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Os concertos de Amália Rodrigues, em abril de 1987, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, são editados, pela primeira vez, em CD, hoje, quando passam 18 anos sobre a morte da diva.

A 03 de abril de 1987 Amália Rodrigues (1920-1999) fez o seu segundo concerto a solo em Lisboa, o primeiro tinha sido dois anos antes, também no Coliseu dos Recreios, “mais de três décadas (pasme-se!) após ter começado a fazê-los por todo o mundo – também nessa dimensão concertística que acrescentou ao fado, o percurso de Amália foi pioneiro e irrepetível”, afirma o coordenador da edição discográfica, Frederico Santiago.

Este concerto de 1987 é sobretudo um encontro em forma de dueto de amor entre Amália e o público, com as guitarras de fundo”, afirmou Frederico Santiago à agência Lusa, referindo que, "como é óbvio", em 1987, Amália já não estava no auge da sua voz, tinha 67 anos e "quem se concentrar apenas nas falhas vocais torna-se ridículo, pois com aquela idade e com aquela carreira atrás, não ter a voz cansada seria impensável".

"Mas a voz era só uma parte do génio da Amália, todas as outras partes até se aprofundaram; a maneira de frasear e de improvisar, a comunicação com o público, a medida de espetáculo e até o gosto que tinha pelo risco artístico”, afirmou. O responsável realçou o facto de Amália, neste concerto, ainda estrear repertório, nomeadamente do compositor Alain Oulman, "Soledad", com poema de Cecília Meirelles e “Prece”, de Pedro Homem de Mello, que não tinha sido ainda editado em disco.

Dois poetas que Amália já cantara: Homem de Mello é autor de “Povo que Lavas no Rio” e “Cuidei que Tinha Morrido”, entre muitos outros, e Cecília Meirelles de “As Mãos que Trago” e “Naufrágio”.

Estes concertos tinham sido alvo de uma edição em vinil em 1987, numa caixa com três LP. "Essa edição incluía partes dos dois dias – 03 e 04 de abril -, e tinha um eco insuportável. Nesta nova edição, o som vem das bobines originais e não da mistura feita para o vinil, e inclui o registo integral do primeiro dia, bem como partes do segundo”, explicou Frederico Santiago.

A edição do CD inclui um texto de Jorge Muchagato, "um historiador que há muito tem investigado profundamente a carreira da fadista".

A Amália em recital não aconteceu em Portugal antes de 1985", ou seja, “aquilo que é habitual, e excessivo tantas vezes, nos fadistas de hoje, dar um concerto, só aconteceu à Amália Rodrigues em Portugal em 1985, 40 anos depois de o ter começado a fazer pelo mundo inteiro, fruto por um lado da mentalidade tacanha e conservadora do Estado Novo, que não via um fadista, mesmo tratando-se da Amália, digno de cantar sozinho num espetáculo e da cegueira pós-revolucionária que odiava o fado e, muito em particular, a grandeza da Amália”, disse o responsável.

"Desde o seu início em 1939, a carreira nacional de Amália e o público lisboeta não podiam deixar de sofrer com a mentalidade tacanha vigente, que não reconhecia num fadista a dignidade artística suficiente para o recital, reservando ao fado e aos fadistas o “castiço” da verbena ou da casa de fados, a atração de revista ou a festa de homenagem (onde, ao lado de artistas de outros géneros até poderia estar envolvido num concerto)", afirma Santiago.

"A seguir ao 25 de Abril, também alguma cegueira política, que desprezava o fado e, muito em particular, a grandeza de Amália, tentou colá-la de forma indelével ao regime anterior, justificando-se apenas nalguma simpatia que a cantora por ele tivesse tido e, acima de tudo, fazendo tábua rasa do seu ímpar protagonismo na história da música popular no mundo. Se pensarmos nessa pouca noção que, ainda hoje, se tem por cá de Amália ter sido uma das maiores cantoras universais, foram escassas as homenagens que Portugal lhe ofereceu, destacando-se pela sua importância a que o Presidente da República Mário Soares lhe prestou, distinguindo-a com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, com o especial simbolismo de ter sido conferida em cena aberta, neste mesmo Coliseu, em 1990", frisa o responsável..

Este concerto de 1987 inclui quase todos os maiores êxitos de Amália: “Ai Mouraria”, "Gaivota", "Lágrima", “Povo que Lavas no Rio” ou “Maria Lisboa”, entre outros. "A ovação depois de 'Povo que lavas no Rio' foi um dos momentos mais comoventes na carreira de Amália e, pode dizer-se mesmo, na história do espetáculo mundial, como a Amália comentou a propósito dessa noite, 'Eu não volto a ver aquilo'", disse.

Outro CD de Amália deverá sair em dezembro, intitulado “Fados’67”, que reúne todos os fados e canções gravados em estúdio pela fadista com o Conjunto de Guitarras de Raul Nery, entre 1966 e 1968.

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