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Acanção de Coimbra é sentimento e é isso que tem de transmitir”, disse o cantor Fernando Rolim, que tem um novo álbum, a sair na sexta-feira, no qual gravou um dueto com uma tricana.

Fernando Rolim começou a cantar em finais da década de 1950, e decidiu editar o este CD, “para não deixar morrer a canção de Coimbra e manter a tradição”.
O CD “Coimbra, um Tempo que não Passa… (Memórias de Coimbra)” é editado pela Valentim de Carvalho, e conta 18 temas, entre os quais cinco instrumentais.
O cantor referiu-se à canção de Coimbra como “uma ponte entre a cidade de Coimbra e a universidade”, em que “é essencial a tradição oral, na transmissão de conhecimentos, e de histórias que fazem a alma da canção de Coimbra, e constituem o seu sentimento”.
Fernando Rolim, em declarações à agência Lusa, contou o conselho que lhe deu um antigo aluno, Florêncio de Carvalho, que é autor de algumas canções: “Quando comecei a cantar, ele disse-me certo dia, ‘lê primeiro estas quadras, recita-as, e depois, canta-as como as sentires’”, cita a imprensa.
Na realidade, afirmou, “de fado não tem nada, é mais canção de Coimbra do que fado, até porque reflete um conjunto de misturas musicais, trazidas pelos estudantes das suas regiões, que depois as caldeavam com o folclore próprio de Coimbra”.
“Há várias canções de Coimbra relativas às diferentes regiões, de onde eram naturais os estudantes, o que deu à canção de Coimbra uma enorme riqueza. Neste CD inclui o instrumental 'Bailados do Minho', de Anthero da Veiga, que era minhoto, e uma canção açoriana, 'Saudade, saudadinha', cuja letra é popular, sem autor conhecido, e que um estudante açoriano Edmundo Bettencourt, musicou".
“Vira de Coimbra” é outro dos temas que gravou, acompanhado pela Quarentuna. “O vira era cantado por alturas das fogueiras de S. João, em Celas e no Calhabé”, contou.
“Coimbra tem três símbolos: o primeiro é espiritual, que é a Rainha Santa Isabel, depois tem um símbolo material que é a universidade e a sua torre que caracteriza Coimbra, está a presidir à cidade, e o terceiro símbolo é imaterial, mais conhecido por fado de Coimbra, mas que é a canção de Coimbra”, declarou.
Entre os temas que interpreta, Rolim destacou a “Desgarrada” entre o estudante e tricana, que gravou com Graça Lage, que “é muito antigo, e que reflete o que dantes se passava, em que o estudante - e vinham estudantes de toda a parte - namoriscava a tricana [figura feminina conimbricense, que trajava de xaile e lenço, muito comum na literatura e canção desde finais do século XIX], mas que depois regressava à sua terra”.
“Quis reviver isso - quando eu era estudante ainda havia tricanas -, porque me parece que não há nenhum disco sobre a canção de Coimbra, em que haja o dueto entre o estudante e a tricana”, disse o cantor, médico pediatra de profissão, que teve também vontade de “registar a voz típica da tricana, e irá fazer estremecer quem a ouvir”.
Outro destaque do cantor foi o “Fado Hilário”, que “tem sido cantado por muitíssima gente, e é muito conhecido”, música de autoria do viseense Augusto Hilário (1864-1896), que foi amigo do poeta João de Deus. Fernando Rolim canta o “Fado Hilário” em três quadros, duas de autoria de Hilário e uma de Manuel Julião.
A história deste fado, contou-a Fernando Rolim, tal como lhe tinha narrado Anthero da Veiga, que acompanhou o Hilário. “O fado nasceu certa noite, já passava da meia-noite, quando Hilário, numa das ruas estreitas que vêm da Alta de Coimbra para a Sé Velha, vindo da taberna da Cardosa, ao passar uma tricana, que vinha da casa de uma amiga, a abraçou e beijou, perante os protestos e os gritos da moça, que chamaram à atenção de um guarda-noturno que lhe deu ordem de prisão, por atentado ao pudor”.
“O Hilário pediu então ao guarda para o deixar ir até à Sé Velha e ali trautear um fado, pedindo a Anthero que o acompanhasse, e assim foi. Hilário cantou e o guarda acabou por não executar a ordem de prisão, dizendo ‘Só pelo que acabei de escutar desisti de o prender. Continuem lá a compor, e a tocar e a cantar assim’”.

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