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Fernando Maurício, criador de “Boa noite, solidão”, falecido há 11 anos, é homenageado no domingo, dia 20, em Lisboa, com a inauguração de um busto no bairro da Mouraria, onde nasceu e viveu. A iniciativa é da junta de freguesia de Santa Maria Maior e está marcada para as 12:00, com a inauguração, na rua da Guia, do busto do fadista, em bronze, da autoria do escultor José Carlos Almeida.

Na ocasião, à qual assiste a filha do fadista, Cláudia Maurício, o intérprete Jaime Dias, que conviveu com o homenageado, interpretará dois fados do seu repertório, “Nasci na Mouraria” e “Igreja de St.º Estêvão”.
Fonte da junta de freguesia de Santa Maria Maior disse à Lusa que "esta era uma aspiração há muitos anos dos residentes da Mouraria, que motivou até abaixo-assinados".
Na Mouraria, num edifício na rua do Capelão, uma placa, inaugurada por Amália Rodrigues em 1989, assinala o local onde o fadista nasceu.
O escultor José Carlos Almeida, de 47 anos, natural de Coimbra, autodidata, trabalha nas Caldas da Rainha, e foi discípulo de Humberto Elias.
O busto de Fernando Maurício junta-se a vários outros que o escultor, com uma carreira de cerca de 22 anos, já executou, e que se encontram em várias partes do país, designadamente em Tavira e em Fermedo, no concelho de Arouca.
José Carlos Almeida é autor de alguns monumentos em espaços públicos, nomeadamente ao bombeiro, no Cartaxo, ao pastor, em Belmonte, e aos animais autóctones portugueses, no Parque biológico de Vinhais, em Trás-os-Montes.
"Tenho feito vários trabalhos em bronze, mas trabalho mais em cerâmica, fibra de vidro e resinas", disse à Lusa o artista plástico.
A homenagem a Fernando Maurício, que foi apelidado em vida como “rei do fado”, prossegue às 18:00, na rua da Mouraria, nas traseiras da capela de Nossa Senhora da Saúde, com a atuação de um elenco fadistas que inclui Jaime Dias, Conceição Ribeiro, Pedro Galveias, Filipa Cardoso, Diogo Rocha, Ana Marta, Artur Batalha, Ana Maurício, Luís Matos e Vitor Miranda, acompanhados à guitarra portuguesa por Eurico Machado e, à viola, por Ivan Cardoso.
Fernando Maurício, morreu aos 69 anos, em julho de 2003, e foi uma “figura incontornável” do meio fadista, como disse à Lusa Luís de Castro, da Associação Portuguesa Amigos do Fado (APAF).
“Podendo ter sido senhor de uma extraordinária carreira, pelos seus dotes e aptidões interpretativas, até certo ponto descurou-a, pois não era vaidoso ou materialista”, disse Luís de Castro, seu amigo de infância.
“Foi uma opção do Fernando. Uma opção pela boémia e pela genuinidade fadista”, disse à Lusa a fadista Maria Amélia Proença, que várias vezes partilhou o palco com Maurício.
“O fado é o meu bairro”, disse Fernando Maurício numa entrevista à Lusa.
Fernando Maurício começou a cantar aos 13 anos, depois de ter ficado classificado em 3.º lugar no concurso “João Maria dos Anjos”. A Inspeção-geral dos Espectáculos, a título excecional, autorizou que iniciasse uma carreira profissional e nesse mesmo ano Fernando Maurício encarnou a figura do Conde de Vimioso na marcha infantil da Mouraria.

Esse momento, recordou Luís de Castro, “dá início a uma das mais populares carreiras de sempre no fado, genuinamente sempre ligado ao bairro onde nasceu”.
Contratado pelo empresário José Miguel actuou durante três anos no Café Luso, em Lisboa, vindo depois a subir os estrados dos cafés Latino, Vera Cruz, Retiro dos Marialvas e Casablanca.
Aos 17 anos decide fazer uma pausa para regressar às lides fadistas no Café Luso em 1954, e daí em diante passou a cantar em quase todas as casas típicas de Lisboa.
“O Fernando foi sempre muito aplaudido e muito querido do público que se reconhecia nele. O seu nome arrastava inúmeras pessoas que nunca se cansavam de o aplaudir”, recordou a fadista Julieta Estrela, que muitas vezes atuou ao seu lado.
Entre os prémios que recebeu contam-se os de Imprensa (1967), Prestígio e Carreira da Casa da Imprensa (1985 e 1986). Em 2001 foi feito sócio de Mérito da APAF, e recebeu a Medalha da Cidade e a comenda de Bem-Fazer pela Presidência da República.
Quando da sua morte, o musicólogo Rui Vieira Nery afirmou à Lusa que o fado de Fernando Maurício era “intenso, apaixonado, interior, sem técnicas de ‘show business’ nem pretensões de chique intelectual”.
O fado de Fernando Maurício assentava “na identificação emocional imediata entre o fadista e cada um dos seus ouvintes”, rematou o catedrático da Universidade Nova de Lisboa.
Entre os prémios que recebeu contam-se os de Imprensa (1967), Prestígio e Carreira da Casa da Imprensa (1985 e 1986). Em 2001, foi feito sócio de Mérito da APAF, e recebeu a Medalha da Cidade e a comenda de Bem-Fazer pela Presidência da República.
No sáabdo à noite, a partir das 21:00, no jardim das Amoreiras, em Lisboa, a junta de Freguesia de Santo António tem prevista a exibição do documentário “Rei sem coroa”, de Diogo Varela Silva, sobre a vida de Fernando Maurício, no âmbito do ciclo Cinema ao Ar Livre.

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