavalariças conhecidas como Cocheiras da Rainha, localizadas no denominado Páteo da Nora, explicou fonte da PSML.
A questão é contemplada no Decreto-Lei n.º 205/2012, em que é “confiada a gestão de outras propriedades do Estado, sem localização confinada ao perímetro da Paisagem Cultural de Sintra” à PSML, nomeadamente a Escola Portuguesa de Arte Equestre, até então departamento da Fundação de Alter.
“O presente diploma procede à atribuição à PSML, da delegação de competências de serviço público relativas à EPAE, que havia conferido à Fundação Alter Real”, lê-se no diploma que autoriza a utilização por parte da PSML do Picadeiro Henrique Calado, “nos termos a definir em protocolo a celebrar com o Ministério da Defesa Nacional”.
“O projeto [para o picadeiro] está a ser desenvolvido pela equipa técnica da Parques de Sintra, que depois lançará os concursos necessários”, disse a mesma fonte.
"Neste momento estamos a proceder à retirada de materiais do interior do picadeiro e, na próxima semana, iniciaremos os trabalhos de recuperação das coberturas e fachadas", acrescentou.
A ideia de a Escola Portuguesa de Arte Equestre se apresentar em Belém remonta à década de 1990. Em 1995, estando na pasta governamental da Cultura Manuel Frexes, chegou a ser noticiado que a Escola iria ocupar o espaço do atual Museu dos Coches, que seria transferido para o espaço onde hoje se projeta vir a instalar, reassumindo o edifício a sua função original de picadeiro, que data do século XVIII.
Em 2005, liderava o Governo Pedro Santana Lopes, foi assinado um protocolo entre o Exército e o então Ministério da Cultura que previa restituir ao atual edifício do Museu dos Coches as suas funções originais de picadeiro.
Em abril de 2010, numa entrevista à Lusa, o então diretor do Instituto do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR) Gonçalo Couceiro afirmou que se estudava a possibilidade de um “eixo hípico” na zona da calçada da Ajuda, que incluiria demonstrações da EPAE e a reabilitação do pátio das Zebras, espaço que remonta ao reinado de D. José.
Um dos argumentos evocados por Gonçalo Couceiro foi "o interesse turístico" a par do reforço do então divulgado projeto museológico do "eixo Junqueira-Belém-Ajuda".

 


Atualmente a ESPAE faz demonstrações semanais, às quartas-feiras, no Palácio de Queluz, em que participam 11 cavalos lusitanos montados por oito cavaleiros e que executam passos a solo, ares altos, rédeas longas e carrossel. Os cavaleiros trajam casaca e usam tricórnio, segundo o figurino do século XVIII.
A escola tem a seu cargo 49 cavalos lusitanos, criados na Coudelaria de Alter do Chão, no Alto Alentejo, fundada em 1748 por D. João V. Estes cavalos distinguem-se por diversas características físicas, como uma "garupa forte e arredondada" ou "espáduas compridas, oblíquas e bem musculadas", segundo o padrão referenciado pela Associação de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano.
O cavalo lusitano é muito concentrado e tem especial aptidão para os exercícios e alta escola equestre e ainda para o combate, a caça, o toureio ou o maneio de gado, refere a mesma associação.
A EPAE, fundada em 1979 pelo veterinário e cavaleiro Filipe Graciosa, tem sede no palácio que foi residência régia de veraneio e, segundo a PSML, tem como objetivos "promover o ensino, a prática e a divulgação da arte equestre tradicional portuguesa e recuperar a tradição da Real Picaria".
A Real Picaria foi a academia equestre da corte portuguesa no século XVIII, que usava o Picadeiro de Belém, atual Museu dos Coches, em Lisboa.

Fotos: PSML/FMS

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