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Bruno Igrejas define o seu novo álbum, “Fatum”, como “um reflexo da carreira que tem trilhado há 15 anos”, na medida em que inclui fados tradicionais, com refrão, e homenageia o seu ídolo, Manuel Fernandes, noticiou a RTP.

O álbum, editado pela Ovação, é constituído por onze temas, entre inéditos, como “Canta comigo Lisboa”, de Carlos Mendonça e Tiago Simões, e provenientes de repertórios de outros fadistas, nomeadamente de Manuel Fernandes, falecido há 20 anos.
“Manuel Fernandes é o meu ídolo”, disse Bruno Igrejas, que resgatou do repertório deste fadista “O pinoia”, de Frederico de Brito, e a “Marcha fadista”, de Brito e Jaime Santos.
Este álbum sucede a “Nosso fado” (2006), tendo Bruno Igrejas voltado a optar por um alinhamento em que equilibra temas inéditos com fados já gravados por outros fadistas.
Um dos temas que recria é “O cravo de S. João”, de Aníbal Nazaré e Martinho d’Assunção, que Carlos Ramos gravou e, entre os inéditos, além de Carlos Mendonça, interpreta poemas de António Rocha, Ângelo Freire e Daniel Gouveia.
Carlos Mendonça é o único autor que bisa a participação, assinando também “Teus olhos”, que Bruno Igrejas canta no Fado Macau, atribuído a Adriano Sequeira. De António Rocha, distinguido com o Prémio Amália Carreira em 2006, Bruno Igrejas canta “Diz-me porquê mentirosa”, na melodia do Fado Rigoroso, de José Marques.
Do guitarrista Ângelo Freire, gravou a letra “No movimento do adeus”, no Fado Zé Negro, de Amadeu Rami e, de Daniel Gouveia e Vítor Lourenço, “Lava a camisa com jeito”, no Fado Nazaré, de José Fontes Rocha.
À Lusa o fadista afirmou que, neste CD, “há uma maior presença do fado tradicional – sete em onze temas –", mas prefere “cantar o fado musicado ou com refrão”.
Outra homenagem que o fadista presta, neste CD, é ao bairro onde nasceu e vive, Alfama, em Lisboa, tendo gravado “Minha Alfama velhinha”, de Leonel Moura, no Fado Isabel, de Fontes Rocha.

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Bruno Igrejas no Fado Maior, em Alfama

A escolha de repertório, “com calma e atento aos poemas e à sua ligação com a melodia”, e a gravação do CD levaram cerca de dois anos, disse o fadista, que gravou acompanhado pelos músicos David Ribeiro (guitarra portuguesa), André Ramos (viola), Ângelo Freire (viola, baixo acústico e guitarra portuguesa) e António Oliveira (baixo acústico). A produção é de Tiago Simões, que assina alguns dos arranjos musicais, assim como André Ramos e Ângelo Freire.
Bruno Igrejas afirmou à Lusa que, nascido em Alfama, encontrou clara e facilmente o gosto pelo fado, que considera a sua realização, e todas as noites canta num dos restaurantes típicos daquele bairro, considerando as casas de fado a melhor escola de fado, pois ombreia com outros nomes, “troca impressões e aprende-se sempre”.
Para o fadista de 31 anos, “o fado é uma permanente aprendizagem, até porque se renova constantemente”.
Referindo-se ao álbum, o fadista afirmou que é “um trabalho mais consolidado, fruto de uma aprendizagem constante”, mas “é também a concretização de um sonho”.

Fotos: Ovação/Fado Maior(L.Castro)/FMS

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