Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




unnamed (3).jpg

 

"Magnificat, ou a insubmissa voz", do compositor João Madureira, estreia-se na terça-feira, dia 28 de outubro, na Igreja de S. Roque, em Lisboa, pelo Officium Ensemble, sob a direção do maestro Pedro Teixeira.

A estreia da obra realiza-se no contexto da exposição "Visitação. O Arquivo: memória e promessa", patente no Museu S. Roque, anexo à igreja, e está integrada nas comemorações dos 516 anos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que a encomendou a João Madureira.

"A ocasião de uma exposição sobre o tema da Visitação levou-me à composição de um Magnificat, subordinado também ao tema da visitação entre linguagens musicais distintas. Por isso, Magnificat usa materiais tonais e modais sem, contudo, os usar de forma convencional", explica João Madureira na apresentação da obra, enviada à Lusa, citado pelo Porto Canal.

"Quanto a mim, aliás, não faz sentido qualquer tipo de interdição em relação ao uso de determinado tipo de objetos na composição musical. O que me interessa é a relação entre esses objetos e não a consideração de cada objeto em si mesmo".

O compositor afirma que não hesitou "em usar tríades, quintas perfeitas ou outros objetos de outras linguagens, de outras épocas, ou de outras culturas", referindo-se a materiais de base da composição musical. "Na verdade -- prossegue João Madureira -, não concebo a minha composição isoladamente de todo um reportório cultural vasto, que existe e pede uma relação intertextual e dinâmica".

João Madureira, de 43 anos, afirma que acolheu, "com enorme entusiasmo", o convite do curador da exposição, Paulo Pires do Vale, para compor uma obra para a mostra "Visitação. O Arquivo: memória e promessa".

"O meu interesse em utilizar repertório português da segunda metade do século XVI não é recente. Esta intenção intensificou-se, de resto, nos meus anos de estudo fora de Portugal, em que o maior conhecimento das tradições musicais da Europa central reforçou a minha constatação da enorme qualidade e originalidade do património musical quinhentista nacional", acrescentou.

"Procuro, no entanto, encarar todo o património cultural e, nomeadamente, o religioso, de uma forma dinâmica. Com isto, quero dizer que não só tento encarar este património à luz dos nossos dias, como procuro interrogar aquelas que são as nossas crenças e convicções contemporâneas, face à herança do passado", esclareceu.

Além do "Magnificat, ou a insubmissa voz", de João Madureira, no concerto de terça-feira, serão também interpretadas obras de compositores da polifonia portuguesa dos séculos XVI-XVII.

Como o "Magnificat Primus Tomus (et Exsultavit)", de Filipe Magalhães (1571-1652), compositor português que foi mestre do Claustro da Sé de Évora, entes de se fixar em Lisboa, onde dirigiu a Capela da antiga Igreja da Misericórdia e, posteriormente, da Igreja do Paço Real.

Filipe de Magalhães, destaca a SCML, na apresentação do concerto, também elaborou "diversas partituras inspiradas no Magnificat - as palavras de louvor e alegria que, segundo o Evangelho, Maria profere no momento da Visitação, no encontro com a sua prima Isabel".

O programa da noite completa-se com "Audivi vocem", de Duarte Lobo (1565-1646), contemporâneo de Magalhães e mestre da Escola de Évora, e com "Commissa mea" e "Ave Maris Stella", do compositor Estêvão Lopes-Morago (1575-1630), um dos primeiros discípulos de Filipe de Magalhães, que se fixou na catedral de Viseu.

O concerto realiza-se às 20:00 de terça-feira, pelo Officium Ensemble, acompanhado pelos músicos Ana Castanhito (harpa), João Pereira Coutinho (flauta) e Luís Gomes (clarinete).

O curador Paulo Pires do Vale, por seu turno, afirma que "este concerto cumpre aquilo que, nesta exposição, é essencial: transformar o arquivo em matéria viva e fecundante, fundo criativo, motor de criação".

"Visitação. O Arquivo: memória e promessa", patente até 02 de novembro na galeria de exposições temporárias do Museu de S. Roque, revela parte dos Arquivos da SCML. Entre as peças em exposição, encontram-se os "Compromissos" dos séculos XVI e XVII, documentos que traçam a linha orientadora da atividade e organização da Santa Casa, norteada pelas "14 obras de misericórdia" e os "Sinais dos expostos" (documentos que acompanhavam as crianças entregues aos cuidados da instituição).

Ao lado dos documentos surgem interpretações contemporâneas, inspiradas no arquivo. O cineasta Pedro Costa apresenta uma instalação na Igreja de São Roque. O fotógrafo Daniel Blaufuks apresenta uma série intitulada "Corte". O "Magnificat" de João Madureira é a terceira e última "revisitação" contemporânea do arquivo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)




Bem-vindo


Parcerias


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Visitas

Flag Counter