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O Café Luso, uma das mais antigas casas de fado de Lisboa, vai abrir residências artísticas para fadistas e instrumentistas, com o objetivo de “atrair novos talentos e dar experiência”, disse a fadista Elsa Laboreiro.

Elsa Laboreiro é uma das orientadoras das residências que se realizam há quatro anos, ao lado do músico António Neto (viola), e a ideia “é recuperar, de certa forma, a prática do que eram as casas de fado antigamente, que funcionavam como uma escola, espaço de transmissão de conhecimentos”, disse a fadista, referindo que o fado “é essencialmente uma tradição oral”.
“A ideia é atrair quem quer cantar, ou tocar, dar-lhes um espaço, e durante a residência ir-lhes explicando certas coisas, dando a conhecer fados tradicionais que não conheciam, retificando o que há a retificar, corrigindo, explicando certos pormenores, técnicas que esta arte, como todas as artes, tem”, disse à agência Lusa Elsa Laboreiro.
As residências começam na primeira semana de fevereiro e prolongam-se até ao final do ano. Cada residência tem a duração de um mês, em que cada artista atua pelo menos uma vez por semana, explicou Elsa Laboreiro.
A fadista realçou à Lusa que destas residências “têm saído valores, e algumas pessoas já se profissionalizaram”.
Entre outros nomes, Elsa Laboreiro citou as fadistas Liliana Martins, já com dois álbuns editados, Filipa Carvalho, que publicou um álbum em 2015, Joana Almeida, e o músico Nuno Lourenço (viola baixo).
“Eles e elas ganham estaleca e têm-se saído bem, pois não é qualquer um que canta n’O Luso”, disse, sublinhando que “esta é uma casa de referência no universo fadista”.

 

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As residências artísticas realizam-se há quatro anos no Café Luso, que tem sido, ao longo dos anos, palco de apresentação de novos talentos, onde se realizaram, entre outros, os concursos Primavera do Fado que, em 1938, foi ganho por Márcia Condessa, e, em 1957, por Natalino Duarte, ou o concurso, na década de 1950, “Rainha das Cantadeiras e Ases do Fado”, que me 1955 foi ganho por Julieta EStrela e Florinda Maria.

O Café Luso abriu portas em 1927, na avenida da Liberdade, em Lisboa, e, em 1939, passou a ocupar as cocheiras e celeiro de um antigo palácio do século XVII, na travessa da Queimada, no Bairro Alto.
Em 1932, o jornal Guitarra de Portugal noticiava “a fama extraordinária do Café Luso, [cujos] créditos que o assinalam, já o consagram como sendo a melhor casa de recreio e de fado de todo o país” e referia que reunia "os mais afamados nomes". O espaço é apontado habitualmente como a “catedral do fado”.
Amália Rodrigues (1920-1999) e Cidália Moreira foram duas das fadistas que gravaram um álbum, com público, no Café Luso, que foi também cenário de várias transmissões radiofónicas.
Todos os anos, por ocasião da data de proclamação do fado como Património Imaterial da Humanidade, o Luso realiza uma tertúlia fadista, em que homenageia personalidades ligadas a esta tradição musical. Este ano, o homenageado foi o guitarrista António Parreira, autor da obra “O livro dos fados – 180 Fados Tradicionais em Partituras”.

Fotos: O Luso/FMS

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