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O cante alentejano, um canto coletivo, sem recurso a instrumentos e que incorpora música e poesia, foi classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A distinção foi aprovada no dia 27 de novembro pelo Comité Intergovernamental da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Humanidade, reunido em Paris.

O comité aprovou a candidatura do cante alentejano e a sua inscrição na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Durante a fase de análise, na reunião do comité da UNESCO, a candidatura portuguesa foi considerada como um dos "bons exemplos de candidaturas selecionadas pelo comité".

Logo após a decisão, as vozes de cantadores alentejanos fizeram-se ouvir na sala onde está reunido o comité, na capital francesa, tendo a atuação sido amplamente aplaudida, no final.

A candidatura do cante alentejano a Património da Humanidade foi entregue à UNESCO em março de 2013, depois de, em 2012, o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter decidido adiar a sua apresentação, por considerar que o processo não reunia condições para ser aceite.

O presidente da Câmara de Serpa manifestou "enorme satisfação" com a classificação do cante, considerando que poderá permitir "um futuro ainda mais risonho" para o cantar típico do Alentejo.

A inscrição do cante alentejano na lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade "é uma enorme satisfação e o culminar de um longo processo, de muito trabalho e de alguns problemas e barreiras, que tiveram de ser ultrapassados", disse à agência Lusa Tomé Pires, que se encontra em Paris.

A candidatura foi promovida pela Câmara de Serpa/Casa do Cante, com o contributo da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, da Casa do Alentejo, da Confraria do Cante Alentejano e da Moda - Associação do Cante Alentejano.

"Com certeza que o cante alentejano, com este reconhecimento, poderá ter um futuro ainda mais risonho, basta a dinâmica dos grupos corais associada à vontade das entidades que possam ajudar a que este bem imaterial se continue a transmitir", defendeu o autarca de Serpa.

O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, congratulou-se com a classificação do cante alentejano como Património da Humanidade, pela UNESCO, realçando a disponibilidade do Governo para “ajudar a projetar” esta prática cultural.

“É um dia muito feliz para Portugal. O Governo está muito feliz por este trabalho conjunto que foi desenvolvido”, disse à agência Lusa o governante que tutela a pasta da Cultura.

Segundo Barreto Xavier, o executivo “está disponível para ajudar a projetar, nacional e internacionalmente, o cante alentejano”, inscrito agora na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

O responsável pelo Grupo Coral e Etnográfico da Coop de Grândola manifestou-se “honrado” pelo reconhecimento do cante alentejano, mas pediu apoios para “manter viva a chama” dos grupos.

“Estamos muito honrados pelo reconhecimento”, afirmou à Lusa, segundo os Notícias ao Minuto, José Jesus, pedindo, no entanto, às “entidades oficiais, nomeadamente às câmaras”, para terem “mais uma atenção” para a falta de meios dos grupos.

Para o responsável do grupo de Grândola, que conta 21 anos de existência, a classificação do cante alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade, deverá vir acompanhada de “ajuda”.

Alguns grupos “começam a fraquejar” quando têm de pagar despesas como as de deslocação, que incluem o aluguer do autocarro, o motorista e o combustível, sustentou.

O Grupo Coral e Etnográfico da Coop de Grândola, com 20 elementos, a esmagadora maioria com idades compreendidas entre os 50 e os 60 anos, tem no tema “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, uma espécie de “cartão-de-visita”.

O musicólogo Rui Vieira Nery disse que Portugal e a cultura portuguesa estão de parabéns, considerando a classificação do cante alentejano como património da UNESCO mais um sinal do reconhecimento internacional da riqueza das tradições populares culturais do país.

"Hoje quem está particularmente em festa são os praticantes do cante alentejano, aqueles que lhe dão corpo, lhe dão voz, mas é também a cultura portuguesa toda no seu conjunto porque é um género muito especial, muito particular no panorama das músicas tradicionais rurais europeias", referiu.

Rui Vieira Nery, que é diretor do programa da Língua e Cultura Portuguesas da Fundação Caloute Gulbenkian, salientou que a distinção "é um sinal de que, quando estes processos são bem feitos, com calma e sem precipitações, com rigor e envolvendo as comunidades, não há razão alguma para que" não se consiga chegar ao objetivo pretendido.

O coordenador da candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade considerou ser uma "grande felicidade" a classificação.

"É uma grande felicidade para o cante, para quem canta, para o Alentejo e para Portugal", disse Paulo Lima.

O Museu da Música Portuguesa (MMP), em Cascais, em comunicado enviado à Lusa, expressa o seu contentamento pela classificação do cante alentejano como Património Cultural da Humanidade, decidida hoje na UNESCO, em Paris.

“Hoje, o cante é também um ato de resistência ao esquecimento, uma força agregadora que consolida, pela música, uma memória coletiva, vivida em espaços de sociabilização e que se reinventa pelas novas práticas performativas. Esta força revelada é em si desígnio de património cultural imaterial vivido e conservado pelos detentores desta tradição”, afirma o MMP.

O MMP “congratula-se com a entrada do cante alentejano na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade” e convida o público a visitar a exposição “Michel Giacometti e o Cante”, que é “uma homenagem ao trabalho do etnólogo e ao grupo coral Estrelas do Guadiana, de Tires, exemplo vivo de que, mesmo na diáspora, o ‘cante’ está presente”.

A coleção de instrumentos musicais de Michel Giacometti (1929-1990), etnomusicólogo que realizou amplas investigações e recolhas de música popular portuguesa, entre outras regiões, no Alentejo, Beira Baixa e Ribatejo, constituiu o núcleo fundador do Museu, no qual se integrou a sua biblioteca de trabalho, que deu origem ao Centro de Documentação.

Michel Giacometti criou os Arquivos Sonoros Portugueses em dezembro de 1960, que fazem também parte deste museu instalado na Casa Verdades Faria, no Monte Estoril, no concelho de Cascais.

Até às investigações de Giacometti, que foi pioneiro, Portugal era um dos raros países da Europa que não possuía uma antologia da sua música tradicional e um arquivo sonoro.

Foto: Museu da Fala/FMS

 

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