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A coleção “Livros amarelos”, que “revela as relações comprometedoras entre textos célebres”, publicou num volume duplo, “Cântico dos cânticos”, de Salomão e “Manual de civilidade para meninas, de Pierre-Félix Louÿs.

O “Cântico dos cânticos”, do Rei Salomão, provavelmente escrito 500 anos antes de Cristo, é publicado numa versão portuguesa de Eugénia de Vasconcelos, que assina também uma nota sobre a obra judaica, enquanto “Manual de civilidade para meninas”, de Pierre-Félix Louÿs, é traduzido por Manuel S.Fonseca, que assina ainda uma introdução e biografia do escritor belga.
“O que faz, no mesmo livro, um texto canónico da Bíblia, escrito talvez 500 anos antes de Cristo, ao pé de um texto obsceno desde a primeira linha, escrito na segunda década do século XX, por um irrecomendável erotómano francês? Juntos, constituem uma obra de exaltação e exacerbação erótica única”, afirmou à Lusa o editor Manuel Fonseca, da Guerra e Paz.
Sobre o “Cântico dos Cânticos”, a Guerra e Paz, que chancela a coleção, afirma em comunicado enviado à Lusa que “este é um livro de amor", "do amor sagrado e do amor blasfemo”.
“Da ternura à violência, o amor é uma paixão fundadora dessa cultura que se espraia do Médio Oriente judeu, passando pela costa mediterrânica, até às praias atlânticas do sul e do norte da Europa”, lê-se no mesmo documento.
“O Cântico dos Cânticos de Salomão lê-se e é, se nos deixarmos arrebatar pelo belíssimo pé da sua letra, uma sensualíssima celebração lírica do amor. Encostados ao pé da sua letra, vemos que é clara e distinta a primeira imagem desse livro breve”, realçou Manuel Fonseca.
Ao poema de Salomão juntou a editora o “Manual de civilidade para meninas”, um “texto profano de 1915, de linguagem crua e revoltada”, segundo a Guerra e Paz.
“Por processos e linguagens decididamente opostas, Salomão, putativo autor do Cântico, e Pierre-Félix Louÿs, indesmentível autor do Manual, procuram o mesmo paraíso perdido, esse lugar ou momento de diáfana nudez que antecedeu a mentira, a hipocrisia e o preconceito”.
Sobre a prosa de Louÿs afirma a editora: “Na sua hiperbólica regulamentação da sexualidade – da cozinha ao quarto, da igreja ao museu, da cama do amante ao senhor Presidente da República – ataca com dor e raiva o que Pierre Louÿs entendia ser a hipocrisia amorosa e sexual do seu tempo. A irrisão iconoclasta dos seus conselhos é a sua forma de se insurgir contra as convenções e os costumes que sufocam e castram 'ab ovo'['desde o início'] a paixão pura e o desejo inocente que, como matéria dos solilóquios da amada, do amado, e das filhas de Jerusalém, nos exaltam e consolam no Cântico dos Cânticos”.
“Este Livro Amarelo é o encontro de dois textos com a mesma fé, a de que o Amor é soberano”, remata a editora.
No passado dia 04 de outubro, nesta coleção, foi publicado, num volume, “A célebre rã saltadora do condado de Calaveras”, de Mark Twain, numa edição bilingue inglês/português, e “Rikki-Tikki-Tavi”, de Rudyard Kipling, também em edição bilingue, e inclui ainda as biografias dos respetivos autores e um texto de Manuel S. Fonseca, intitulado “A rã saltadora e o heroico magusto”.
A coleção “Livros Amarelos” iniciou-se em finais de junho último, e, segundo a editora, visa revelar “as relações comprometedoras entre textos célebres”, associando títulos, dois a dois, num só volume.
“A Guerra e Paz Editores criou o ‘paparazzo’ da história da literatura e do pensamento, chama-se ‘Livros Amarelos’ [e é] uma nova coleção, que revela as relações comprometedoras entre textos célebres”, disse à Lusa o administrador editorial, Manuel Fonseca.
O primeiro volume inclui “O banqueiro anarquista", de Fernando Pessoa, e "A alma do homem sob a égide do socialismo”, de Oscar Wilde, enquanto o segundo reúne “Pessimismo nacional", de Manuel Laranjeira, e "Portugal, um povo suicida”, do espanhol Miguel de Unamuno.
“Para dar vida a contos, a romances, a poemas e a ensaios, é necessário abrir-lhes um 'buraco' por onde entrem outros textos. A melhor forma é lança-los à discussão, é pintá-los de uma cor inesperada e insólita”, disse o responsável da Guerra e Paz.
Os livros de capa amarela têm a dimensão de 15X21 centímetros, são “pintados à mão nas três faces do miolo, com um corte elíptico e alongado, que deixa ver uma faísca de vermelho ou verde ou azul, conforme a cor que as guardas do livro, debaixo da capa, vierem a ter”.
“São os 'Livros Amarelos' - amarelos por serem ‘voyeurs’, amarelos em vénia à ‘Yellow book’, a revista que, na Londres do século XIX, foi o primeiro sopro de vida desse modernismo que ainda hoje, no século XXI, se nos cola à pele -, com o grafismo de Ilídio Vasco, autor do design”, adianta a Guerra e Paz.

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