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O ensaio “Dantas e Severa”, de Elsa Vieira, analisa o contributo da obra do escritor para a popularidade da fadista Maria Severa Onofriana (1820-1846), que nasceu nas "barracas dos Anjos, viveu na Madragoa, Bairro Alto e Mouraria, onde morreu.

Elsa Vieira afirmou à Lusa, cita a RTP, que foi a peça de Júlio Dantas (1876-1962) que contribuiu, “através da desconstrução literária da figura histórica”, para que “a memória da fadista não se tivesse perdido na memória do tempo”.
“Há quem ainda hoje considere que a Severa é apenas uma figura mitológica, quando de facto existiu, e acho que se deve muito à sua peça ‘A Severa’, o facto de a fadista ter continuado a ser conhecida de geração em geração”.
Em 1901, Júlio Dantas publicou o romance “A Severa”, a partir do qual escreve a peça homónima, levada à cena no então Teatro D. Amélia (atual São Luiz, em Lisboa), com Ângela Pinto no papel da cantadeira. O sucesso da peça levou André Brun a adaptá-la a opereta em 1909, tendo sido protagonizada pela fadista Júlia Mendes.
A peça, recordou a autora, doutoranda em Sociologia, inspirou o primeiro ‘fonofilme’ português, em 1931, realizado por Leitão de Barros, protagonizado por Dina Tereza, que somou 200.000 espetadores nos primeiros seis meses de exibição, em Lisboa.
“A obra de Júlio Dantas, que ficou muito esquecido no contexto da nossa Cultura, grande parte devido ao manifesto de Almada Negreiros, contribuiu para fixar alguns pormenores da história da fadista”, que, entre outros amores, foi amante do 13.º conde de Vimioso, D. Francisco de Paula de Portugal e Castro.
A figura da Severa, defendeu autora, “faz parte de uma identidade cultural nacional mais popular, urbana e bairrista, que se cruza com o eruditismo da escrita de Júlio Dantas”.
“A Severa representa aqui, neste ensaio, nesta análise, a classe baixa, que, através do seu encanto musical, conseguiu unir todas as classe para a ouvirem cantar a sua melodia [o fado], tendo conseguido, através da sua relação com o conde de Vimioso, levar o fado à aristocracia”, afirmou a autora.
“O pouco tempo que viveu, extra conjugalmente, com o conde, serviu, de certa forma, para levar a sua melodia para outros ambientes sociais”, disse.
A Severa acabaria por fugir do palácio do conde, no Campo Grande, em Lisboa, saltando de uma janela do 1.º piso, para uma carroça que transportava roupa suja para lavar.

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Elsa Vieira afirmou que “o mais importante é que, quem leia o livro, compreenda que, através da Severa ele [o fado] foi difundido no bairrismo de Lisboa, e foi esse o seu papel. Com ela passou-se a conhecer o fado, uma canção que estava a evoluir, independentemente das suas origens”.
A autora destacou ainda o facto de Severa, na época, saber ler e escrever, o que já a diferenciava das outras mulheres da mesma condição social, tendo referido que “há quem atribua à fadista a autoria de alguns versos”.
Entre outros notáveis do tempo, Maria Severa conheceu os escritores Luís Augusto Palmeirim, que a visitou na sua casa no Bairro Alto, e Raimundo de Bulhão Pato.
Para a investigadora, “Severa já era uma figura de devir, no seu tempo, uma mulher que foi criada no bairro, mas era muito independente, e na época dela não havia tantas mulheres que atuassem de forma livre e espontânea”.
A Severa que apresenta, afirmou a investigadora à Lusa, é "a Severa verdadeira, livre, espontânea, sem preconceitos, rude e amena em simultâneo, que, como nós, tem múltiplos sentimentos"
A obra aborda ainda as ligações da Severa aos bairros lisboetas da Mouraria, onde morreu, e ao da Madragoa, onde sua mãe, Maria Barbuda, era proprietária de uma taberna.
Elsa Vieira, de 37 anos, é especialista em sociologia do trabalho e em estudo de género, segundo nota da editora Umbra, que chancela a obra.

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