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Ao Vivo e em Directo.jpg

 

A peça “Ao vivo e em directo”, de Raul Malaquias Marques, em cartaz no Teatro Aberto, em Lisboa, coloca em cena a corrupção, a manipulação dos ‘media’, a impunidade e a conjugação de interesses públicos e privados, noticia a RTP
A peça venceu em 2014 o Grande Prémio Teatro Português da Sociedade Portuguesa de Autores/Teatro Aberto, é encenada e tem dramaturgia de Fernando Heitor, sendo protagonistas Rui Mendes e Paulo Pires.
A ação dramática não tem espaço ou tempo, pode ocorrer em Portugal, em qualquer país europeu ou de outro continente, e acontece hoje como aconteceu outrora. Seis personagens centrais, todas sem qualquer nome ou apelido: um diretor de informação, um jornalista, um político nos 70 anos, a sua mulher, a filha do político e um inspetor.

 

 

Rui Mendes_Paulo Pires.jpg

 

O drama desenvolve-se entre o gabinete do diretor de informação, o do político, a sua sala de estar, uma fábrica abandonada e um estúdio de televisão, onde o político, depois de confessar os crimes que sustentaram a sua vida, se suicida.
Afastado há 20 anos da primeira linha das lides públicas, o político esteve envolvido num escândalo de corrupção, desvio de dinheiros públicos e até no homicídio de um jornalista, conhecido como “Caso Lavagante”, que o levou, a e ele e a outros, à barra do tribunal, acabando todos absolvidos por falta de provas. Provas que o político afirma ter guardado de forma segura - só ele e um outro amigo seu, entretanto já falecido, as conhecem.

 

Maria Emília Correia_Rui Mendes_Dina Félix da Co

Em estúdio, à segunda pergunta do jornalista, o que tem feito nos últimos 20 anos, depois do “Caso Lavagante”, a resposta do político é pronta e direta: “Passei estes últimos 20 anos da minha vida a fazer aquilo que pode ser descrito como um exame de consciência. Todos os dias, quase hora a hora, fui passando em revista o que fiz, o que não fiz, as razões por que fiz ou não, os meus compromissos, e porquê esses compromissos, as minhas omissões, e porquê essas omissões. Isto, como dirigente partidário, como membro de governo, como alto funcionário da administração pública, como administrador de importantes empresas, algumas delas estratégicas”, afirma o político, personagem encarnada por Rui Mendes.

Em seguida pede licença para ler uma “pequena declaração” em que afirma que, como dirigente político, ministro, alto funcionário da administração pública e, “no exercício de cargos diversos em inúmeras empresas”, mentiu, falsificou e cometeu diversas ilegalidades.
“Menti, falsifiquei, enganei, difamei, caluniei, utilizei ilegalmente e desviei fundos públicos, em meu proveito pessoal e do meu partido, aceitei subornos, eu próprio subornei, fechei os olhos perante toda a espécie de irregularidades, de corrupção ao mais alto nível, assinei acordos internacionais e firmei compromissos que lesaram o Estado em muitos milhões de euros, participei em campanhas e em esquemas mais próprios de uma sofisticada organização criminosa, do que de um partido ou de um governo…”, afirma em catadupa o político.
E prossegue: “Tudo isto, e mais, eu fiz, e vi outros como eu, meus colegas de partido, de governo, de empresa, fazerem ações do mesmo tipo, na mesma ou em maior escala. Concretizo o que digo, afirmando que o julgamento do 'Caso Lavagante’ foi a mais tenebrosa mistificação, a mais cobarde e abjeta mentira judicial a que já se assistiu neste país. Todos, repito, todos os arguidos, e entre eles eu, são culpados. Todos nós sujámos as mãos em dezenas de crimes, até num crime de sangue, o assassínio de um jornalista”.
“Fomos nós, sim, quem o mandou executar quando investigava as nossas atividades criminosas. Ele não se suicidou, não morreu num acidente. Nós é que o mandámos matar. Tudo isto está mais amplamente explicado e fundamentado num dossiê que hoje mesmo deixei em, espero eu, boas mãos. Hoje, para mim, chegou o momento de pagar por tudo o que fiz. Peço desculpa pelo incómodo”, termina e saca de um revólver e suicida-se.
A peça não termina aqui, há ainda a mulher, papel desempenhado por Maria Emília Correia, que quer zelar para que não seja só o marido o “apontado” e que “os outros também paguem”.
Há também a personagem encarnada por Paulo Pires, que, apesar de receber as pressões de “um tal sr. Doutor que nós sabemos”, recebe os parabéns da administração do canal, sim, mas por ter alcançado os 85% de audiência.
E o dossiê deixado pelo político permanece em parte incerta.
O cenário é de Eurico Lopes, os figurinos, de Dino Alves, desenho de luz e vídeo de José Álvaro Correia, e o elenco completo inclui ainda Ana Lopes, Dina Félix da Costa, Emanuel Rodrigues, Francisco Pestana, Tiago Costa e Vítor d’Andrade.

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