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A correspondência da condessa da Ponte, Thereza de Sousa Botelho, com as suas filhas, foi publicada pela sua neta, a escritora Theresa Schedel convicta de que as cartas revelam a vida social portuguesa do século XIX.

A correspondência, publicada pela Alêtheia Editores, abrange o período de 1834 até 1880, começando no ano em que terminou a Guerra Civil entre absolutistas, liderados pelo Rei D. Miguel, e liberais, capitaneados pelo seu irmão mais velho, D. Pedro, Imperador do Brasil, que foi coroado D. Pedro IV. Nas cartas trocadas há referências a esta cisão que afetou a nobreza que se tornou partidária de um ou de outro.

Na obra, "Correspondência 1834-1880. D. Maria Thereza de Sousa Botelho, condessa da Ponte, e suas filhas", Teresa Schedel afirma que as missivas têm valor “naquilo que nelas se revela da vida social portuguesa no século XIX, e, em particular da forma de viver e de pensar daquele grupo social que mais viria a sofrer com a implantação da República, em 1910, e que, com ela, praticamente desapareceu: a nobreza histórica”, aquela com quem os Reis “mantinham maior intimidade”.

A escritora afirma que “é difícil avaliar até que ponto” estes nobres “tinham consciência da sua já diminuta importância”. Todavia, e apesar de conviver particamente em ciclo fechado, isto é, entre si, num “pequeno mundo”, sentiam que “tinham os ventos contra si”.

Numa das cartas publicadas, datada de 1875, lê-se: “Pobre nobreza, que mais desgraça a esperam, que ao menos elas nos regenerassem”.

Segundo Teresa Schedel, “conhece-se pouco” desrte mundo social que nem mesmo “os grandes escritores souberam dar uma ideia”, nomeadmente, daquilo que o distinguia.

A escritora defende que é nestas cartas “que temos o melhor e o mais vivo testemunho de uma época” porque são “cartas de mulheres”.

As autoras destas cartas em concreto, eram “mulheres inteligentes e cultas, boas observadoras”.

Nas linhas destas missivas comentam-se as festas religiosas e mundanas, familiares, batizados e casamentos, bem como as negociações matrimoniais, numa altura em que a burguesia “ambiciosa de posição social” ia “bater às portas já um tanto carcomidas” da nobreza.

Na troca de correspondência as senhoras também comentam a política, os jornais e a família real. Numa carta de Isabel da Gama para a sua irmã Maria Joaquina, filhas da condessa da Ponte, datada de 1880, fazem-se críticas ao Rei D. Luís. Referindo-se à escolha de Gandarinha para par do reino, que critica, afirma que “só tem um lado bom, as caricaturas do Mardel, que decerto há de tirar o maior partido da elevação do Gandarinha" e sublinha: "Recomendo o último António Maria”, referindo-se ao jornal de humor político, editado e dirigido por Rafael Bordalo Pinheiro, e concluía: “Meter o Rei mais a ridículo e com mais graça, é impossível”.

“Eu, do Rei já não tenho o menor dó, faz tudo para que o rebaixem e o escarneçam. É impossível compreender menos os deveres da sua alta dignidade, ser Rei com menos convicção de que é uma missão”, opinava Isabel.

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