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Esta é a primeira vez, em Portugal, que a Carta é exposta ao público fora da Torre do Tombo, em Lisboa, tendo sido escolhida a vila de Belmonte, no distrito de Castelo Branco, no leste de Portugal, por ser a terra natal de Pedro Álvares Cabral, que capitaneou a esquadra que descobriu a costa brasileira, em abril de 1500.

A “Carta de Pêro Vaz de Caminha” é um documento classificado como património nacional, inscrito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), no Registo da Memória do Mundo, que apenas saiu uma vez de Lisboa, para o Brasil, no âmbito das comemorações do V Centenário do seu descobrimento.
Em comunicado, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), a cujo espólio pertence o manuscrito, afirma que este documento “assinala um momento singular da História”.
Após ter-se avistado terra e os portugueses desembarcado em solo a que chamaram inicialmente “Terra de Vera Cruz”, Álvares Cabral mandou o seu escrivão redigir o documento para informar o Rei D. Manuel I do “achamento” de novas terras, tendo seguido para Lisboa numa nau comandada por Gaspar de Lemos.
“O que se encontra neste documento burocrático, e que se insere na tradição dos cronistas medievais portugueses, é a descoberta do ‘outro’, que aqui transcende os cânones a que relatos de viagens, bestiários e outras efabulações habituaram os europeus, desde a decadência do Império Romano e da emergência das forças muçulmanas no sul da Europa”, afirma o ANTT.

“A redação da ‘Carta a El-Rei Dom Manoel sobre o Achamento do Brasil’ não se trata de um relato de viagem, uma narrativa de um conjunto de peripécias com um fim e uma moral adjacentes, nem uma tentativa de exaltar os autores da gesta ou o seu suserano, nem ainda uma tentativa de relevar uma qualquer supremacia tecnológica ou racial”, acrescenta o arquivo nacional.

A carta foi escrita em Porto Seguro, sendo datada de 01 de maio de 1500, alguns dias após a chegada dos portugueses e de ter sido celebrada a primeira missa em território sul-americano, por Pêro Vaz de Caminha, de quem se sabe pouco, além da origem fidalga e de ter sido escrivão e vereador na Câmara do Porto, que, com o cosmógrafo Mestre João, descreveu a chegada, a paisagem e as gentes que o habitavam.
Graças à colaboração de Mestre João, neste documento surge pela primeira vez sinalizado a constelação estelar “Cruzeiro do Sul”, que pontifica hoje na bandeira nacional daquele país de Língua Portuguesa.

 

images.jpe

 

 Desembarque de Cabral em Porto Seguro,

óleo sobre tela de Oscar Pereira da Silva, 1922


“A exposição [que estará patente até 26 de outubro] pretende fazer um contraponto entre o caráter efabulatório da cartografia pré-era dos Descobrimentos e o levantamento exaustivo efetuado pelos portugueses nas suas incursões por territórios mais ou menos conhecidos, como África ou as Índias Orientais e depois, no Novo Mundo, do qual o relato de Pêro Vaz de Caminha é o momento inaugural”, segundo a mesma fonte.
A exposição divide-se em dois espaços.
Uma primeira área, à qual se acede a partir do terraço do castelo de Belmonte, “é ilustrada com imagens que remetem para o imaginário medieval e dos bestiários, em três planos sobrepostos, que se distinguem sucessivamente graças ao uso de diferentes luzes, um recurso expositivo criado em parceria com o atelier Carnovsky, e que é utilizado pela primeira vez em Portugal”, segunmdo o Porto Canal.
A segunda área é centralizada pela “Carta de Pêro Vaz de Caminha”, e “privilegia-se aqui a descrição e a palavra em detrimento da imagem, sendo a carta contextualizada através das peças dos séculos XV e XVI", que foram cedidas pelo Palácio Nacional de Sintra, a Casa-Museu Medeiros e Almeida e o Museu Nacional de Arte Antiga, e Lisboa.
“O tapete sonoro, resultante do trabalho do sonoplasta e músico Sílvio Rosado, com as vozes dos alunos da Escola de Música de Belmonte a lerem excertos da Carta e a recriarem o que é nela relatado, acompanha os visitantes da exposição e define temporalmente o circuito da visita”, remata o ANTT.

Foto: pedefeijaopvs.blogspot.com/Museu Histórico Nacional Rio  de Janeiro/FMS

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